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Negócios

Frete caro, ‘apagão de insumos’ e inflação ameaçam recuperação global, diz BCG

O comércio internacional deve retomar os níveis pré-pandemia entre 2022 e 2023, com crescimento anual na casa de 2,7% até 2030

Vista del puerto de Tianjin, en China.
10 de Setembro, 2021 | 01:06 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

São Paulo — Preços elevados de frete, o chamado “apagão de insumos” e aumento de preços ameaçam o ritmo de recuperação do comércio global, segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG). Após uma contração estimada de 8% no comércio internacional no ano passado, a consultoria acredita em crescimento médio anual de 2,7% entre 2021 e 2030. O mundo deve retomar os níveis pré-pandemia entre 2022 e 2023.

No estudo, o BCG avalia que a retração de 8% do comércio internacional foi até pequena em 2022, dada a severidade do impacto da pandemia nos negócios. Isso porque, após as medidas de restrição de circulação, os países passaram a controlar melhor as variáveis da crise e a minimizar os danos à economia.

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Na retomada, os maiores riscos listados pelos consultores são o aumento de 330% dos fretes internacionais devido a restrições nos portos asiáticos, entre outros fatores, além da falta de chips, que fez com que 90% dos fabricantes de automóveis da União Europeia e dos Estados Unidos interrompessem a produção em 2020.

A expectativa dos consultores é que a inflação deve voltar aos patamares pré-pandemia até o final de 2022, quando diminuirão os impactos da falta de insumos devido ao fechamento de fábricas e fechamento de portos. No caso dos chips, o segmento deve ser impactado pelo menos até o final de 2022.

“A recuperação pós-covid deve ser vista com cautela pelo mercado, pois pode esconder tendências comerciais que podem continuar impactando o comércio no futuro, como o aumento de políticas protecionistas, novos acordos de livre comércio e a relevância cada vez maior das ações climáticas”, disse Heitor Carrera, diretor-executivo e sócio do BCG no Brasil.

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Protecionismo e mudanças climáticas

Protecionismo e políticas contra a mudança climática também podem afetar a corrente de comércio internacional. No estudo, cerca de 80% das empresas afirmaram que planejam adotar políticas para se tornarem neutras em carbono nos próximos anos. 60% pretendem se tornar neutras até 2030.

Os consultores lembraram da proposta da União Europeia de sobretaxar segmentos considerados intensivos em carbono, como siderúrgico, de refino de petróleo, além de químicos, carvão, entre outros.

Veja mais: Europa deveria criar ‘mercado de capitais verde’ e financiar transição para baixo carbono, diz UBS

O BCG alerta ainda para uma perda potencial de US$ 4 trilhões pelos países do G20 até 2025 se as tensões e bloqueios comerciais continuarem no mesmo ritmo. O principal conflito continua sendo entre China e Estados Unidos. O comércio entre os dois países deve encolher 3,7% ao ano, chegando a uma diminuição de US$ 114 bilhões em 2030, na comparação com os números de 2019.

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Por outro lado, há uma expectativa de que ambos os países substituam esse comércio com outros blocos. No caso da China, o país deve priorizar os mercados da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), além de Mercosul e África dos Sul.

Na visão da BCG, o Mercosul pode aumentar sua participação no comércio global até o fim da década, impulsionado particularmente pelas transações com EUA e China. As transações com o país asiático serão o principal motor do crescimento, aumentando o patamar de comércio em US$ 96 bilhões até 2030 na comparação com 2019. Já o comércio com os EUA devem crescer US$ 14 bilhões na mesma comparação.

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Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.