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ESG

Como as mulheres lutam para recuperar a força econômica perdida na pandemia

A Bloomberg Línea conversou com líderes dos setores público, privado e da sociedade civil em busca de um panorama regional dos esforços na América Latina

Tempo de leitura: 16 minutos

Em uma época em que a lacuna de gênero nas diversas áreas socioeconômicas da América Latina era foco do debate público, a pandemia da Covid-19 afetou desproporcionalmente as mulheres em toda a região.

Segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a América Latina já apresenta a maior taxa de crescimento do mundo em termos de participação feminina na força de trabalho. Essa proporção alcançou 58% em 2019 contra 52% em 2000, índice que, segundo o banco, era inédito e poderia se igualar aos 69% dos Estados Unidos em 2055. No entanto, o relatório indica que a pandemia causou um declínio de pelo menos uma década neste indicador.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) considera, por sua vez, que o retrocesso é maior após ocorrer em 2020 “uma saída forçada de mulheres do mercado de trabalho, que, por terem que atender a demandas em suas casas, não retomaram a busca por emprego”.

Segundo o relatório, calcula-se “que a taxa de desemprego das mulheres atingiu 12% em 2020, percentagem que subiu para 22,2% se assumida a mesma taxa de participação laboral das mulheres em 2019”.

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Mas, ao mesmo tempo, também não faltam iniciativas destinadas a contrariar esta tendência. E em uma série de 12 entrevistas em toda a região, a Bloomberg Línea falou com mulheres que lideram esses esforços dos setores público, privado e da sociedade civil.

Impacto mais forte do que no resto do mundo

Para Gabriela Bucher, diretora executiva da Oxfam, o impacto da pandemia na América Latina tem sido desproporcional em relação ao registrado no resto do mundo. E a saúde não foi a única afetada, mas também a esfera social e a economia.

“Apesar de sermos 8,3% da população mundial, temos 20% dos casos e 32% das mortes (por Covid-19)”, afirma, enfatizando que esses números tiveram papel central na queda de 7,7% no Produto Interno Bruto (PIB) regional.

“É mais do que catastrófico e muito mais forte do que em outras regiões do mundo (...) A desigualdade econômica é também a desigualdade de gênero e a desigualdade nas questões raciais e étnicas, por isso sabemos que há um impacto desproporcional nesses grupos”, afirmou.

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Segundo o Observatório do Trabalho Covid-19 do BID, na América Latina e no Caribe mais de 31 milhões de empregos foram perdidos durante a pandemia. Mas em termos relativos, as mulheres perderam mais empregos do que os homens e demoram mais para recuperá-los, especialmente na Bolívia, Chile, Colômbia, México, Peru e Paraguai.

De acordo com dados da McKinsey & Company, globalmente, os empregos das mulheres são 1,8 vez mais vulneráveis a esta crise de saúde do que os empregos dos homens. E, embora as mulheres representem 39% dos empregos, 54% das perdas totais de empregos foram femininas.

María-Noel Vaeza, diretora da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe, indicou que um dos maiores problemas que a crise da saúde escancarou e aumentou foi que o trabalho relacionado a cuidados não é reconhecido.

“É preciso haver consciência da necessidade de redistribuir as tarefas domésticas e reduzi-las para que as mulheres tenham tempo suficiente para se dedicar a outras atividades econômicas, políticas ou de lazer. Não é possível que as mulheres continuem a ter 3,5 vezes ou 4 vezes mais responsabilidade por tarefas de assistência não remuneradas do que os homens “, afirmou.

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Na mesma linha, a Diretora Nacional de Economia e Gênero do Ministério da Economia da Argentina, Mercedes D’Alessandro, assegurou que “a grande política de gênero” no país “é o investimento em infraestrutura assistencial”.

O estado argentino se destacou em nível regional durante a pandemia por implementar o maior número de medidas com perspectiva de gênero, segundo índice elaborado pela ONU Mulheres. O índice mostra que das 43 medições realizadas até o final de julho, 26 apresentavam essa característica. Em agosto de 2020, o país estava no topo do ranking mundial. Atualmente, ao comparar as cifras com as do resto da região, a Costa Rica mostra o mesmo número, com Chile e Colômbia com 25.

