Bloomberg Línea — A Smart Fit busca expandir sua marca de luxo Bio Ritmo na América Latina, à medida que aumenta a demanda por esses serviços por parte de usuários de alta renda, disse à Bloomberg Línea Camilo Sarasti, gerente nacional da rede de academias para a Colômbia, Costa Rica e Panamá.
Sarasti disse que a expansão da rede de academias premium do grupo brasileiro deve começar pelo Chile, onde será inaugurada a segunda unidade da marca.
Colômbia e Costa Rica são outros mercados escolhidos para a abertura de sedes da Bio Ritmo, mas isso dependerá da localização adequada.
Para abrir uma unidade, é necessário um local muito específico, localizado em áreas privilegiadas das cidades, com amplos estacionamentos e uma área de cerca de 1.700 metros quadrados.
O investimento estimado ultrapassa US$ 1,5 milhão, o que torna a seleção do espaço um desafio fundamental. “Esperamos que surja a oportunidade de abrir a Bio Ritmo”, disse o executivo.
No Panamá, a rede Bio Ritmo já está em operação e, como referência, a tarifa é 3,3 vezes mais cara do que a tradicional.
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No entanto, Sarasti afirma que se trata de um nicho de usuários que está disposto a pagar mais e que prefere a exclusividade.
“É um modelo de academia de alta qualidade, com um preço mais elevado, mas também com um maior grau de personalização”, afirmou.
Ele explicou que essa rede conta com equipamentos de alta qualidade, acabamentos diferentes do formato tradicional, uma oferta diferenciada de aulas e altos padrões de serviço.
De acordo com um relatório da consultoria americana Bain & Company, os gastos mundiais em bens e serviços de luxo permaneceram praticamente estáveis em 2025, em € 1,44 trilhão (cerca de US$ 1,71 trilhão).
“A relativa estabilidade ocorre apesar dos ventos contrários decorrentes das incertezas econômicas e geopolíticas”.
A Bain & Company estima que o mercado de luxo crescerá a uma taxa de 4% a 6% na próxima década, devido à “expansão da base de consumidores e ao apetite persistente”.
Expansão da marca
A Smart Fit, por sua vez, se prepara para continuar sua expansão regional após reportar um lucro líquido de R$ 507 milhões entre janeiro e setembro de 2025, um aumento de 33% em relação ao mesmo período de 2024.
A rede de academias fundada em 2009 no Brasil acaba de atingir 2.000 unidades nos 16 países em que opera (15 na América Latina e Marrocos).
Atualmente, é considerada a quarta maior rede de academias do mundo e a principal da América Latina.
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Até setembro do ano passado, a rede totalizou cerca de 5,2 milhões de clientes, um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Sarasti explicou que o modelo operacional varia de acordo com o país, e combina unidades próprias e franquias.
Além da Bio Ritmo, o grupo opera estúdios especializados franqueados em pilates, funcional e ciclismo.
Mercado em crescimento
Sobre o ritmo de expansão, Sarasti explicou que um dos principais motores de crescimento é a baixa penetração do mercado fitness em países como a Colômbia.
Enquanto nos Estados Unidos entre 20% e 25% da população frequenta academias, na Colômbia esse número é de apenas 4%, no Brasil de 5% e na Argentina de 8%, de acordo com cálculos fornecidos pela Smart Fit.
O executivo disse que isso abre uma oportunidade significativa de expansão para a empresa brasileira.
Na Colômbia, a Smart Fit conta atualmente com 225 unidades e o plano é abrir entre 20 e 30 novas unidades adicionais até 2026. Na Costa Rica e no Panamá, o plano da Smart Fit prevê até quatro novas inaugurações no total, uma vez que são mercados menores e com maior nível de saturação relativa.
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Em relação à América Central, ele destacou que a Smart Fit opera sob franquia em Honduras, Guatemala e El Salvador, e que continuará crescendo nesses mercados. No Caribe, a empresa possui franquias na República Dominicana.
“Na operação direta, por enquanto, o foco está principalmente na Colômbia e na Argentina, onde há uma grande oportunidade de crescimento”, destacou Sarasti.
Na Argentina, ele observou que eles ainda são relativamente pequenos em termos de participação no mercado, por isso considerou que uma parte importante do crescimento da Smart Fit virá desse país nos próximos anos.
Sobre a Venezuela, ele indicou que não há planos concretos por enquanto, embora tenha reconhecido que “é um mercado muito atraente” que continua sob observação, dependendo da evolução econômica e política.
Na sexta-feira (30), as ações da Smart Fit na Bolsa de São Paulo, onde estreou em 2021, eram negociadas a R$ 22,52, com um avanço de 2,88%. Em meados deste mês, o Citi fixou um preço-alvo de R$ 35 por ação para a empresa.








