Bloomberg — A mineradora BHP divulgou resultados no limite superior das estimativas de analistas, à medida que um esforço de anos para reforçar a produção de cobre se combinou a uma alta histórica dos metais e compensou um período mais fraco de seu gigantesco negócio de minério de ferro.
O cobre, metal favorecido por seu papel essencial em um mundo cada vez mais eletrificado, respondeu por mais da metade do lucro do grupo pela primeira vez — uma vitória relevante para o CEO Mike Henry, que busca diversificar a maior mineradora do mundo para além das operações voltadas ao atendimento das siderúrgicas chinesas.
As aquisições começaram a gerar resultados, assim como as melhorias em Escondida, a maior mina do mundo — tudo isso impulsionado por uma disparada recorde nos preços.
“Esse é o resultado de nossas ações deliberadas para expandir o negócio de cobre”, afirmou Henry em reunião com analistas. “Agora, por estratégia, a BHP é uma mineradora diversificada — e não mais focada em uma única commodity.”
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A combinação elevou o lucro subjacente atribuível da BHP em 22%, para US$ 6,2 bilhões, nos seis meses encerrados em dezembro. As ações avançaram até 7,6% em Sydney, atingindo um recorde — a maior alta em mais de dez meses.
“Nos últimos cinco anos, Mike estruturou o negócio com diferentes alternativas”, disse Glyn Lawcock, chefe de pesquisa em metais e mineração da Barrenjoey Markets Pty, em Sydney. “Claramente, o crescimento até 2030 está muito ligado a potássio e minério de ferro, mas ao entrar na próxima década, é praticamente tudo cobre.”

A divisão de cobre registrou lucro subjacente antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) 59% maior, alcançando US$ 8 bilhões, graças à produção estável e a preços que subiram quase um terço no período.
O resultado do negócio de minério de ferro, que ainda responde por quase metade do total do grupo, avançou 4%, enquanto seguem negociações consideradas “difíceis” com a compradora estatal chinesa de minério de ferro.
O CEO afirmou que o relacionamento mais amplo da companhia com as siderúrgicas é “profundo e estratégico” e acrescentou que a mineradora confia em uma solução com a China Mineral Resources Group Co (CMRG).
“Trabalhamos de forma construtiva com a CMRG para encontrar uma solução aceitável para ambos os lados”, disse Henry.

O projeto de potássio Jansen, no Canadá — outro pilar central do plano de diversificação do CEO — segue no cronograma para iniciar a produção em meados do próximo ano.
No mês passado, a mineradora - que no Brasil é sócia da Vale (VALE3) na Samarco - anunciou que o empreendimento voltou a superar as estimativas de custo, com o investimento na primeira fase agora projetado em US$ 8,4 bilhões.
Fusões e aquisições
Assim como seus pares, a BHP retomou nos últimos anos a agenda de fusões e aquisições em meio à busca do setor por crescimento, especialmente em cobre.
Apesar de alguns êxitos — como a compra, em 2023, da OZ Minerals e a joint venture Vicuna com a Lundin Mining, focada em projetos na fronteira entre Chile e Argentina — grandes avanços têm sido difíceis.
As investidas da companhia sobre a rival Anglo American — mais recentemente uma tentativa de interferir na negociação da mineradora com a Teck Resources — foram repetidamente frustradas.
“Se surgisse uma oportunidade na qual acreditássemos ser possível gerar valor relevante para os acionistas da BHP por meio da aquisição de outros ativos, estaríamos dispostos a tentar — mas o conjunto de oportunidades é bastante restrito”, afirmou Henry a jornalistas.
“Por isso, o foco real está em operar cada vez melhor nossos negócios atuais e destravar o crescimento orgânico existente no portfólio.”
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A empresa destacou, em vez disso, um plano para levantar até US$ 10 bilhões com vendas de ativos e outras operações, liberando capital para investir em áreas prioritárias ou devolver recursos aos acionistas.
Na terça-feira, a BHP anunciou um acordo de longo prazo de US$ 4,3 bilhões para venda futura de prata com a Wheaton Precious Metals, apenas dois meses após vender uma participação de US$ 2 bilhões na rede de energia que abastece suas extensas operações de minério de ferro na região de Pilbara, no oeste da Austrália.
O acordo envolvendo prata — uma tentativa de aproveitar preços próximos de máximas históricas — refere-se ao metal produzido como subproduto na mina de cobre Antamina, no Peru, na qual a mineradora australiana detém 33,75%.
“Ao longo de seu mandato, Henry comprou a OZ Minerals, ampliou a presença da companhia em cobre na Austrália, vendeu a área de petróleo, simplificou a estrutura de listagem dupla e firmou a joint venture Vicuna”, disse Lawcock, da Barrenjoey. “Quando ele deixar o cargo — e hoje completa seis anos na função — terá criado uma BHP diferente da que existia antes.”
A BHP informou que pagará dividendo intermediário de 73 centavos por ação, equivalente a um payout de 60%.
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