D’Alessandro garantiu que o cuidado deve ser central para avançar com as mudanças estruturais e indicou que dentro desse quadro o governo está realizando um projeto para construir 300 Centros de Desenvolvimento Infantil entre 2021 e 2022.

O plano busca “reduzir o hiato da pobreza em termos de tempo disponível para a realização de outras atividades e ampliar a oferta de espaços de atenção integral para a proteção dos direitos da criança na primeira infância, com a missão de conseguir uma distribuição mais justa das tarefas de cuidado”.

O responsável destacou ainda a importância de doações diretas como a Bolsa Universal para Crianças (AUH) e o Cartão Alimentar (que concedem um valor mensal e cobram um plástico para a compra de alimentos, respetivamente). Indicou que foi decidido que “a AUH recai sobre a dona de casa”, de modo que 94% das pessoas que a recebem são mulheres.

“É um pouco complexo porque essa renda é para meninos e meninas. Mas a verdade é que as mulheres que cuidam deles têm maiores obstáculos para procurar emprego, trabalhar em tempo integral. E ter essa renda que lhes garante pelo menos alimentá-los em casa todos os dias. Obviamente tem um impacto positivo em termos de gênero”, afirmou.

É preciso haver consciência da necessidade de distribuir as tarefas domésticas e reduzi-las para que a mulher tenha tempo suficiente para realizar outras atividades.

—  María-Noel Vaeza, diretora da ONU Mulheres para as Américas e Caribe

No Brasil, o governo de Jair Bolsonaro gastou R$ 557 bilhões desde o início da pandemia até junho, segundo o Poder360. Parte relevante desse montante (R$ 293 bilhões em 2020 e R$ 27 bilhões até o início de julho de 2021) foi destinada à concessão de transferências diretas por meio do Programa de Auxílio Emergencial.

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Mas o governo não fez da abordagem de gênero uma prioridade. E é aí que entram em cena organizações como a Central Única das Favelas (Cufa), que por meio do projeto Mães da Favela já distribuiu R$ 296,2 milhões para ajudar as mulheres que moram em bairros carentes.

O Mães da Favela distribui alimentos ou dinheiro que recebem de diferentes parceiros privados, incluindo a mineradora Vale e a Rede Globo, por exemplo. De acordo com o Data Favela, parceria entre a Cufa, o instituto Data Popular e o Locomotiva, há 5,2 milhões de mães nas favelas brasileiras, e 72% delas são as principais responsáveis pelo sustento familiar.

“Houve uma queda drástica dos recursos financeiros dessas pessoas. As ações que fazíamos em parceria com as empresas, que costumavam render um valor extra para as pessoas da favela que faziam parte, também precisaram ficar suspensas na pandemia, então o Mães da Favela nasceu para cobrir esse espaço”, explicou a diretora de projetos da Cufa, Elaine Caccavo, em entrevista à Bloomberg Línea.

Já na Venezuela, há três medidas com perspectiva de gênero registradas pelo índice da ONU Mulheres, de longe o menor da América do Sul. E dado o colapso econômico, social e de saúde que o país atravessa há anos, na grande maioria dos casos, a única fonte de ajuda vem das organizações da sociedade civil.

Um deles é o Centro Justiça e Paz (Cepaz), que, por meio do programa Cash, doou dinheiro ou comida a mulheres da paróquia de La Dolorita, a leste de Caracas. De acordo com a entidade, o objetivo é que as mulheres “não dependam exclusivamente da caixa de alimentos entregue pelos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP)”, administrados pelo governo.

Dessa forma, os beneficiários é que compram seus alimentos e se encarregam das decisões que afetam suas vidas, explica o Cepaz em seu site. A advogada e assessora da organização, Sara Fernández, disse à Bloomberg Línea que o programa transcende doações monetárias e alimentares. “Continuamos atendendo mulheres dentro e fora de La Dolorita, entregando coletores menstruais e doações, fazendo treinamentos, clínicas jurídicas e atendimento psicológico”, explicou.

Em janeiro de 2021, o presidente Nicolás Maduro admitiu que a pobreza havia crescido na Venezuela em 2020: a geral até 17% e a extrema até 4%. No entanto, as universidades mais importantes do país constataram em sua Pesquisa de Condições de Vida em 2020 que 96% das famílias venezuelanas estavam na pobreza e 79% na extrema pobreza.

