Bloomberg Línea (Las Vegas) — Não há mundo sem inteligência artificial (IA). Essa foi a mensagem dos titãs da tecnologia que passaram em Las Vegas, nos Estados Unidos, na edição 2026 da Consumer Electronics Show (CES), maior feira mundial do setor.
Enquanto o mercado se questiona sobre uma possível bolha, líderes empresariais buscaram mostrar que há um mundo em transformação e uma demanda crescente por produtos de IA.
“Embora o ritmo e a velocidade da inovação em IA tenham sido incríveis nos últimos anos, o meu tema para hoje à noite é que vocês ainda não viram nada. Estamos apenas começando a perceber o verdadeiro poder da IA”, afirmou Lisa Su, CEO da AMD (Advanced Micro Devices) no discurso de abertura da fabricante de chips.
Segundo a executiva, “IA é a tecnologia mais importante dos últimos 50 anos” e é a prioridade número um da companhia.
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O otimismo acompanha projeções de que, em cinco anos, 5 bilhões de pessoas serão usuários ativos de ferramentas de IA - o número atual está em 1 bilhão.
Na CES, a AMD na CES anunciou produtos como as novas GPUs de data center MI455X e o processador Ryzen 7 9850X3D. E a plataforma de rack Helios, desenhada para oferecer eficiência e oferecer escalas de trabalho de “IA de próxima geração” e atender a crescente demanda por computação.
Líder da Nvidia, Jensen Huang seguiu na mesma linha de otimismo com a tecnologia.
Em entrevista a jornalistas, o CEO da empresa mais valiosa do mundo afirmou que a receita proveniente de chips de data center atuais e futuros até o final de 2026 deve ser superior a meio trilhão de dólares, número que havia antecipado em outubro, ao apresentar os resultados financeiros da companhia.
O executivo evitou fornecer um número exato. “Devemos ter um ano muito bom”, disse. Anúncios como o de um recente do acordo da empresa com a Anthropic, concorrente da OpenAI, bem como potenciais compras da China, podem “aumentar nossas expectativas em relação a esse número”.
Após a liberação do governo Trump para a venda de chips H200 para o país asiático, a companhia comandada por Huang vive um clima de altas expectativas. Do lado ocidental, aguarda os últimos detalhes da licença para comercializar os produtos. O executivo disse que não espera nenhum posicionamento oficial do governo chinês, e sim ordens de compra das empresas locais.
Wall Street projeta atualmente que a Nvidia terá uma receita total de US$ 321,2 bilhões, alta de 57% em 2026. Para 2027, a estimativa é de que a empresa encerrará o ano com mais de US$ 400 bilhões em vendas.
A grande novidade da Nvidia na CES foi o lançamento da plataforma Nvidia Rubin - homenagem à astrônoma Vera Rubin -, composta por seis novos chips projetados para oferecer um supercomputador de IA.
Com o produto, a empresa promete uma redução de até 10 vezes no custo do token de inferência e uma redução de quatro vezes no número de GPUs necessárias para treinar modelos MoE, em relação à plataforma Nvidia Blackwell, a mais avançada atualmente.
“A demanda é realmente alta”, disse Huang, citando a crescente pressão sobre os recursos computacionais existentes. Os chips devem começar a ser implementados no segundo semestre.
Entre os clientes que avançam na estratégia de IA, está a Siemens. Em entrevista à Bloomberg Television, a gigante alemã revelou que está trabalhando com a Nvidia para criar fábricas que serão controladas quase inteiramente por IA, começando nas instalações da Siemens em Erlangen, Alemanha.
“Já estamos implementando passo a passo neste mesmo local a tecnologia de que estávamos falando, o cérebro de IA, o compositor gêmeo digital, o mundo real e a conectividade em tempo real com o que acontece no chão de fábrica”, afirmou Roland Busch, CEO da Siemens.
Para Yuanqing Yang, CEO e chairman da Lenovo, não haverá espaço onde a IA não esteja presente. “Acredito firmemente que IA é um tipo de tecnologia do qual ninguém poderá evitar. Mas IA não irá nos substituir, e sim empoderar cada um de nós para que possamos fazer mais e sermos mais produtivos”, disse.
Segundo o executivo, não existe uma bolha no mercado e a demanda está ainda no começo, diante da curva de crescimento do mercado. À medida em que mais e mais consumidores passem a enxergar valor aos benefícios trazidos pela tecnologia, os receios tendem a se dissipar.
Em seu maior investimento na CES até hoje, a Lenovo apresentou a Qira no espaço de eventos Sphere. A iniciativa é uma plataforma de IA embarcada em todos os produtos da marca e que carrega uma ideia de agente de IA personalizado, que se comunica entre todos os dispositivos da Lenovo, permitindo a conexão entre equipamentos pessoais e profissionais.
O entusiasmo com os avanços da IA ficam mais claros à medida que adentra pelos pavilhões de expositores da CES. A cada passo, aparecem novos produtos que usam a tecnologia para oferecer novas perspectivas de serviços.
De setores como a indústria de acompanhamento, com produtos para crianças e pessoas idosos, a pets, como uma proposta de chinesa Pet Super Smart para análises da saúde dos animais, e beleza, com soluções e produtos para análise e tratamento da pele, a presença da inteligência artificial.
A despeito de todo o otimismo da indústria, do outro lado da mesa os investidores parecem não ter ficado muito empolgados com os anúncios.
Entre as duas líderes nessa corrida, as ações da AMD acumularam perdas superiores a 7% na semana. No caso da Nvidia, os papéis registraram queda de 2,62%. Pode ser um sinal de que, mais do que promessas, os mercados querem começar a enxergar os valores reais sendo entregues.
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