Bloomberg Línea — O Santander Brasil (SANB11) foi o primeiro dos grandes bancos que operam no Brasil a apresentar seu balanço do quarto trimestre e do ano fechado de 2025, com um resultado em linha ao esperado pelo mercado.
A operação brasileira do banco espanhol registrou lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025 – uma alta de 5,2% na base anual e de 1,9% frente ao terceiro trimestre.
O número ficou dentro da expectativa de R$ 4,09 bilhões estimada pelo consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
No acumulado do ano, o lucro líquido do Santander somou R$ 15,61 bilhões, 13,8% acima do resultado de 2024.
O ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), principal métrica de rentabilidade dos bancos, continuou a trajetória de recuperação e subiu pelo segundo trimestre consecutivo - em reversão às duas quedas trimestrais anteriores.
O indicador ficou em 17,6% no quarto trimestre, estável em 12 meses e com leve avanço de 0,02 ponto percentual (p.p.) frente ao trimestre anterior.
O CEO do Santander Brasil, Mario Leão, voltou a ressaltar o desafio do cenário macroeconômico e reforçou a ambição de crescimento do ROAE “com foco em resultados e disciplina na gestão”.
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A margem financeira bruta, por sua vez, teve recuo de 4% na comparação anual, somando R$ 15,332 bilhões, impactada pela margem com o mercado. Em base trimestral, o indicador teve baixa de 0,8%.
A margem financeira com o mercado ficou negativa em R$ 1,48 bilhão, revertendo ganho de R$ 198 milhões no ano anterior. Segundo o banco, o indicador foi impactado pela sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros.
O saldo final foi novamente parcialmente equilibrado pela margem financeira com clientes, que, por sua vez, foi “beneficiada principalmente por volume, mix e disciplina de preço, contribuindo para o aumento do spread”, segundo o CFO Gustavo Alejo. O indicador somou R$ 16,82 bilhões, alta de 6,6% na comparação anual.
As despesas totais somaram R$ 6,63 bilhões, queda de 2,09% em 12 meses e avanço de 3,3% contra o terceiro trimestre deste ano. A alta, segundo o banco, se deve à sazonalidade de final de ano.
Crédito e inadimplência
A carteira ampliada de crédito ampliada atingiu R$ 708,2 bilhões. O valor representou crescimento de 3,7% na comparação anual e de 2,8% em relação ao trimestre anterior.
“No quarto trimestre, mantivemos o rigor na alocação de capital, com crescimento seletivo e equilibrado de nossos ativos. A qualidade de crédito permanece pressionada pelo contexto macroeconômico, mas seguimos atuando com prudência, disciplina e gestão ativa de riscos”, afirmou Leão em nota à imprensa.
A inadimplência longa, acima de 90 dias, ficou em 0,5%, avanço de 0,1 p.p. na comparação anual, e de 0,3 p.p. frente ao terceiro trimestre, “especialmente em pessoa física nas faixas de menor renda e, em pessoa jurídica, nas empresas de menor faturamento”.
Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) subiram para R$ 6,105 bilhões: alta de 2,9% em 12 meses. Frente ao último trimestre, no entanto, o indicador recuou 6,4%.
“Com relação às provisões, observamos um desempenho melhor em relação ao trimestre anterior, refletindo principalmente a aceleração do reforço de cobertura ao longo do ano e a ausência de efeitos pontuais relevantes, como casos específicos no atacado”, reforçou o CFO em comunicado ao mercado.
Na véspera, as ações do Santander Brasil (SANB11) caíram 2,39% após a matriz espanhola ter divulgado o seu resultado antes do esperado.
Segundo o balanço publicado na tarde de terça-feira (3), a operação brasileira do banco alcançou 579 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,58 bilhões) no lucro atribuído aos acionistas controladores no período.
O número divulgado não segue o mesmo padrão BR GAAP usado localmente pelos bancos brasileiros, mas sinalizava para onde deveria apontar o balanço desta quarta-feira.
No acumulado do ano, as units sobem 6,55%, contra alta de 15,66% do Ibovespa.
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