Anvisa manda recolher lotes da Mamba Water, da Heineken, por contaminação bacteriana

Medida é o segundo recolhimento de água mineral em poucas semanas, após a retirada de um lote da Crystal, da Coca-Cola. Os casos expõem as multinacionais em um setor liderado por grupos nacionais, com o Brasil entre os cinco maiores produtores globais

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Bloomberg Línea — A categoria de água mineral está se tornando um alvo recorrente da fiscalização sanitária no Brasil nas últimas semanas. Nesta quinta-feira (16), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu a venda de dois lotes da Mamba Water, marca que integra o portfólio da Heineken, depois de detectar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em testes de rotina.

É o segundo recolhimento do tipo em pouco mais de um mês: em 3 de junho, a agência já havia determinado a retirada de um lote da Crystal, da Coca-Cola, pelo mesmo motivo. O produto é engarrafado pela Mineração Bom Jesus, unidade da Brasal Refrigerantes, parceira do Sistema Coca-Cola.

Também é a mesma bactéria identificada no recolhimento de detergentes Ypê, da Química Amparo, em maio.

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A fabricante da Mamba Water avisou à Anvisa e recolheu voluntariamente os lotes 13 e 14 da água sem gás de 350 ml, fabricados em abril de 2026, segundo a nota divulgada pela agência reguladora. Os dois lotes estão proibidos para venda, distribuição e uso.

A Mamba Water se posiciona como pioneira em água mineral envasada em lata de alumínio no Brasil, um segmento ainda raro no país, dominado por garrafas plásticas e galões.

Em nota, a empresa afirmou que está realizando recall preventivo dos lotes 13 e 14 de sua água mineral sem gás após identificar, em análises de rotina, resultado fora do padrão microbiológico esperado.

“Trata-se de uma ocorrência pontual e restrita a esses lotes específicos”, envasados pelo parceiro industrial Bebidas Poty S.A., diz a nota.

Não há, até o momento, qualquer registro de impacto à saúde de consumidores, segundo a empresa, que informa ter bloqueado cerca de 82% do volume desses lotes, hoje fora de circulação, com todas as medidas cabíveis já tomadas junto ao parceiro industrial.

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Os casos atingem duas multinacionais em um setor onde o capital nacional é dominante. O Grupo Edson Queiroz, dono da Minalba e da Indaiá, lidera o mercado brasileiro e anunciou um plano de investir entre R$ 1 bilhão e R$ 1,3 bilhão em 2026 para dobrar a capacidade produtiva da Minalba.

A Coca-Cola, dona da Crystal, é hoje a única estrangeira com participação relevante, depois que a Nestlé vendeu sua operação de água ao grupo cearense em 2018 e a Danone encerrou a produção da Bonafont no Brasil em 2022.

O movimento também ocorre, em menor escala, na direção inversa. Em novembro de 2025, a Água Mineral Santa Joana, marca regional pernambucana, anunciou a abertura de uma fábrica na Flórida (EUA), prevista para o segundo semestre deste ano, o que a colocaria entre as poucas brasileiras do setor com produção em território americano.

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Brasil no top 5

O Brasil é o quinto maior produtor de água mineral envasada do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos, Índia e Indonésia, segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração), o que ajuda a explicar tanto o apetite de investidores estrangeiros quanto o interesse de marcas locais em cruzar fronteiras.

A categoria vem de um ciclo de expansão. O setor de água mineral envasou 36 bilhões de litros em 2024, volume que já supera o de refrigerantes, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais e do Sindicato Nacional da Indústria de Água Mineral Natural. As entidades não responderam de imediato ao pedido de comentário.

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Os players desse mercado tradicionalmente discutem suas questões no Congresso Brasileiro da Indústria de Águas Minerais, principal evento do setor. A última edição foi realizada em outubro do ano passado em Fortaleza, presidido por José Aélio Silveira Júnior, CEO da Minalba Brasil.

No mesmo dia do anúncio sobre a Mamba Water, a Anvisa também recolheu toda a linha de energéticos Mister Hemp, da G. Freitas Alimentos, que não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da reportagem.

O problema aqui é diferente: a empresa não fez os testes de estabilidade necessários para garantir que o produto se mantém seguro até o vencimento e não regularizou os itens junto ao sistema de vigilância sanitária.

- Texto atualizado às 18h20 para incluir nota da Mamba Water

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