Amazon defende contratação de entregadores usuários de maconha

O teste para a droga afetou desproporcionalmente comunidades não brancas, impedindo o crescimento do emprego, conforme uma porta-voz da varejista

Empresas buscam oferecer uma série de incentivos em meio à falta de mão de obra no pós-pandemia
Por Spencer Soper
01 de Setembro, 2021 | 05:17 PM

Bloomberg — A Amazon.com tem uma solução para a falta de entregadores nos Estados Unidos: contratar usuários de maconha.

A varejista tem aconselhado parceiros de entrega - empresas familiares que operam as onipresentes vans azuis da Amazon - a anunciarem de forma proeminente que não fazem triagem de candidatos sobre o uso de maconha, de acordo com correspondência revisada pela Bloomberg e entrevistas com quatro proprietários de empresas.

A recomendação poderia aumentar o número de candidatos a empregos em até 400%, diz a Amazon em uma mensagem, sem explicar como chegou à porcentagem. Por outro lado, diz a varejista, o teste para uso de maconha reduz o número potencial de trabalhadores em até 30%.

Uma parceira de entrega, que parou de testar candidatos a pedido da Amazon, diz que a maconha era a razão predominante para a maioria das pessoas não serem aprovadas nos testes de drogas. Agora, a proprietária faz exames apenas para detectar drogas como opiáceos e anfetaminas, e mais motoristas são aprovados.

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Outras empresas de entrega continuam a examinar os candidatos, preocupadas com as implicações do seguro e possíveis processos em muitos estados onde o uso de maconha continua ilegal. Também temem que suspender os testes de drogas possa levar alguns motoristas a fumarem maconha antes de iniciarem uma rota.

“Se um dos meus motoristas bate e mata alguém com resultado positivo para maconha, isso é problema meu, não da Amazon”, disse um deles, que pediu anonimato ao falar sobre o assunto porque a Amazon desencoraja proprietários de empresas de entrega de falarem com a mídia.

Veja mais: Amazon vai abrir novo centro de distribuição no Brasil em meio ao avanço de gigante chinesa no e-commerce

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Empresas buscam oferecer uma série de incentivos em meio à falta de mão de obra no pós-pandemia, pois bônus de contratação já não são suficientes. A Target anunciou este mês que vai cobrir despesas universitárias de funcionários. A Applebee’s ofereceu aperitivos gratuitos aos candidatos em seu esforço para contratar 10 mil trabalhadores.

A Amazon, que faz lobby com o governo federal para legalizar a maconha, anunciou em junho que não faria mais triagem dos candidatos sobre o uso da droga. Não demorou muito para que a empresa começasse a encorajar seus parceiros de entrega a fazerem o mesmo.

Em comunicado, uma porta-voz da Amazon disse que o teste para maconha afetou desproporcionalmente comunidades não brancas, impedindo o crescimento do emprego. Ela também disse que a empresa tem tolerância zero para funcionários que trabalham sob o efeito de drogas.

“Se um funcionário de entrega não estiver em condições de trabalhar e testar positivo após um acidente ou devido a uma suspeita razoável, essa pessoa não terá mais permissão para realizar serviços para a Amazon”, disse.

Contratar e recrutar motoristas era a maior preocupação entre cerca de 100 proprietários de empresas de entrega reunidos esta semana em Las Vegas para debater ideias para ajudar suas empresas a prosperar. Com a agitada temporada de compras de fim de ano se aproximando, tem sido difícil se destacar em meio à falta de mão de obra.

Entregadores da Amazon costumam receber menos que motoristas de empresas de ônibus escolares, onde podem ganhar mais de US$ 20 por hora e estão em casa para o jantar. Os motoristas terceirizados da Amazon geralmente ganham US$ 17 por hora e costumam trabalhar até tarde da noite para atender à demanda.

Uma solução é aumentar os salários. Mas isso só pode acontecer se a Amazon concordar em pagar mais aos parceiros de entrega por seus serviços, o que a empresa pode levar tempo para concretizar.

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