Outras organizações, como Aliadas en Cadena, buscam abordar desafios de médio e longo prazo com programas de treinamento para mulheres vulneráveis em direitos humanos, tecnologias de informação e comunicação e habilidades para empregabilidade, além de fornecer suporte psicossocial. Antes da chegada da pandemia, afirma a gerente geral da organização, Yomara Balzán, adaptaram seus programas ao ambiente virtual para dar continuidade aos processos de capacitação.

Balzán indicou que durante a pandemia 432 mulheres se formaram em seu programa, das quais a maioria (72%) está em atividade produtiva, principalmente em setores como serviços, produção e gastronomia. Além disso, com os quase cem “bate-papos do fórum” que organizaram somente em 2020, durante a adaptação dos programas, alcançaram quase 30 mil pessoas.

No México, a Asociación Mexicana de Mujeres Jefas de Empresa A.C. (AMMJE) está na vanguarda desses esforços. Sonia Garza, presidente da organização, destacou sua importância ao indicar que, de acordo com o Instituto Mexicano de Estatística (INEGI), 84% das pessoas que perderam seus empregos durante a pandemia eram mulheres.

A AMMJE se concentrou em “uma questão substancial para o crescimento e empoderamento das mulheres, o treinamento”, explicou ela. Por meio de uma colaboração com a rede social e comercial Lady Multitask e o Google Developers, desenvolveu uma “plataforma de treinamento para mulheres empresárias em questões de negócios e capacitação”. É gratuito e consiste em módulos como ‘Migrando sua empresa para o digital’ e ‘Microempresas’. Ela também mencionou uma aliança com o Mercado Livre para gerar uma estratégia para “enfrentar o confinamento e permitir que os empresários distribuam seus produtos em tempo hábil” e que “a pandemia não descapitalizará seus negócios”.

Dentro do ecossistema corporativo, as abordagens têm sido tão diversas quanto as empresas que o compõem. Mas a empresa Aequales, que segundo seu site oferece “ferramentas para fechar as brechas de gênero no trabalho na América Latina”, ilustra com suas próprias medições o progresso (ou a falta dele) de inúmeras empresas da região.

Isso ocorre principalmente por meio do ranking Par, que desde 2014 pontua as empresas participantes com base em indicadores como cultura organizacional, gestão de metas, talento e estrutura organizacional. Levando em conta essas variáveis, premia os mais equitativos e divulga as boas práticas que vêm fazendo.

Andrea de la Piedra, CEO da Aequales, concordou que durante a pandemia as horas de trabalho dentro de casa aumentaram, o que implicou mais esforços por parte das mulheres com funções de cuidadoras. É por isso que decidiram adaptar suas medições para determinar o que as empresas estavam fazendo para compensar as horas adicionais de trabalho durante este período, afirma De la Piedra.

O ranking constatou que quase 83% das empresas analisadas reconhecem que o cuidado é uma questão central na gestão de crises. Mas quase 30% não estimaram o quão exigente seria para suas equipes. Além disso, identificou que 67% das empresas participantes passaram a avaliar aquela sobrecarga de cuidado que seus funcionários tinham e 39% adaptaram a forma de medir desempenho para “dispensar qualquer indicador de presença e tempo, questionar os estereótipos de gênero e repensar a forma como medem a produtividade, além de garantir medidas diferenciadas para cuidadoras”.

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O diagnóstico Par também constatou que 19% das organizações priorizaram o trabalho remoto para mães que amamentam e pais com filhos menores de um ano, mesmo com o término das licenças. Enquanto 18% concederam licença remunerada para atender a necessidades específicas de cuidados e apenas 5% prorrogaram a licença maternidade.

De la Piedra destacou “quatro pilares” observados entre as empresas líderes do ranking:

  • A criação de um comitê de equidade e diversidade de gênero
  • Gestão de um plano de ação para ter uma estratégia de diversidade
  • Cotas de gênero (“talvez sejam polêmicas, mas acelera os processos”)
  • E a criação de políticas públicas para a igualdade de gênero

“Aquelas empresas que são mensuradas e estão trabalhando no assunto têm 25% a mais de rentabilidade de seus ativos. Eles são mais lucrativos, são mais inovadores e têm maior retenção. Isso tem um impacto financeiro direto e que nos mostrou que não é bom apenas pela importância de cuidar do talento, da equipe, dos espaços inclusivos, mas também pelo retorno econômico “, destacou De la Piedra.

