Bloomberg — A Braskem informou que as negociações com os credores têm avançado como parte de um esforço para reestruturar as finanças da produtora petroquímica em dificuldades.
A Braskem, com sede em São Paulo, mantém conversas com dois principais grupos de credores: um composto por grandes bancos e instituições financeiras e o outro por detentores de títulos, afirmou na sexta-feira (14) o diretor financeiro, Carlos Brandão.
A empresa corre contra o tempo para garantir o apoio dos credores a uma reestruturação extrajudicial antes do prazo final de 24 de agosto.
“Nosso objetivo é uma negociação consensual, que está progredindo de forma positiva”, afirmou Brandão durante uma teleconferência com analistas. “Estamos caminhando para um resultado que reequilibrará definitivamente a estrutura de capital da empresa.”
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A empresa continua comprometida com uma solução ordenada, afirmou em um comunicado sobre os resultados financeiros, acrescentando que nenhuma decisão foi tomada sobre os termos de uma possível reestruturação, judicial ou de outra natureza.
Suas finanças se deterioraram após anos de preços baixos dos produtos petroquímicos e custos decorrentes de um desastre em uma mina de sal.
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Os detentores de títulos continuam pressionando a Petrobras, acionista da Braskem, a injetar capital novo na produtora petroquímica em dificuldades, uma medida à qual a petrolífera estatal tem se resistido.
A agência de classificação Moody’s rebaixou na semana passada a classificação da Braskem para um nível ainda mais baixo na categoria de risco, afirmando que considerava a suspensão de pagamentos determinada judicialmente durante as negociações de reestruturação como uma inadimplência.
Ganhos inesperados decorrentes da guerra
A Braskem divulgou resultados melhores do que o esperado no segundo trimestre, beneficiando-se das interrupções no fornecimento de produtos petroquímicos provenientes do Golfo Pérsico e da Ásia, decorrentes da guerra.
O lucro líquido do segundo trimestre foi de R$ 3,3 bilhões, superando a estimativa média dos analistas consultados pela Bloomberg.
Ainda assim, a empresa enfrenta restrições de caixa, apesar do aumento nos lucros trimestrais, e espera-se que os spreads se estreitem no segundo semestre. As ações reverteram os ganhos anteriores e registravam queda de 3,9% em São Paulo às 13h50, horário local.
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A dívida líquida ajustada situava-se em US$ 9,4 bilhões em 30 de junho, em comparação com US$ 8,5 bilhões no final de março. A alavancagem corporativa caiu para 6,74 vezes, já que o aumento nos lucros superou o aumento da dívida líquida ajustada.
“Uma normalização gradual dos fluxos deve reduzir o prêmio observado no segundo trimestre”, afirmou Brandão durante uma teleconferência com jornalistas na sexta-feira. “Mas os riscos geopolíticos, logísticos e operacionais podem continuar a sustentar a volatilidade e criar oportunidades para aproveitar o potencial de alta.”
Os sólidos lucros não foram suficientes para resolver as preocupações com a liquidez, afirmaram analistas do Citibank, liderados por Gabriel Barra, em uma nota aos clientes.
A recuperação operacional é ofuscada pelas necessidades de capital de giro, graves dificuldades no balanço patrimonial e pressões de liquidez, afirmaram eles.
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