Família Batista reorganiza J&F em plano para melhorar acesso ao mercado de dívida

Holding vai incorporar seus negócios em celulose (Eldorado), mineração (LHG Mining) e bens de consumo (Flora) e unificar a gestão financeira para se fortalecer, disse o CEO, Aguinaldo Gomes Ramos Filho, em entrevista à Bloomberg News

Joesley Batista, shareholder at J&F Investimentos, Jose Antonio Batista Costa, chairman of PicPay, Wesley Batista, vice chairman of J&F Investimentos and shareholder at PicPay, Eduardo Chedid, chief executive officer of PicPay, and Anderson Chamon, co-founder and vice president of new businesses at PicPay, left to right, during the company's initial public offering (IPO) at the Nasdaq MarketSite in New York, US, on Thursday, Jan. 29, 2026. Fresh off PicPay's US IPO, the first trading debut for a Brazilian company in more than four years, the fintech’s chief executive officer is bullish on prospects for the country’s economy this year. Photographer: Michael Nagle/Bloomberg
Por Rachel Gamarski
03 de Fevereiro, 2026 | 07:41 PM

Bloomberg — A família Batista está reformulando sua holding J&F para incorporar seus negócios de celulose, mineração e bens de consumo, em uma tentativa de melhorar o acesso aos mercados de dívida e gerenciar suas prioridades com mais agilidade.

A J&F Investimentos retirou o “Investimentos” do nome e vai incorporar a produtora de celulose Eldorado Brasil Celulose, a mineradora LHG Mining e a empresa de cosméticos e higiene pessoal Flora, disse o CEO, Aguinaldo Gomes Ramos Filho, em entrevista à Bloomberg News.

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A gestão operacional de cada empresa segue sendo tocada individualmente, mas elas terão a gestão unificada das finanças.

“A J&F é um grupo familiar, brasileiro, de atuação global em negócios relevantes e estratégicos, com moedas fortes e visão de longo prazo”, disse Ramos Filho na entrevista.

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“Nossa ideia é fortalecer o conglomerado e centralizar a gestão financeira dentro do grupo.”

A unidade de energia Ambar Energia foi incorporada no ano passado.

A JBS (JBS), que passou a ser listada na Bolsa de Nova York (NYSE) em junho de 2025, continuará como um negócio separado, em que a J&F ainda detém cerca de 50% das ações.

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A J&F terá um conselho de administração com sete membros, incluindo o fundador da JBS, José Batista Sobrinho, e seus filhos Wesley e Joesley Batista, com este último atuando como presidente do colegiado.

As quatro cadeiras restantes serão ocupadas por conselheiros independentes, que vão incluir o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

A empresa também criará um conselho fiscal e um comitê de auditoria independente.

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Ramos Filho permanecerá como CEO, enquanto Fernando Storchi, atual presidente da Eldorado, assumirá como diretor financeiro (CFO).

O conglomerado registrou receita de R$ 490 bilhões nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025, segundo divulgado.

O movimento contrasta com a estratégia de outras holdings brasileiras, como a Cosan (CSAN3), de Rubens Ometto, e a Simpar (SIMH3), de Fernando Simoões, que possuem subsidiárias listadas em bolsa.

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Ramos Filho afirmou que a J&F pretende manter o controle de seus negócios e acrescentou que qualquer oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) futura envolveria a holding, e não as unidades individuais.

Na quinta-feira (29) passada, o banco digital do grupo voltado para o cliente de varejo, o PicPay, realizou seu IPO na Nasdaq. O evento contou com Joesley e Wesley Batista e familiares na cerimônia de estreia na Times Square, em Nova York, com a empresa sendo avaliada em US$ 2,5 bilhões na largada.

Mercados de dívida

A nova estrutura da J&F já foi apresentada às agências de classificação de risco.

A S&P Global Ratings e a Fitch Ratings atribuíram à J&F um rating BB+ com perspectiva estável, enquanto a Moody’s Ratings deu à empresa nota Ba1, também com perspectiva estável. As três classificações estão um nível abaixo do grau de investimento alcançado pela JBS.

A J&F também quer melhorar seu perfil de crédito ao apresentar seus resultados em um formato mais padronizado, com divulgações aprimoradas.

A companhia também se prepara para uma eventual janela de emissão, disse Storchi.

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“A empresa também quer alongar os vencimentos da dívida e vai avaliar as melhores opções de emissão”, disse Ramos Filho, que acrescentou que a J&F planeja acessar tanto os mercados de dívida locais quanto internacionais.

Embora a JBS permaneça separada da holding, o status de grau de investimento da maior empresa de processamento de carnes do mundo — juntamente com sua escala, geração de caixa e longa relação com o mercado — também servirá como um ponto de referência para investidores e agências de classificação de risco na avaliação do perfil de crédito da J&F.

O CEO da holding afirmou que a empresa não está em busca de aquisições específicas no momento, mas que “a ideia é estar pronta para qualquer grande oportunidade que possa surgir”.

Em outubro passado, a Ambar concordou em adquirir uma fatia da Eletronuclear que pertencia à Axia Energia (ex-Eletrobrás) por R$ 535 milhões.

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