Bloomberg Línea — A Monashees tem avançado com a sua estratégia para impulsionar negócios baseados em inteligência artificial (IA) no Brasil e na América Latina que tenham uma escala global. Como parte do movimento, a gestora de venture capital decidiu abrir a Gama House, uma casa dedicada a empreendedores no segmento de IA na cidade de São Paulo.
Construído como uma associação sem fins lucrativos, o projeto tem como mantenedores âncoras a própria gestora de venture capital, o Google For Startups e a B3.
O espaço, localizado no edifício Gabriel 1825, abre as portas na próxima terça-feira (1º) e funcionará como um ambiente de aproximação com jovens empreendedores que pretendem criar negócios de IA.
Recentemente, a empresa anunciou o Gama Fund, um fundo de US$ 10 milhões em parceria com o Google para aportar US$ 2 milhões para cada uma das cinco startups de IA selecionadas no projeto.
Entre as novas iniciativas sob a marca Gama, está ainda o Gama Summit, previsto para ser realizado em outubro na Califórnia, onde a Monashees abriu um escritório nos últimos meses.
“Tem um monte de empresas que estão começando na América Latina e virando empresas globais ou empresas globais construídas por empreendedores latino-americanos, o que mostra que estamos num jogo global”, afirmou o sócio e fundador Eric Archer, em entrevista à Bloomberg Línea. “O Gama House, o Gama Fund e o Gama Summit são maneiras de influenciarmos e criarmos esse movimento”.
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O novo local é mais um passo na estratégia da gestora para acompanhar de perto as mudanças na indústria de venture capital. Diferentemente de hubs que reúnem startups de diferentes áreas, a proposta é reunir empresas de tecnologia nativas de IA, trazendo empreendedores, fomentando o networking e atraindo comunidades para programas de parceiros.
A Monashees não descarta a abertura de novos endereços em outros países na região, em linha com a tese “global Latam”. Hoje, além de São Paulo, a gestora tem escritórios no México e na Califórnia, conforme divulgado em primeira mão pela Bloomberg Línea.
A Gama House está uma área de cerca de 1.000 metros quadrados, que abriga a musictech Moises e a própria Monashees, que mudou de endereço após 20 anos na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, área de escritórios da zona sul de São Paulo.
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Segundo Archer, um dos pioneiros da indústria de venture capital no Brasil com a fundação da Monashees em 2005, a criação da marca “Gama” busca mostrar neutralidade dentro de uma concepção de que o “global latam” e as oportunidades com a inteligência artificial vão além dos limites da Monashees.
“Nós e a indústria vamos nos beneficiar de criar uma marca neutra chamada Gama, para poder concentrar e unir a indústria inteira em volta do global LatAm”, diz. “Começamos esse movimento, estamos intrinsecamente ligados a ele, o influenciamos, mas acreditamos que uma marca neutra pode abrir mais portas para parcerias, inclusive com outros fundos locais e internacionais.”
A criação de uma nova marca também abriu as portas e facilitou as conversas com outros negócios do mercado e parceiros. “Hoje, a Gama consegue explorar esse ângulo único de ter parceiros super relevantes, que também são aspiracionais e inspiracionais para o empreendedor em tecnologia”, afirma Jan Kishi Diniz, head de jornada dos fundadores na Monashees.
Nos próximos meses, o projeto deve contar com um comitê estratégico, com especialistas que possam contribuir para que a oportunidade presente neste momento se transforme em uma realidade de fato.
A terceira onda
A escolha do nome “Gama”, a terceira letra do alfabeto grego, é uma referência à visão de que o ambiente de inovação na América Latina passa por sua terceira fase, quando negócios como as brasileiras Enter, Tractian e a Moises, além da americana Vercel, do argentino Guillermo Rauch, começam a ocupar espaços antes restritos.
A primeira onda, no começo do século, ficou caracterizada pela criação de infraestrutura e pelo surgimento de copycats, adaptação de modelos de negócios consolidados nos Estados Unidos ou Europa para o mercado brasileiro.
Na sequência, veio o nascimento das primeiras startups de classe mundial, cujos maiores expoentes são cases como Nubank e 99, focadas no consumo e nos problemas regionais.
No novo momento, impulsionado por inteligência artificial, o modelo das gestoras tem sido desafiado e não há espaço para esperar, de acordo com Archer.
“O crescimento da receita e a visibilidade das startups mais vencedoras acontecem muito mais cedo, até antes do seed. O nosso movimento todo com o Gama Fund, Gama House e, principalmente, com o Shiva, foi para garantir que tenhamos um first look bem no começo das empresas de AI-first para nos posicionarmos cedo, antes que os valuations fiquem naturalmente muito altos”, diz.
Entre os principais parceiros, o Google for Startups pretende disponibilizar US$ 350 mil de créditos na nuvem do Google para uso do Gemini e soluções Google Cloud, além de oferecer suporte técnico aos fundadores que ingressarem na Gama House. O Google Cloud Challenge, programa de aceleração para fundadores AI-first, passará a ter o espaço como residência fixa.
O objetivo da B3 é estar próxima às inovações e projetos que podem sair desse novo ambiente. A Gama House também é apoiada pela Shiva, startup que captou US$ 10 milhões em rodada pré-seed liderada pela Monashees para ajudar outras startups a criarem negócios do zero usando inteligência artificial. Completam a lista de patrocinadores iniciais a Notion e a Stripe.
Os valores investidos para colocar o projeto da Gama House de pé não foram revelados. As negociações para a chegada de novos parceiros continuam ativas.
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