Rivio atrai Positive Ventures para melhorar a gestão de hospitais com uso de IA

Fundada há oito meses, a startups atua em mais de 80 unidades hospitalares no Brasil, com receita contratada acima de R$ 100 milhões. Plano com novo capital de impacto é avançar na tecnologia, contam os fundadores Silvio Frison e Ricardo Salles

No seu modelo de negócio, a Rivio assume a gestão financeira e administrativa de hospitais e garante a receita dos estabelecimentos, mesmo em caso de inadimplência por planos de saúde
04 de Fevereiro, 2026 | 08:51 AM

Bloomberg Línea — A Rivio, startup brasileira que utiliza inteligência artificial para aumentar a eficiência da operação de hospitais, recebeu aporte de US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) da Positive Ventures, fundo de venture capital focado em projetos de impacto.

O investimento vem apenas dois meses após a empresa ter anunciado uma rodada de US$ 20 milhões em dezembro de 2025.

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Fundada há pouco mais de oito meses meses pelos empreendedores Silvio Frison e Ricardo Salles, a Rivio já opera em mais de 80 unidades hospitalares no Brasil, com uma receita contratada que ultrapassa R$ 100 milhões.

A startup diz que consegue aumentar a eficiência hospitalar entre 4% e 5% no curto prazo, impacto que pode chegar à faixa de 8% a 10% em alguns casos.

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Salles é ex-executivo da General Atlantic (GA) e um dos co-fundadores da Isaac, adquirida pela Arco Educação pelo valor de R$ 150 milhões em 2022.

Frison criou a Busca Carros, vendida para a WebMotors, e desenvolveu a vertical de score do consumidor no Serasa.

Pelo modelo de negócio, a Rivio assume a gestão financeira e administrativa de hospitais que são clientes e garante a receita dos estabelecimentos, mesmo em caso de inadimplência pelos planos de saúde.

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Trata-se de um formato similar ao empregado pela Isaac na educação.

A remuneração vem de um “take rate” (comissão) sobre o faturamento total do hospital.

Diferentemente da rodada anterior, que contou com Valor Capital e Monashees, além da Endeavor Catalyst, o aporte da Positive Ventures tem um viés estratégico voltado para impacto social.

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Segundo Fabio Kestenbaum, um dos fundadores da Positive Ventures, a escolha pela Rivio se baseou na premissa de que a tecnologia pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal.

“Você pode usar inteligência artificial para propagar fake news ou para melhorar a gestão hospitalar e salvar vidas. O meio é o mesmo, o impacto é radicalmente diferente”, afirmou.

O investimento na Rivio é um dos maiores cheques já emitidos pela Positive Ventures, ao lado dos que fora, destinados a empresas como Eu Reciclo e Labi Saúde.

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O recurso provém do segundo fundo da Positive Ventures, que levantou US$ 25 milhões (cerca de R$ 130 milhões) em 2023 e já realizou 23 investimentos, com forte exposição a ativos que usam inteligência artificial em setores essenciais para a sociedade, como saúde, educação e serviços financeiros.

“Nós temos muita convicção no time da Rivio, na capacidade de execução do Silvio e do Ricardo, e nessa intencionalidade de impacto, que para nós é fundamental”, disse Kestenbaum.

Impacto da ferramenta com IA

A Rivio atua no ciclo completo da receita hospitalar, desde o cadastro do paciente até a reconciliação pós-faturamento.

A plataforma utiliza agentes de inteligência artificial para identificar inconsistências que geram perdas financeiras aos hospitais, desde medicamentos que não são lançados no sistema a procedimentos não realizados e que podem levar à glosa, ou contestação do pagamento por operadoras de saúde.

“O nosso objetivo estratégico é utilizar inteligência artificial para deixar os hospitais mais eficientes”, afirmou Frison. Nesse curto período de vida, a startup transacionou mais de R$ 3 bilhões por sua plataforma.

“Pelos nossos números, a ferramenta mostra que em duas semanas nós já conseguimos entender em que frentes da operação o hospital está deixando dinheiro na mesa e então agregar valor nisso. Essa é uma curva que aumenta à medida que avançamos na gestão do hospital”, disse o CEO.

Um levantamento da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), divulgado em 2025, apontou que as operadoras de planos de saúde retiveram R$ 5,8 bilhões de 85 hospitais privados em 2024.

O número correspondeu a 15,89% dos pagamentos esperados e representou uma alta de quatro pontos percentuais em relação ao ano de 2023. Os dados de 2025 ainda não foram divulgados.

Próximos passos

Atualmente com quase 100 funcionários divididos entre São Paulo e Blumenau, a Rivio tem planos de expandir para outros países da América Latina, com Colômbia e Argentina como alvos prioritários.

No entanto a decisão estratégica do conselho de administração é focar primeiro no mercado brasileiro.

“Neste momento, nós queremos resolver o Brasil antes de ir para o restante da América Latina. Sabemos que existe uma janela de oportunidade e que pessoas estão copiando a Rivio em outros países, mas achamos melhor tornar os hospitais brasileiros mais eficientes primeiro”, disse Frison.

Com valuation atual de aproximadamente R$ 500 milhões, a startup pretende utilizar os recursos captados principalmente em duas frentes: desenvolvimento de IA e contratação de pessoas para a prestação de serviços.

“A Rivio não existiria dois anos atrás porque não havia IA [generativa em larga escala]. Sem inteligência artificial, a quantidade de informações do hospital é impossível de ser gerenciada com seres humanos”, disse o CEO.

A Positive Ventures também promete conectar as lideranças da Rivio com investidores de impacto nos Estados Unidos e na Europa, além de estabelecer KPIs (indicadores-chave de performance) de impacto social e ajudar a empresa a reportar métricas que demonstrem a evolução do sistema de saúde brasileiro.

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