Desafio transgeracional

Não apenas as mulheres trabalhadoras foram afetadas pela pandemia, mas também aquelas em idade escolar. Paula Coto, diretora executiva da Chicas en Tecnología, organização que trabalha para reduzir a diferença de gênero por meio de cursos gratuitos de tecnologia e empreendedorismo para jovens do ensino médio em toda a região, analisou os principais desafios educacionais que a pandemia trouxe e como podem agravar a desigualdade prevalecente.

Coto garantiu que, embora a pandemia tenha reforçado o uso de dispositivos tecnológicos, também evidenciou as diferenças no acesso à internet e a dispositivos que persistem na América Latina.

Ela explica que as adolescentes da região faziam parte de um dos grupos mais atingidos pelas restrições devido à pandemia, no caso, pela suspensão das aulas presenciais. Muitas enfrentaram a possibilidade de não poderem prosseguir com os estudos escolares devido ao impacto econômico da crise nas famílias ou pela necessidade de realizar trabalhos domésticos. Só no México, de acordo com a Bloomberg, cerca de 1,8 milhão de alunos não voltaram às aulas no ano letivo de 2020-2021 devido a dificuldades financeiras ou motivos relacionados à Covid-19.

Relatório do Unicef também revelou que até 30 de junho, em 18 países e territórios da América Latina e Caribe, 101 milhões de crianças e adolescentes ainda eram afetados pelo fechamento de escolas. Enquanto isso, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, devido a esta interrupção das aulas, o número de trabalho infantil pode aumentar em 9 milhões até o final de 2022 em todo o mundo, apesar dos avanços alcançados nos últimos anos. Na região, segundo a agência, 33% dos 8,2 milhões de crianças e jovens de 5 a 17 anos na força de trabalho são meninas.

“Há evidências de que o fato de a educação a distância não ser possível em alguns cantos já causou uma evasão muito grande. Fizemos uma projeção com a CEPAL de que quase 300 mil meninos e meninas correm o risco de deixar a escola e entrar no trabalho infantil, o que seria uma tragédia “, afirma Vinícius Pinheiro, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe, à Bloomberg Línea.

É importante que as mulheres jovens sejam envolvidas não apenas como usuárias, mas também como criadoras de soluções tecnológicas, pois esses serão os empregos do futuro.

—  Paula Coto, diretora executiva da Chicas en Tecnología

Mas as interrupções acadêmicas e o possível abandono das escolas não têm apenas repercussões sociais, mas também efeitos econômicos de longo prazo. Um artigo da Bloomberg cita que o Banco Mundial estima que a suspensão da escolaridade pode se traduzir em US$ 1,7 trilhão em perda de receitas futuras na região.

Apesar das consequências negativas da crise, para a diretora da Chicas en Tecnología a pandemia foi uma oportunidade de estender seu trabalho da Argentina a mais 17 países, entre eles Peru, Colômbia, Chile, México, e assim reforçar a importância do acesso das mulheres a educação básica, educação tecnológica e dispositivos digitais, uma combinação que lhes permitirá se formar, descobrir novas carreiras e futuramente aproveitar as oportunidades de um mercado de trabalho ávido por conhecimento profissional em tecnologia.

“É importante que as mulheres jovens se envolvam não apenas como usuárias, mas também como criadoras de soluções tecnológicas, pois esses serão os empregos do futuro”, explicou Coto.

Quem também está focando seu trabalho na equidade no futuro são as mulheres em cargos políticos no Chile, especialmente considerando que o país iniciou a redação de uma nova constituição com a primeira Assembleia Constituinte conjunta da história.

Mónica Zalaquett, Ministra da Mulher e Igualdade de Gênero do governo chileno, destacou o avanço da participação feminina ao lembrar que, devido à cota de gênero, “as mulheres tiveram que sair para alcançar a paridade com os homens”. ”Então eu acho que aqui foi quebrado um paradigma de que não havia mulher porque não havia espaço para elas”, acrescentou.

Para a ministra, conseguir uma constituinte com equidade é fundamental porque a Constituição já terá “incorporado a visão, a contribuição e o olhar dos 50% da população chilena que são mulheres”.

Dois membros da assembleia constituinte falaram na mesma linha: Bessy Gallardo, da Lista de Aprovação, e Ramona Reyes, do Partido Socialista.

