Bloomberg — A forte queda das ações da Pop Mart não dá sinais de trégua, à medida que aumenta o ceticismo do mercado sobre a sustentabilidade do crescimento impulsionado pelo sucesso do Labubu.
Os papéis acumulam recuo de mais de 30% em cinco sessões até terça-feira, após a divulgação de resultados que evidenciaram maior dependência do personagem. Desde o pico registrado em agosto, a queda já se aproxima de 60%, com cerca de US$ 33 bilhões em valor de mercado eliminados.
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O balanço recente deteriorou o sentimento dos investidores. Cortes em preços-alvo, aumento de posições vendidas e a continuidade da queda mesmo após recompras de ações reforçam dúvidas sobre a capacidade da companhia de replicar o desempenho do Labubu com outras franquias.

“Não achamos que o mercado tenha levado totalmente em conta um cenário de longo ciclo de baixa com margens muito menores”, disse Sammi Xu, analista do Deutsche Bank, que rebaixou a recomendação do papel. Segundo ela, enfraquecimento das vendas na China e no exterior, estoques elevados e revisões negativas de lucros estão entre os principais fatores de pressão.
O sucesso global do Labubu — que impulsionou as ações em cerca de 300% desde o início de 2025 até o pico — também elevou as preocupações sobre a durabilidade da tendência. A linha Monsters, liderada pelo personagem, respondeu por cerca de 40% da receita no ano passado, ante 23% no ano anterior, enquanto outros produtos, como Crybaby e Molly, tiveram desempenho abaixo do esperado.
Ao mesmo tempo, os estoques aumentaram, com os dias de giro subindo 21%, para 123 dias ao fim de 2025. A empresa atribui o avanço a prazos logísticos mais longos, expansão internacional e maior número de lojas.
Nem mesmo valuations mais baixos e recompras têm sido suficientes para sustentar as ações. Os papéis são negociados a cerca de 10,3 vezes o lucro projetado, bem abaixo da média histórica de três anos, de 24 vezes.
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“O que diferenciava a Pop Mart era a narrativa — seja o Labubu ou o próximo sucesso global —, mas essa história agora parece incerta”, disse Angus Lee, gestor da Sparx Group, que zerou sua posição após os resultados.
Para recuperar a confiança do mercado, a empresa precisará provar que consegue sustentar a popularidade de suas principais marcas e lançar novos sucessos. Enquanto isso, investidores aumentam apostas na queda: posições vendidas cresceram e o volume de opções pessimistas atingiu recordes recentes.
“O mercado subestima os desafios à frente”, disse Melinda Hu, da Bernstein. Segundo ela, sinais de desaceleração, normalização de margens e possível fadiga das marcas podem levar a uma compressão adicional dos múltiplos e novas revisões negativas de lucros.

A empresa tem acelerado o lançamento de novos personagens, como Skullpanda e Twinkle Twinkle, com coleções e séries que combinam diferentes propriedades intelectuais.
Ao mesmo tempo, busca ampliar o alcance global do Labubu por meio de colaborações com marcas como a Sanrio e iniciativas ligadas à Copa do Mundo da FIFA, além de um filme de animação em parceria com a Sony Pictures.
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Mesmo assim, as ações seguem pressionadas e caíram 2,4% na quinta-feira, após leve alta na véspera.
O movimento reflete o aumento do pessimismo dos investidores: posições vendidas cresceram, com 123 milhões de ações alugadas — alta de 16% desde a divulgação dos resultados — e o volume de apostas na queda atingiu recorde recente.
“O mercado subestima os desafios que estão por vir”, disse Melinda Hu, analista da Bernstein. Segundo ela, sinais de desaceleração do crescimento, normalização de margens e possível fadiga das marcas podem levar a uma compressão relevante dos múltiplos e a novas revisões negativas de lucros.
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