Stone aprova recompra de ações de até R$ 1 bilhão após ampliar o caixa

Programa para aquisição de papéis é o segundo desde outubro e ocorre após a empresa registrar crescimento de 109% do lucro líquido no terceiro trimestre

Las acciones caen mientras las preocupaciones económicas y bancarias elevan los bonos
14 de Novembro, 2023 | 10:46 PM

Bloomberg Línea — A Stone (STNE) informou nesta terça-feira (14) que autorizou um programa de recompra de ações, em que a empresa poderá adquirir até R$ 1 bilhão em ações ordinárias Classe A em circulação na Nasdaq. Após o anúncio, os papeis da fintech subiram 2,41% no after-hours em Nova York depois de encerrar o pregão com alta de 6,20%.

Segundo comunicado, o novo programa de recompra de ações substitui o anterior anunciado pela Stone em outubro. Na época, a Stone recomprou um total de 5.733.740 ações a um preço médio de US$ 10,29 por ação, totalizando US$ 59,0 milhões.

Entre as empresas brasileiras listadas no exterior, a VTEX (VTEX) também anunciou recentemente um programa de recompra.

LEIA +
Nubank supera estimativas e vê condições de continuar a expandir o crédito

A iniciativa da Stone não tem data de vencimento fixa e as recompras de ações podem ser realizadas ocasionalmente por meio de transações de mercado aberto, block trade, transações negociadas privadamente ou de outra forma, e estão sujeitas a condições de mercado e de negócios, níveis de liquidez disponíveis, requisitos de caixa para outros fins, regulamentação e outros fatores relevantes.

PUBLICIDADE

Em teleconferência com analistas para comentar os resultados do terceiro trimestre nos últimos dias, o diretor financeiro e diretor de relações com investidores, Mateus Scherer, disse que, ao analisar o desempenho, “podemos observar que a empresa está gerando fluxos de caixa robustos”.

“Geramos R$ 530 milhões em caixa líquido neste trimestre, mesmo após aumentar a carteira de crédito e também após investir para o crescimento futuro. À medida que nosso negócio evolui, esperamos que nossa rentabilidade continue a aumentar, o que deverá impulsionar ainda mais a geração de caixa”, disse.

Por isso, segundo o executivo, a decisão de como esse dinheiro será alocado “está se tornando cada vez mais importante”.

PUBLICIDADE

O anúncio ocorre após a Stone informar um resultado do terceiro trimestre acima do guidance e dos valores estimados por analistas. A empresa atingiu lucro líquido de R$ 411,3 milhões, o que representa um aumento de 109% em relação ao mesmo período do ano passado e de 34% sobre o trimestre anterior.

“Nos últimos trimestres, nossa decisão foi basicamente reinvestir a maior parte desse excedente na estruturação de nosso capital. E ao olhar para o futuro, ainda vemos muitas oportunidades para reinvestir no negócio em geral”, afirmou Scherer, da Stone.

“Assim, mesmo quando expandimos o negócio de crédito ou as soluções bancárias, ainda há espaço para direcionar recursos para isso. Mas, sempre que sentimos que há uma boa oportunidade de alocar o excesso de dinheiro, por exemplo, para recompras, certamente avaliaremos essa opção. É uma opção que estamos constantemente avaliando aqui.”

Uma empresa pode optar por recomprar suas próprias ações como um sinal de confiança por parte da administração na saúde e no desempenho futuro da empresa ou para aproveitar oportunidades de mercado, se as ações da empresa estiverem sendo negociadas a um preço considerado abaixo do valor intrínseco.

Outra possibilidade é melhorar o gestão de capital, já que as recompras de ações podem ser uma maneira eficaz de devolver dinheiro aos acionistas, especialmente quando a empresa tem excesso de caixa e não vê oportunidades de investimento atraentes em seu próprio negócio.

Leia também

Stone e PagSeguro valem 90% menos após Pix e aumento de concorrência

PUBLICIDADE

Queremos estar prontos para a volta do apetite do investidor, diz Landers, do BTG

Magazine Luiza: falha de R$ 829 mi na contabilidade gera incerteza, dizem analistas

JBS: dupla listagem com ações nos EUA deve levar mais tempo do que o esperado

Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups