Êxodo na Apple: companhia perde mais pesquisadores de IA e um executivo da Siri

Segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg News, mais profissionais deixaram a empresa para se juntar à Meta e ao Google DeepMind, diante da turbulência na divisão de IA; companhias não comentam

Apple
Por Mark Gurman
31 de Janeiro, 2026 | 04:34 PM

Bloomberg — A Apple perdeu pelo menos mais quatro de seus pesquisadores de inteligência artificial nas últimas semanas, além de um dos principais executivos da Siri, com a equipe indo para empresas como Meta e Google DeepMind.

As últimas saídas incluem Yinfei Yang, Haoxuan You, Bailin Wang e Zirui Wang. Yang saiu para abrir uma nova empresa, enquanto You e Bailin Wang foram para a Meta, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.

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You foi para o braço de pesquisa Superintelligence da Meta, e Bailin Wang está trabalhando na área de recomendações da empresa de Mark Zuckerberg, disseram as fontes.

As saídas revelam uma contínua turbulência na divisão de IA da Apple. A empresa liderada por Tim Cook tem se esforçado para acompanhar seus pares na corrida pela inteligência artificial. E a decisão de terceirizar algumas tecnologias para o Google, da Alphabet, irritou a equipe.

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Nos últimos meses, a Apple (AAPL) sofreu com um êxodo de talentos, especialmente nas linhas de trabalho com inteligência artificial.

No caso de Zirui Wang, o pesquisador se junta ao Google DeepMind, que está ajudando a Apple na construção dos principais modelos de IA que impulsionarão novos recursos. Isso inclui a tecnologia que sustenta uma versão atualizada da assistente de voz Siri, prevista para ser lançada este ano.

Em outro movimento não relatado anteriormente, Stuart Bowers, executivo da Apple, também foi para o Google DeepMind. Ele era um dos executivos mais graduados na Siri.

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Bowers foi um dos principais líderes do fracassado projeto de carro autônomo da Apple, antes de se tornar um dos gerentes encarregados de promover uma guinada no assistente de voz.

No ano passado, o seu escopo foi ampliado, incluindo o desafio de trabalhar nas habilidades da Siri para responder aos usuários. Na nova posição, ele respondia ao novo chefe da Siri, Mike Rockwell.

Os porta-vozes da Apple, Google e Meta não quiseram comentar.

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Os desafios de IA da Apple contribuíram para a queda das ações este ano, mesmo com as vendas da empresa atingindo novos patamares. Na quinta-feira, a fabricante divulgou lucros recordes, incluindo mais de US$ 85 bilhões em vendas do iPhone.

Ainda assim, a falta de avanços convincentes em IA e a contínua fuga dos principais talentos se mantêm como um obstáculo significativo.

As deserções ocorrem após uma grande reorganização dos esforços de IA da Apple no ano passado. Cook dispensou o chefe de IA de longa data John Giannandrea de suas funções e passou a responsabilidade para o chefe de software Craig Federighi.

A Apple também contratou Amar Subramanya, ex-executivo de IA do Google e da Microsoft para supervisionar partes da organização.

As recentes saídas vieram da equipe de Modelos de Fundação da Apple, ou AFM, que desenvolve a tecnologia subjacente por trás da plataforma Apple Intelligence. O grupo tem enfrentado uma cobrança crescente após repetidos atrasos na nova Siri e uma recepção silenciosa aos atuais recursos de IA da Apple. Durante o verão nos EUA, a equipe perdeu o antigo líder, Ruoming Pang, para a Meta. Agora, ela é dirigida por Zhifeng Chen, pesquisador de IA.

Até o final do ano passado, a equipe AFM era supervisionada pela ex-executiva do Google, Daphne Luong. Ela foi afastada ao lado de Giannandrea e permanece na Apple, reportando-se a ele, sem responsabilidades operacionais. Chen e as equipes de pesquisa e testes de IA da Apple agora se reportam a Subramanya.

A empresa prepara duas novas versões da Siri. Uma delas é uma atualização de curto prazo que utilizará dados pessoais para responder a consultas. A outra é uma revisão mais ambiciosa para o final deste ano, construída em torno de uma interface no estilo de chatbot.

Ambas as versões serão executadas em uma nova arquitetura alimentada por modelos desenvolvidos pela equipe do Google. A Apple perdeu bem mais de uma dúzia de pesquisadores de IA nos últimos seis meses, com muitas saídas decorrentes da decisão de terceirizar parte de sua tecnologia.

Quando perguntado na quinta-feira por que a Apple optou por usar o Google, Cook disse que ele forneceria “a base mais capaz” para os modelos de IA da Apple.

“Acreditamos que podemos desbloquear muitas experiências e inovar de uma maneira fundamental devido à colaboração”, disse ele durante uma teleconferência com analistas.

A empresa continua a confiar em seus próprios modelos para os recursos do Apple Intelligence no dispositivo. E é improvável que dependa de parceiros externos indefinidamente, dados os riscos competitivos da corrida pela IA e a necessidade de oferecer uma experiência única.

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