Reserva global de petróleo está ‘assustadoramente escassa’, diz CEO da Aramco

Situação dos estoques de petróleo do mundo está crítica; o CEO da Aramco, Amin Nasser, destacou que, embora os governos planejem liberar até 100 milhões de barris de reservas de emergência para reduzir os preços, isso não resolverá os problemas de oferta e demanda

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Bloomberg — Os estoques de petróleo que protegem o mundo contra choques de oferta tornaram-se “assustadoramente escassos”, colocando os mercados em risco de agravamento, a menos que o Estreito de Ormuz seja reaberto, segundo o CEO da Aramco, estatal de petróleo da Arábia Saudita.

Ele se pronunciou poucos dias depois que os governos das maiores economias do mundo anunciaram planos para liberar até 100 milhões de barris de reservas de emergência de petróleo e diesel, a fim de amenizar o aumento dos custos dos combustíveis.

“Até que o Estreito de Ormuz seja totalmente reaberto e a confiança retorne, a crua realidade é que a pressão em ambos os extremos do barril se intensificará”, afirmou Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, no Fórum de Inteligência Energética, em Londres, na segunda-feira (5). “Embora a escassez de petróleo bruto seja grave, os preços dos combustíveis refinados subiram de forma ainda mais acentuada.”

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A liberação dos estoques dará algum tempo às economias, mas não resolverá os desequilíbrios entre oferta e demanda, afirmou Nasser. Mesmo após a reabertura do importante gargalo marítimo de Ormuz, pode levar até dois anos para que os países consumidores de energia reponham seus estoques, disse ele.

Os produtores do Golfo estão trabalhando para aumentar a produção e as exportações e conseguiram elevar os fluxos de petróleo bruto para níveis próximos aos do período pré-guerra.

A Arábia Saudita e países vizinhos, como os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, têm utilizado seus próprios petroleiros para transportar petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz, que está pelo menos parcialmente obstruído desde que os EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, dando início a uma guerra regional.

O aumento nos fluxos proporcionou um alívio mínimo aos mercados de petróleo, que ainda estão precificando os riscos de segurança ao abastecimento no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.

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O petróleo Brent, referência internacional, tem sido negociado em torno de US$ 100 por barril no último mês, mesmo com o aumento do número de petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita tem sido um fator-chave nesse aumento, já que a Aramco, no último mês, intensificou os embarques de petróleo bruto a partir de seu principal terminal de exportação em Ras Tanura, no Golfo Pérsico. A empresa reagiu rapidamente à interrupção temporária de seu principal oleoduto transnacional após um ataque no mês passado.

Desde então, a empresa restabeleceu o fluxo no oleoduto Leste-Oeste para cerca de 80% da capacidade, o que significa que também dispõe de mais petróleo para embarcar a partir do Mar Vermelho.

Os suprimentos de petróleo da Aramco mostraram-se resilientes durante o conflito, graças ao uso de armazenamento internacional e aos esforços para reparar rapidamente a infraestrutura danificada, afirmou Nasser. Ele não mencionou, em seu discurso, relatos de ataques recentes contra o reino.

A Aramco está buscando rotas alternativas de exportação de petróleo bruto e instalações adicionais de armazenamento internacional para evitar depender excessivamente de qualquer método único para atingir compradores globais, afirmou ele.

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