Mercados

Principal do dia: mercados começam semana no vermelho com receios geopolíticos

No BREAKFAST: Bolsas europeias e futuros americanos puxavam quedas, reagindo ao caos no Afeganistão; por aqui, o foco é em nova onda de ruídos produzidos em Brasília

Exterior morno após dados do IPC americano
16 de Agosto, 2021 | 08:32 am
Tempo de leitura: 1 minuto

São Paulo — Os mercados internacionais amanheceram no vermelho, com a comunidade internacional prestando atenção com cautela nos desdobramentos geopolíticos da tomada de poder pelo Talibã no Afeganistão. Dados mais fracos que o esperado para a economia chinesa também pesam. Por aqui, o foco é a expectativa pelo pedido de impeachment, por parte do presidente Jair Bolsonaro, dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso – que pode sacudir o cenário político local.

  • Futuros americanos: Dow Jones (-0,34%), S&P 500 (-0,32%) e Nasdaq (-0,29%)
  • Índices europeus: DAX (-0,58%), CAC (-0,86%) e FTSE (-1,14%)
  • Tóquio/Nikkei 225 (-1,62%), Xangai (+0,03%) e Hong Kong/Hang Seng (-0,8%). A produção industrial chinesa teve alta de 6,4% em julho, abaixo das expectativas, assim como as vendas no varejo para o mês, puxando o pessimismo dos mercados locais.
  • Por aqui, o Ibovespa a sexta-feira (13) com alta de 0,41%, mas abaixo dos 123 mil pontos que tinha alcançado há poucos dias. Na semana, o índice acumulou perda de 1,32%. O dólar fechou em R$ 5,25 (-0,11%), depois de atingir pico de R$ 5,27 durante a sessão.

Direto de Brasília (e outros lugares)

  • O drive político da semana prevê mais ruído de Brasília. No sábado, o presidente Bolsonaro usou o Twitter para dizer que levaria ao Senado pedidos de impeachment dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.
  • O presidente também disparou, de seu celular pessoal, um texto falando em convocação de seus apoiadores para o Sete de Setembro, pregando o “provável contragolpe”. Segundo o portal Metrópoles, o texto foi distribuído a um grupo em que estão ministros. Não é possível saber se o presidente redigiu a mensagem ou se copiou, colou e reproduziu.
  • Greve de caminhoneiros à vista? No final de semana, circulou muito um áudio do cantor sertanejo Sérgio Reis convocando caminhoneiros para fechar as estradas depois do 7 de Setembro. Lideranças dos grupos mais conhecidos de caminhoneiros se desvincularam da convocação.
  • Inventor do “Lulinha paz e amor” da campanha de 2002, o publicitário baiano Duda Mendonça morreu no hospital Sírio-Libanês em São Paulo. A causa do marqueteiro, que tinha 77 anos, não foi revelada.
  • No domingo, o país registrou 385 mortes por covid-19. A média móvel de sete dias é de 860 óbitos. Houve queda de 11% em relação à semana anterior. Desde o ano passado, a doença já matou 569.218 pessoas no país.
  • São Paulo é a primeira capital brasileira a se aproximar de 99% da população adulta com pelo menos uma dose da vacina contra o covid-19. A Virada da Vacina levou aos postos de saúde mais de 471 mil pessoas aos postos de saúde. Foco agora é completar a imunização.

Manchetes dos jornais

  • Para ministros do Supremo, ofensiva de Bolsonaro no Senado não vai prosperar (Valor)
  • Doria multiplica repasse de verba política e gasta até com deputado federal (Folha de S.Paulo)
  • Senadores indicam veto às coligações proporcionais e contrariam deputados (O Globo)
  • Empréstimo a microempresas encolhe apesar da expansão do crédito no País (O Estado de S.Paulo)
  • Fear Spreads in Kabul as Taliban Take Charge (New York Times)
  • Three Killed in Kabul Airport as Afghans Scramble to Escape Taliban (Wall Street Journal)
  • Reports of fatalities, chaos at Kabul airport amid scramble to flee country (Washington Post)

Enquanto você dormia

Na Bloomberg Línea

Durante a semana, o foco dos investidores no exterior será a Ata do Federal Reserve, que será divulgada na quarta-feira (18), e os dados da economia chinesa, divulgados nesta madrugada e que devem impactar as negociações. Alguns indicadores da Europa também ficam no radar.

Agenda do dia

  • Balanço pré-mercado: Grupo Pardini, Méliuz e Ânima
  • Balanço pós-mercado: BRB, Boa Vista, Cruzeiro do Sul, Desktop, Gafisa, PetroReconcavo, GetNinjas, Espaçolaser, Hidrovias do Brasil, Jalles Machado, Yduqs, Mosaico, Cemig, IRB Brasil, Bemobi e Dommo Energia.
  • Indicadores: IPC-S (7h), Pesquisa Focus (8h25), Balança Comercial Semanal (14h).
  • Indicadores EUA: Índice Empire State de Atividade Industrial (9h30)
  • Jair Bolsonaro: Reuniões com Pedro Cesar Sousa, Subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência; com Mario Frias, Secretário Especial de Cultura do Ministério do Turismo; com Ciro Nogueira, Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência.
  • Paulo Guedes (Economia): Reunião com o secretário especial da Receita Federal, José Tostes.
  • Roberto Campos Neto (BC): Reunião, por videoconferência, com representantes da Valor Capital Group LLC.

Pra não ficar de fora

Caos no aeroporto de Cabul, capital do Afeganistãodfd

Ao menos cinco pessoas teriam morrido durante a confusão que tomou conta do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, em meio às tentativas desesperadas de parte da população de fugir do país após a tomada de controle pelo Talibã.

Vista aérea do porto de Ningbo, na Chinadfd

O porto chinês de Ningbo-Zhoushan, o terceiro mais movimentado do mundo, permaneceu parcialmente fechado nesta segunda-feira (16), pelo sexto dia consecutivo, aumentando os receios de que a interrupção possa causar efeitos de larga escala no comércio marítimo internacional.


Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.

PUBLICIDADE