BYD dribla crise na China e vê lucro voltar a crescer com aposta em exportações

Montadora chinesa registra alta de 30% no lucro pela primeira vez em cinco trimestres, chegando a US$ 1,2 bilhão, enquanto vendas internacionais compensam fraqueza no mercado chinês

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Bloomberg — O lucro da BYD cresceu pela primeira vez em cinco trimestres à medida que o aumento das exportações e da demanda por alguns de seus modelos mais caros ajudou a maior fabricante mundial de veículos elétricos a superar uma desaceleração na China.

O lucro líquido do segundo trimestre subiu 30% em relação ao ano anterior, para 8,2 bilhões de yuans (US$ 1,2 bilhão), de acordo com dados extraídos dos resultados do primeiro semestre divulgados na sexta-feira (28). Esse valor se compara à média de 8 bilhões de yuans das estimativas compiladas pela Bloomberg. A receita recuou cerca de 3%, para 194,6 bilhões de yuans.

Os resultados representam um impulso muito necessário para a BYD, já que a intensa concorrência com rivais, como a Xiaomi e a Xpeng, resultou em uma queda nos lucros que se estendeu por um ano. Isso sustentou a expansão agressiva da gigante automotiva chinesa na América do Sul e na Europa, onde o lançamento de novos modelos e a renovação de algumas ofertas populares estão impulsionando as vendas — com maior lucratividade.

No mercado interno, o maior mercado automotivo do mundo, a prolongada desaceleração do setor persiste.

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A maioria das montadoras, incluindo a BYD, viu sua receita em julho cair em relação ao ano anterior, à medida que continuavam os descontos acirrados nos preços dos carros, de acordo com a Bloomberg Intelligence. No geral, as vendas totais de veículos de passageiros caíram 21% no mês passado no país, de acordo com a Associação Chinesa de Veículos de Passageiros.

Enquanto isso, o governo está intensificando o escrutínio sobre o setor, comprometendo-se a examinar de perto os rápidos ciclos de desenvolvimento das montadoras, para garantir que elas não estejam economizando em aspectos relacionados à segurança nos novos modelos.

A BYD vendeu 1,81 milhão de carros nos primeiros seis meses do ano, ficando bem aquém de sua meta anual de 5 milhões a 5,5 milhões.

Os investidores estão agora focados no segundo semestre da BYD.

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Embora as entregas em julho não tenham sido suficientes para colocar a empresa no caminho certo para atingir sua meta anual, analistas esperam que a recuperação dos lucros da BYD se acelerará no restante do ano, à medida que a montadora resolve seus problemas de produção e as exportações continuam a subir. Estimativas compiladas pela Bloomberg apontam até mesmo que os lucros e a receita atingirão níveis recordes no quarto trimestre.

Os mercados internacionais têm sido o motor de crescimento das montadoras chinesas ao longo do ano, e julho não foi exceção. As vendas totais no exterior de veículos de passageiros da China aumentaram 88% no mês passado, de acordo com a PCA.

A BYD também está tendo que lidar com um ambiente comercial cada vez mais hostil, o que pode desacelerar seus planos de expansão no exterior.

A União Europeia avalia novas tarifas sobre veículos híbridos chineses, informou o Handelsblatt em junho, restringindo um mercado lucrativo que surgiu depois que o bloco impôs tarifas sobre carros totalmente elétricos provenientes do país asiático.

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Por outro lado, a fábrica principal da BYD em construção na Hungria está sob investigação devido a supostas violações trabalhistas por parte de subcontratadas, enquanto uma mudança de governo em Budapeste desencadeou uma investigação sobre subsídios estatais, isenções fiscais e isenções ambientais anteriormente concedidos à BYD. A empresa, que afirmou ter cumprido as leis e regulamentações locais, adiou o início da produção na Hungria para o quarto trimestre, cerca de um ano atrás da meta original.

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Enquanto isso, a BYD também busca deixar sua marca em mercados como o Japão, cuja entrada tem sido tão difícil que montadoras globais, como a General Motors, há muito abandonaram suas tentativas de ingressar no país. Recentemente, a empresa iniciou as vendas do Racco, um minúsculo veículo elétrico projetado especificamente para as estradas estreitas do Japão, entrando assim no maior segmento da indústria automotiva do país.

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