Revisão da MSCI pode destravar fluxo de investimentos para ativos da Argentina

A provedora de índices decidirá na próxima semana se manterá a Argentina na categoria Standalone ou se iniciará consultas sobre elevar a classificação do mercado do país

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Bloomberg — A MSCI decidirá na próxima semana se colocará a Argentina no caminho de volta aos principais índices globais de ações, uma medida que pode desencadear uma forte entrada de recursos em um mercado local de baixa liquidez.

A provedora de índices divulgará sua Revisão de Classificação em 23 de junho, indicando se manterá a Argentina na categoria Standalone ou se iniciará consultas sobre seu retorno ao status de “mercado de fronteira” — ou até mesmo de “mercado emergente”.

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O Morgan Stanley espera que a MSCI coloque a Argentina em consulta formal para se tornar um mercado emergente, movimento que, segundo estimativas do banco, atrairia cerca de US$ 5 bilhões para as ações locais.

Seria um fluxo expressivo para um mercado cujo volume médio diário negociado ficou abaixo de US$ 60 milhões neste ano. Ainda assim, a Balanz Capital projeta que a Argentina permanecerá na categoria Standalone.

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“Parece muito provável que a Argentina possa se qualificar para uma dupla promoção ao status de mercado emergente ao longo do próximo ano ou ano e meio”, disse Nikolaj Lippmann, estrategista de ações para a América Latina do Morgan Stanley. “O cenário mais provável é que a Argentina seja incluída nos estágios iniciais de 2028.”

Os investidores poderão ter uma primeira indicação ainda nesta quinta-feira, quando a MSCI divulgar sua revisão anual de acessibilidade de mercados. Embora o relatório não determine as classificações, eventuais mudanças na avaliação das condições da Argentina podem oferecer pistas sobre as perspectivas do país antes da divulgação do relatório da próxima semana.

Recuperação do impulso

Uma promoção seria o mais recente voto de confiança no plano do presidente Javier Milei para reformular a economia argentina, que já recebeu diversos reconhecimentos de agências de classificação de risco. O risco-país está no menor nível em oito anos, e tanto a S&P Global Ratings quanto a Fitch Ratings elevaram recentemente a nota soberana do país.

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O mercado acionário argentino também passou por um ciclo dramático desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023.

As ações quase dobraram durante seu primeiro ano de governo, à medida que investidores comemoraram os esforços para conter a inflação, reduzir o déficit fiscal e estabilizar a economia. A alta perdeu força diante das incertezas relacionadas às eleições legislativas de meio de mandato, mas desde então voltou a ganhar tração.

O índice S&P Merval está próximo da máxima em 17 meses em dólares, sustentado pelos elevados preços do petróleo, pelos lucros mais robustos das empresas de energia e pelo crescente otimismo em relação à decisão da MSCI.

Ganhos recentes foram impulsionados por uma nova entrada de investidores estrangeiros. Cerca de US$ 103 milhões ingressaram neste ano no ETF Global X MSCI Argentina, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Participação nos índices

O Morgan Stanley estima que uma promoção à categoria de mercado emergente daria à Argentina um peso de 0,28% no índice de mercados emergentes e de 4,1% no índice da América Latina, com a maior parte da demanda concentrada em ações dos setores financeiro e de energia.

A MSCI elevou pela última vez a Argentina ao status de mercado emergente em 2018, durante o governo do ex-presidente Mauricio Macri.

Na época, o governo desmontou controles de capital e reabriu os mercados financeiros aos investidores estrangeiros, recolocando a Argentina no universo global de investimentos após anos de isolamento.

Mas o retorno durou pouco.

Com o agravamento da crise em 2019, a Argentina voltou a impor controles e os ampliou após a chegada de um governo de esquerda ao poder. A MSCI acabou retirando o país do índice e rebaixando-o para a categoria Standalone, na qual permanece desde 2021.

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Desde que assumiu a presidência, o governo Milei reverteu várias dessas restrições, facilitando o acesso ao mercado cambial e flexibilizando as regras para remessa de dividendos ao exterior.

Também continuou desmontando gradualmente algumas dessas barreiras, inclusive ao afrouxar nesta semana as regras que regem a atuação das corretoras locais.

Ainda assim, permanecem limitações importantes para investidores institucionais estrangeiros, e autoridades do banco central indicaram que não têm pressa para eliminá-las completamente.

Essas restrições remanescentes são uma das razões pelas quais alguns investidores ainda não acreditam que a MSCI esteja pronta para agir.

“O resultado mais provável é que nada aconteça e a Argentina permaneça na categoria Standalone”, disse Ezequiel Fernandez, chefe de pesquisa em ações da Balanz Capital, corretora local. “O início de uma revisão para inclusão no índice de mercados emergentes ainda é possível, mas os controles de capital sobre fluxos especulativos continuam sendo a principal questão.”

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