Credores da Raízen miram ajustes na gestão em contraproposta de acordo, dizem fontes

Segundo pessoas que falaram com a Bloomberg News, credores querem ter mais influência sobre a forma como a companhia é administrada; empresa, os acionistas controladores Shell e Cosan e credores fazem reuniões em Nova York

Acionistas controladores Shell e Cosan resistiram à pressão dos credores para que se comprometessem a injetar mais recursos na Raízen. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Giovanna Belotti Azevedo - Rachel Gamarski
10 de Abril, 2026 | 04:19 PM

Bloomberg — A Raízen (RAIZ4) e seus credores trabalham em uma nova proposta de reestruturação para a dívida de R$ 65 bilhões da companhia, após uma semana de reuniões intensas em Nova York, segundo pessoas com conhecimento do assunto que falaram com a Bloomberg News.

Os credores querem ter mais influência sobre a forma como a gigante brasileira de biocombustíveis é administrada, já que devem se tornar acionistas relevantes por meio de uma possível conversão de dívida em participação acionária, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas.

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Durante as reuniões, os acionistas controladores Shell e Cosan (CSAN3) resistiram à pressão dos credores para que se comprometessem a injetar mais recursos na Raízen, disseram as fontes.

A Shell, com sede em Londres, concordou em março em aportar R$ 3,5 bilhões durante a reestruturação, enquanto o fundador da Cosan, Rubens Ometto, se comprometeu a investir R$ 500 milhões. O pedido por uma nova proposta foi reportado anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo.

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Leia também: Raízen propõe converter dívida em ações, e credores assumiriam fatia, dizem fontes

As negociações devem continuar nos próximos dias, à medida que as partes correm para finalizar um plano que consiga apoio da maioria dos detentores de títulos e bancos, disseram as fontes.

Embora uma contraproposta dos credores seja esperada para a próxima semana, não há um prazo formal para a mesma, e as estruturas ainda podem mudar, acrescentaram. As partes enfrentam um prazo legal até 6 de junho para chegar a um acordo extrajudicial.

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A pressão por mudanças na governança também reflete o crescente desconforto dos credores com o desempenho da Raízen.

A joint venture, criada em 2011, vem sendo impactada por juros elevados, grandes investimentos que ainda não geraram retorno e desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol, resultando em uma sequência de resultados abaixo das expectativas.

Raízen, Cosan e Shell não quiseram comentar

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Leia também: Bancos pressionam Cosan por melhores termos em relação à Raízen, segundo fontes

As reuniões em Nova York ocorrem após a decisão da Raízen de buscar uma reestruturação extrajudicial, medida que visa proteger o fluxo de caixa durante as negociações.

Tanto a empresa quanto seus credores concordam que uma solução fora dos tribunais é preferível a um pedido formal de recuperação judicial, acrescentaram as fontes.

Os investidores têm ficado mais cautelosos com o crédito corporativo brasileiro após uma sequência de notícias negativas.

A Raízen e a rede de supermercados GPA iniciaram reestruturações extrajudiciais no último mês, enquanto a Alliança Saúde busca uma medida cautelar contra credores.

Outras empresas como Braskem, Kora Saúde e Oncoclinicas também avaliam medidas de reestruturação, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

-- Reportagem atualizada para acrescentar que a Shell também não quis comentar.

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