Nubank avaliaria retornar à Argentina se a economia melhorar, diz Cristina Junqueira

Em entrevista ao podcast La Estrategia del Día, da Bloomberg Línea no México, executiva diz que gostaria de ver ambiente macro estabilizado para voltar ao país; banco deixou a Argentina em 2019

Cristina Junqueira, co-founder and vice president of branding and business development at NuBank, speaks during an interview in Sao Paulo, Brazil, on Thursday, Feb. 7, 2019. Chinese Tencent has invested $180 million in Nubank, a Sao Paulo-based fintech startup with five million customers and one of the top five credit cards in Brazil.
23 de Janeiro, 2024 | 10:21 AM

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Bloomberg Línea — O Nubank (NU) não descarta reconsiderar um retorno ao mercado argentino caso as condições macroeconômicas do país melhorem, de acordo com Cristina Junqueira, cofundadora e Chief Growth Officer (CGO) do banco digital brasileiro.

“Sim, é um mercado muito grande com muitas pessoas, pessoas que também acredito que gostariam de ter mais opções, melhores serviços, mas é um país complexo para navegar. Então, gostaríamos de ver o ambiente macro mais estabilizado para pensar nisso”, disse ela.

Junqueira compartilhou suas reflexões sobre a ideia de retornar ao mercado argentino em uma entrevista para o podcast ‘La Estrategia del Día’, da equipe da Bloomberg Línea no México.

Braço-direito do CEO global, David Vélez, Junqueira enfatizou especialmente o flagelo da inflação e a necessidade de níveis “mais justos” de preços. Além disso, destacou a importância da estabilidade nas relações entre as instituições-chave do país, como o banco central e o Ministério da Economia.

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A breve incursão do Nubank na Argentina ocorreu em junho de 2019, com a abertura de um escritório em Buenos Aires e a contratação de 12 funcionários. No entanto a fintech deixou o país vizinho pouco tempo depois. A decisão foi definida como uma retirada estratégica para focar no crescimento do Brasil e, posteriormente, do México e da Colômbia.

O valor de mercado do Nubank atualmente ultrapassa os US$ 40 bilhões, permitindo que ele se posicione em 2023 entre os quatro maiores bancos do Brasil. Agora, Junqueira disse que a empresa pode considerar uma nova tentativa no mercado argentino, o terceiro maior país da América Latina em população e Produto Interno Bruto (PIB).

A Argentina, onde operam outros concorrentes como Ualá, Mercado Pago, Brubank e Reba, tem um dos índices de crédito em relação ao PIB mais baixos do mundo.

Chief Growth Officer, Nu Holdingsdfd

No meio de uma inflação galopante em outubro de 2023, os empréstimos em pesos para o setor privado argentino representaram 6% do PIB, em comparação com os 44% da Colômbia em 2022, segundo informações do Banco Central da República Argentina (BCRA) e do Banco Mundial.

“Há muitas mudanças agora na Argentina. Espero que vá para um caminho melhor e que a população tenha mais estabilidade, porque isso é um custo muito, muito grande para a população. Mas o tempo dirá”, disse Junqueira.

A cofundadora do Nubank destacou nesse sentido que, embora a Argentina apresente desafios, a porta não está fechada definitivamente, e a empresa poderia reconsiderar a possibilidade de operar novamente.

“Sim, é possível. Não é impossível”, afirmou Junqueira, deixando aberta a possibilidade de um retorno futuro. No fechamento do terceiro trimestre de 2023, o Nubank contava com 89 milhões de clientes, tendo adicionado 18,7 milhões nos 12 meses até outubro.

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O neobanco também relatou uma receita recorde nesse trimestre, de US$ 2 bilhões, resultando em um lucro líquido de US$ 303 milhões.

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Jimena Tolama

Diretor de notícias do México-Cone Norte da Bloomberg Línea. Jornalista com 10 anos de experiência em mídia empresarial multiplataforma. Ela foi cofundadora e editora-chefe do EL CEO, o que a tornou a mulher mais jovem responsável por um site de economia financeira no México. Apaixonado por criar novas formas de contar histórias.

Francisco Aldaya

Jornalista argentino com 10 anos de experiência. Francisco cobriu o setor financeiro da América Latina na S&P Global Market Intelligence e também trabalhou nas seções de economia e política do Buenos Aires Herald. Ele também contribuiu para o Buenos Aires Times.