Bloomberg Línea — Com a política de trabalho presencial cada vez mais consolidada, a vacância (espaço vago) em escritórios de alto padrão da cidade de São Paulo atingiu níveis do período pré-pandemia. Isso significa o aumento da disputa pelas áreas mais cobiçadas e, como efeito subsequente, pressiona os valores de locação para cima.
Segundo levantamento da consultoria global JLL ao qual a Bloomberg Línea teve acesso, a taxa de vacância média dos escritórios de alto padrão (A e AA) de São Paulo atingiu 14,7% no encerramento de 2025.
Em algumas regiões, esse patamar foi ainda mais baixo, como na chamada Nova Faria Lima (6%) e na avenida Paulista (4%).
“À medida que empresas chamam os funcionários integralmente de volta ao escritório, isso gera necessidade praticamente imediata de mais área”, disse a diretora de locações da JLL, Yara Matsuyama, à Bloomberg Línea.
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A vacância média dos escritórios da cidade está em uma faixa considerada de “neutralidade”, ou seja, não há demanda nem oferta em excesso, segundo a executiva, mas isso de modo geral.
“É importante lembrar que cada região tem a sua dinâmica. Na Nova Faria Lima e na Paulista, obviamente nos deparamos com um cenário mais restrito de oferta, com disputa por área, o que acaba impulsionando os valores [dos aluguéis] para cima.”
Os maiores preços pedidos em 2025 foram registrados, mais uma vez, na Nova Faria Lima, com média de R$ 303 por metro quadrado. Matsuyama destacou que, em alguns casos, os preços chegaram a R$ 350/metro quadrado na região.
Segundo a executiva, o aumento de preços foi puxado tanto pela localização dos empreendimentos quanto pelo nível de restrição de oferta nessas regiões.
Outro caso que ilustra o aquecimento do mercado de escritórios é o da avenida Rebouças, na zona oeste.
A avenida passou a ser contabilizada como uma região corporativa dentro da JLL em 2022, quando o preço médio pedido do aluguel girava em torno de R$ 120 a R$ 130 por metro quadrado. Em 2025, o preço médio foi de R$ 180/metro quadrado, com taxa de vacância de 9% - bem abaixo, portanto, da média da cidade.
“Os novos estoques da Rebouças foram inaugurados há pouco tempo e a região já encerrou o ano com um dígito de vacância. Isso é fruto da atividade comercial aquecida”, afirmou.
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A capital paulista encerrou o ano com um estoque total de 5,1 milhões de metros quadrados de escritórios de alto padrão, com preço médio mensal de R$ 117 por metro quadrado, o que representou uma alta de 12,2% sobre 2024.
O estoque de novos escritórios entregue no quarto trimestre somou 25 mil metros quadrados, o que levou a um total de 84 mil metros quadrados no ano.
Grandes transações
Com duas grandes transações fechadas no quarto trimestre, que envolveram o Nubank e o Banco ABC, o mercado de escritórios de São Paulo registrou dez negócios com locação acima de 10.000 metros quadrados no ano passado. Foi o maior volume desde 2016.
Outros destaques de movimentações de grande porte se deram na região central, próximo à avenida Paulista, no novo edifício Passeio Paulista, na rua da Consolação, e envolveram empresas como Banco do Brasil e Saint Paul.
“Vemos um movimento intenso de demanda de empresas de todos os portes, impulsionado pela intensificação do trabalho presencial mas também na busca por eficiência”, disse a diretora da JLL.
Matsuyama disse que, apesar dos preços em alta, algumas empresas não abrem mão de ficarem bem localizadas em regiões nobres e emblemáticas, como a Faria Lima, o que deve significar disputa por áreas no futuro próximo.
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“Enquanto houver empresas dispostas a pagar para ocupar determinados espaços, teremos disputa por áreas nessas regiões”, disse.
A executiva apontou a Chácara Santo Antônio, na zona sul, como um dos eixos que devem se destacar no mercado de escritórios em 2026.
Trata-se de uma região que ficou um longo período sem transações significativas, em parte devido a edifícios mais antigos.
Nesse contexto, a expansão da demanda na vizinha avenida Chucri Zaidan e o consequente aumento dos preços do aluguel na região “empurram” parte da demanda para a Chácara Santo Antônio.
“Os novos empreendimentos na Chácara Santo Antônio têm o mesmo patamar [de qualidade] da Chucri, mas com valores mais atrativos”, disse.
Segundo Matsuyama, espera-se que apenas cinco grandes empreendimentos - acima de 40.000 metros quadrados - sejam lançados em 2026 na cidade.
“O restante [das entregas] é de prédios menores, em terrenos onde o tamanho da construção permitido é mais modesto, entre 5.000 e 12.000 metros quadrados, em média”, afirmou.
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