A Alibaba Group Holding (BABA) está lançando o que diz ser o chip de inteligência artificial (IA) mais potente da China, um acelerador destinado a competir com a Nvidia (NVDA) e a sustentar uma expansão maciça da capacidade dos centros de dados nos próximos anos.
A empresa de e-commerce, que agora aspira ao mercado de IA, apresentou na terça-feira (22) um novo acelerador Zhenwu V900 que, segundo ela, triplica o desempenho de seu antecessor.
De acordo com o CEO Eddie Wu, o produto, desenvolvido pela divisão T-Head do Alibaba, pode ser combinado em clusters de até 500 mil unidades para viabilizar o treinamento de modelos de ponta.
A Alibaba é uma das empresas chinesas líderes que mais investe em IA. Ela se comprometeu a investir mais de US$ 53 bilhões ao longo de um período de três anos para expandir suas capacidades de IA e levantou cerca de US$ 10,2 bilhões em uma oferta de ações adicional realizada em agosto.
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A empresa de tecnologia de Hangzhou se comprometeu a intensificar o investimento em hardware e infraestrutura de IA, à medida que Wu faz da busca pela inteligência artificial geral o norte da empresa.
Na terça-feira (22), o CEO anunciou planos para desenvolver modelos com entre 5 e 10 trilhões de parâmetros — muito maiores do que o comum atualmente — para tarefas mais longas e complexas.
Em seguida, ele estabeleceu uma meta de 20 gigawatts de capacidade de data center para o serviço Alibaba Cloud globalmente até 2032 — uma grande expansão que, segundo estimativas do Citigroup, poderia gerar mais de US$ 160 bilhões em receita externa para a divisão em rápido crescimento.
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Essa velocidade de desenvolvimento contrasta com alertas recentes dos principais laboratórios de IA nos Estados Unidos, depois que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu um ritmo mais lento para lidar melhor com os riscos.
A declaração de Wu — na véspera de uma cúpula histórica entre o presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping — sugere que a Alibaba não tem intenção de desacelerar. Suas ações subiram mais de 5% em Hong Kong, enquanto a Tencent Holdings, operadora do WeChat, registrou alta de mais de 7%.
“No ano passado, afirmamos que, quanto mais capaz a IA se tornar, mais poderosa será a humanidade”, disse Wu. “Hoje, continuo firme nessa convicção.”
O plano de 20 GW do Alibaba — embora gigantesco para uma empresa chinesa — é relativamente menor do que alguns dos projetos de expansão mais ambiciosos do mundo. O SoftBank Group, por exemplo, prevê um centro de computação com capacidade de 10 gigawatts somente em Ohio.
Embora tenha apresentado toda a gama de chips proprietários, serviços em nuvem e modelos de IA da Alibaba, Wu não abordou se a empresa será capaz de produzir silício suficiente no curto prazo para atender à crescente demanda doméstica, especialmente com os chips de ponta da Nvidia restritos na China.
Ainda não está claro se a Alibaba está trabalhando com fabricantes de chips nacionais — como a Semiconductor Manufacturing International, que enfrenta restrições de capacidade — mas os controles de exportação dos EUA impedem, em grande parte, que as empresas chinesas utilizem líderes de mercado como a Taiwan Semiconductor Manufacturing.
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O evento da Alibaba ocorre pouco antes do encontro entre Trump e Xi para discutir uma série de questões. Os assuntos relacionados à IA devem ter destaque, já que executivos de alto escalão dos EUA, como o chefe da Nvidia, Jensen Huang, e Satya Nadella, da Microsoft (MSFT), participarão de um jantar de Estado na Casa Branca.
As negociações tiveram início esta semana entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, ocasião em que ambas as partes concordaram em estabelecer um diálogo sobre IA com o objetivo de chegar a um entendimento comum sobre metas e ameaças.
Isso apesar de Washington acusar a Alibaba e outros desenvolvedores líderes, como a DeepSeek, de “acessar ilegalmente” modelos americanos de ponta para ajudar a desenvolver seus próprios produtos. Pequim rejeitou tais acusações como infundadas e prometeu retaliar caso Washington tome medidas contra empresas chinesas de IA.
A Alibaba — até recentemente mais conhecida como operadora dos mercados Taobao e T-mall — criou o modelo de IA mais popular do mundo em termos de downloads. Desde então, a empresa expandiu rapidamente sua série Qwen, mantendo preços baixos para atrair usuários. Isso teve um custo, no entanto, já que a empresa viu seu lucro despencar em mais de 75% no último trimestre, após uma onda de gastos de quase US$ 10 bilhões.
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Os executivos da empresa falaram recentemente sobre como seus investimentos em IA estão cada vez mais rendendo frutos, com a receita anualizada proveniente de produtos relacionados à IA prevista para atingir US$ 10 bilhões no trimestre atual.
A Alibaba deve conseguir recuperar seu investimento total em um período de três anos, afirmou a equipe de Wu. A empresa também tem como meta quintuplicar a receita anual com nuvem e IA para US$ 100 bilhões em cinco anos.
A Alibaba — que lançou seu mais recente chip de IA em maio — planeja atualizar essa linha de produtos anualmente. Eles foram projetados para operar em clusters gigantes a fim de impulsionar o desempenho, uma estratégia amplamente adotada por fabricantes chineses de chips, desde a Huawei Technologies até a Moore Threads Technology.
A T-Head, que busca uma abertura de capital, já entregou 560 mil unidades da família de produtos Zhenwu, e seus processadores foram implantados por mais de 400 clientes externos, informou a Alibaba.
--Com a colaboração de Vlad Savov.
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