Vorcaro assina acordo de colaboração com a PGR e a Polícia Federal, diz fonte

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela Bloomberg News, depoimento do banqueiro pode implicar funcionários de alto escalão do governo e membros do Fundo Garantidor de Créditos; defesa de Vorcaro e autoridades não comentam

Banqueiro deve detalhar o funcionamento interno do que as autoridades descrevem como um império fraudulento que teria afetado cerca de R$ 50 bilhões do FGC (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Rachel Gamarski - Martha Beck
20 de Março, 2026 | 02:05 PM

Bloomberg — Daniel Vorcaro, o banqueiro no centro de uma investigação sobre suposta fraude no falido Banco Master, firmou um acordo de colaboração com as autoridades federais que deve expandir significativamente o escopo da investigação, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela Bloomberg News.

O acordo envolve tanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) quanto a Polícia Federal, disse a fonte, acrescentando que o depoimento de Vorcaro pode implicar uma ampla gama de indivíduos, incluindo funcionários de alto escalão do governo e membros do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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Sob o acordo assinado, Vorcaro detalhará o funcionamento interno do que as autoridades descrevem como um império fraudulento que teria afetado cerca de R$ 50 bilhões do FGC. Como parte do processo, ele deve fornecer datas específicas, documentação e descrições dos procedimentos usados para a coordenação com agentes públicos, afirmou a fonte, solicitando anonimato para discutir processos judiciais sigilosos.

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A defesa de Vorcaro, a Polícia Federal, a PGR e o FGC não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

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As negociações para o acordo começaram logo após a prisão inicial de Vorcaro em novembro, disse a fonte. Vorcaro foi detido pela segunda vez em 4 de março, após as autoridades citarem riscos de que ele pudesse interferir nas investigações em curso sobre o banco, bem como evidências de que teria ameaçado um ex-funcionário e um jornalista.

Vorcaro nega qualquer irregularidade no caso.

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Sua equipe jurídica está agora negociando os termos após a sua custódia na superintendência da Polícia Federal, o que poderia incluir o uso de tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar como parte de um acordo final, segundo a fonte, que acrescentou que Vorcaro expressou frustração com a segunda prisão, visto que as conversas já estavam em andamento.

Assim que os depoimentos forem concluídos, a Polícia Federal enviará o que for descoberto ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, para revisão final e homologação.

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