Petrobras tem lucro de R$ 110 bi em 2025 com alta da produção e ganhos cambiais

A petroleira apontou o aumento de produção, eficiência operacional e a valorização do real frente ao dólar como fatores que impulsionaram os ganhos no ano passado

Plataforma de petróleo
05 de Março, 2026 | 10:38 PM

Bloomberg Línea — A Petrobras registrou um resultado sólido em 2025 apoiado pelo aumento da produção e por ganhos de eficiência, que ajudaram a estatal brasileira a compensar os efeitos de uma queda dos preços do petróleo Brent no ano passado, antes de a crise no Oriente Médio elevar os futuros da commodity.

O lucro líquido da Petrobras (PETR3, PETR4) atingiu R$ 100,9 bilhões em 2025, queda de 2% sobre o ano anterior, segundo balanço enviado na noite desta quinta-feira (5) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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No critério que considera eventos exclusivos, o resultado do ano foi de R$ 110,1 bilhões, influenciado pelos ganhos com variação cambial, refletindo a valorização do real frente ao dólar, informou a estatal. O desempenho foi 201% maior do que no ano de 2024, quando o lucro líquido com eventos exclusivos foi de R$ 37 bilhões.

“Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional”, disse no documento o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da companhia, Fernando Melgarejo.

Considerando apenas o quarto trimestre, o lucro líquido alcançou R$ 15,56 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17,04 do mesmo período de 2024, mas abaixo da estimativa média de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 19,93 bilhões.

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A petroleira informou ainda que o seu conselho de administração autorizou o encaminhamento de proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos referentes ao exercício do quarto trimestre de 2025.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 230 bilhões no ano passado, alta de 12,6% sobre 2024. No critério ajustado, houve avanço de 10,6%, para R$ 237,1 bilhões.

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No quarto trimestre, o Ebitda ajustado somou R$ 59,92 bilhões, alta de 46% na comparação anual, acima da estimativa de analistas, de R$ 58,78 bilhões.

A receita líquida da estatal somou R$ 497,5 bilhões em 2025, ligeira alta de 1,4% sobre o ano anterior.

A companhia afirmou em relatório que, mesmo diante da queda de 14% no preço do Brent em 2025, o resultado foi sólido em relação ao ano anterior. O desempenho, segundo a Petrobras, foi impulsionado principalmente pela performance operacional, com destaque para o aumento de 11% da produção total de óleo e gás no mesmo período.

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A empresa apontou que o Ebitda foi favorecido no período por maiores vendas de derivados no mercado interno, com destaque para diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV), além da redução das despesas operacionais.

Em 2025, os investimentos da petroleira totalizaram US$ 20,3 bilhões, crescimento de 22,2% em relação a 2024. “Esse montante corresponde a uma realização 9,7% acima do previsto no Plano de Negócios 2025-2029, permanecendo dentro da faixa de variação do guidance divulgado para o ano", afirmou no documento.

Ao final de dezembro, a dívida bruta da Petrobras alcançou US$ 69,8 bilhões, aumento de 15,7% sobre um ano antes. Já a dívida líquida atingiu US$ 60,6 bilhões no ano passado, alta de 16% na mesma base de comparação.

O prazo médio da dívida variou de 12,52 anos, ao final de 2024, para 11,7 anos em dezembro do ano passado. O custo médio passou de 6,8 % a.a. para 6,7% a.a. no mesmo período.

Com isso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre o Ebitda ajustado foi de 1,42 ao final de dezembro, ante 1,29 um ano antes.

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