Para Gallardo, a participação política das mulheres no Chile será um dos principais desafios da Assembleia. No Congresso, afirmou, as mulheres ocupam apenas 17% dos assentos e os partidos políticos listam mais homens do que mulheres. “É por isso que nós, na Constituinte, ensinamos que pode haver paridade na cena pública”.

Gallardo explicou que, embora a igualdade de gênero na elaboração de uma nova Carta Magna permita que a situação da mulher no país comece a mudar, os desafios não terminam aí. “Sem boas leis subsequentes, a Constituição não terá utilidade e será letra morta. Precisamos de leis e educar a sociedade, as empresas privadas, a mídia e o Estado para equalizar oportunidades para todos”.

Para a parlamentar, será crucial estabelecer “bases legais” para garantir leis de equidade salarial, aborto seguro e gratuito, acesso à educação não sexista e cotas de gênero tanto nas empresas quanto nos entes do Estado. “As leis de gênero servem para equilibrar o campo até que um dia não precisemos mais delas e possamos revogá-las porque o trabalho na sociedade será feito”, disse.

Por sua vez, Reyes concordou que no Chile existe uma “dívida pendente” com todas as mulheres em relação aos espaços de participação política, às medidas de saúde reprodutiva e à sobrecarga do papel doméstico. “Esperamos que nesta nova Constituição, que pela primeira vez será redigida em paridade, seja garantida uma visão desde a perspectiva das mulheres e que a igualdade seja assim consagrada nela”, acrescentou.

Também destacou que o aumento das tarefas de atendimento às mulheres na pandemia é fundamental para demonstrar que é urgente que o Estado “reconheça” sua importância para a “economia do país”.

Perspectivas para o futuro

Olhando para a série de desafios colocados pela pandemia, María-Noel Vaeza da ONU Mulheres e Gabriela Bucher da Oxfam deram suas perspectivas sobre como enfrentá-los e em quais prestar mais atenção.

“Desigualdade econômica também é desigualdade de gênero”

—  Gabriela Bucher

Noel-Vaeza disse que será fundamental que as entidades financeiras invistam nas mulheres. “É um bom negócio porque mostramos que quando investimos em mulheres lucramos até 25% mais e porque o valor de mercado dessas empresas dirigidas por mulheres chega a até 40% mais”, disse.

Bucher, por sua vez, destacou a chave para estabelecer e fazer cumprir o pagamento de impostos corporativos. “Desigualdade econômica também é desigualdade de gênero”, disse. Por isso, citou como prioridade “poder taxar o grande patrimônio, as empresas e de fato reduzir ou eliminar a erosão e sonegação fiscal”.

“Algumas situações são extremamente desanimadoras e os números falam por si, mas ao mesmo tempo nossa mensagem é de esperança e possibilidade”, disse. Embora tenha assegurado que estão ocorrendo mudanças que “significam que não vamos voltar a ser como a situação era antes, que era insustentável. Agora temos a oportunidade de ter vontade política para mudar e repensar o modelo econômico em prol da igualdade “.

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Leidys Becerra

Leidys Becerra

Periodista colombiana con experiencia en cubrimiento de temas locales e internacionales y generación de contenidos digitales. Anteriormente fue productora de noticias para Univision y estuvo en las salas de redacción de El Tiempo y Semana.

Demian  Bio

Demian Bio

Periodista y abogado argentino con experiencia en coberturas locales e internacionales. Fue editor general de Infobae América, el sitio de noticias internacionales de Infobae y colaboró en medios internacionales con artículos sobre actualidad política y económica argentina.

Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

Jimena Tolama

Jimena Tolama

Editora principal del buró de México para Bloomberg Línea. Periodista mexicana con 10 años de trayectoria en medios de negocios multiplataforma. Fue cofundadora y editora en Jefe de EL CEO, lo que la convirtió en la mujer más joven al frente de un sitio económico financiero en México. Apasionada por crear nuevas formas de contar historias.

Andreína Itriago

Andreína Itriago

Periodista venezolana (UCAB, Caracas) con maestría en Periodismo de Investigación, Datos y Visualización (URJC, Madrid) y postgrado en Community Manager & Social Media (UB, Barcelona). Suma quince años de experiencia en importantes medios de su país y del mundo. Más recientemente, corresponsal de EL TIEMPO. Profesora universitaria desde 2011.