Oncoclínicas entra com ação cautelar para evitar vencimento antecipado da dívida

Ação busca suspender liminarmente possíveis pedidos de vencimento antecipado, enquanto empresa busca uma solução para a sua crise financeira

Oncoclínicas
13 de Abril, 2026 | 03:21 PM

Bloomberg Línea — A Oncoclínicas (ONCO3) protocolou nesta segunda-feira (13) uma ação de tutela cautelar no Tribunal de Justiça de São Paulo, em mais um capítulo de uma crise financeira que se aprofunda desde o início do ano.

A medida judicial, anunciada em fato relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), tem como objetivo suspender liminarmente o vencimento antecipado das dívidas da companhia e a exigibilidade das obrigações junto às instituições financeiras credoras.

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A Oncoclínicas afirma que permanece operando normalmente e que continua empenhada em manter conversas com seus credores.

Os credores passaram a ter o direito de exigir o pagamento imediato das obrigações depois do descumprimento de covenants financeiros que levou à reclassificação da dívida de longo prazo como passivo circulante.

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A companhia encerrou 2025 com prejuízo líquido consolidado de R$ 3,67 bilhões, o equivalente a R$ 10 milhões por dia, contra perdas de R$ 717 milhões em 2024.

O resultado foi agravado por duas perdas relevantes: R$ 430,9 milhões em aplicações bloqueadas no Banco Master e R$ 861,9 milhões em recebíveis da Unimed do Rio de Janeiro, integralmente provisionados após a operadora deixar de honrar seus pagamentos.

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O Ebitda ajustado recuou aproximadamente 45% na comparação anual. O resultado ficou 40% abaixo do consenso de mercado.

O banco americano JP Morgan, que cobre o papel com recomendação de underweight (abaixo da média do mercado, equivalente a venda) desde antes dessa sequência de eventos, avaliou em relatório publicado no dia 9 de abril que a continuidade dos negócios da Oncoclínicas depende fortemente de ajuda externa.

A principal esperança citada pelos analistas é uma potencial transação com Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3), dois grupos com interesse declarado nos ativos da companhia. O prazo de exclusividade nas negociações terminou no domingo (12).

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Sem esse desfecho, o cenário se torna ainda mais desafiador, e as ações seguem sendo classificadas como caras pelo banco mesmo nesse patamar, a 7 vezes o Ebitda estimado para 2026. Nesta manhã, ONCO3 chegou a subir 8,06% na máxima de R$ 1,34. Por volta das 11h50, estava em R$ 1,27 (+2,42%), acumulando queda de 74,5% em 2026.

A crise também deixou rastros na estrutura de gestão da empresa. Em reunião do conselho de administração realizada em 27 de março, os conselheiros aprovaram por unanimidade a destituição de Eduardo Cesar Alves, que ocupava os cargos de Diretor de Relações com a Indústria e Diretor Comercial.

Na mesma sessão, foram aceitas as renúncias do Diretor de Recursos Humanos e do Diretor de Tecnologia e Informação.

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