Morgan Stanley, BofA e Citi veem espaço para ganhos em carry trade, com foco no real

Após rali de 18% em 2025, bancos globais esperam que estratégia continue avançando neste ano; real está entre as principais apostas, junto de outras moedas de países emergentes

Real brasileiro, a lira turca e a coroa tcheca são suas apostas preferidas para este ano . (Foto: Marcos Issa/Bloomberg)
Por Kerim Karakaya - Heng Xie - Daedo Kim
26 de Janeiro, 2026 | 06:05 PM

Bloomberg — Investidores que vendem o dólar para comprar moedas de mercados emergentes tiveram um início lucrativo em 2026, e estrategistas dos principais bancos esperam que essas estratégias avancem ainda mais após o rali de 18% registrado no ano passado.

O chamado carry trade — em que recursos são alocados em moedas com rendimentos mais elevados por meio de financiamento em moedas com custo de empréstimo mais baixo — já acumula alta de 1,3% neste ano, segundo um índice da Bloomberg que acompanha os retornos em oito mercados emergentes.

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Com o impacto das políticas do presidente Donald Trump sobre o dólar, estrategistas do Morgan Stanley, do Bank of America e do Citigroup avaliam que os ganhos do ano passado, os maiores desde 2009, devem se estender.

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O índice estava acima de 291 pontos na segunda-feira (26), cerca de 5% abaixo do recorde alcançado em 2011. Moedas que vão do rand sul-africano ao peso colombiano eram negociadas próximas de máximas de vários anos.

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Mas, além da valorização cambial, as estratégias de carry trade também se beneficiam de juros reais elevados no mundo em desenvolvimento. Autoridades em muitos países emergentes vêm promovendo apenas uma flexibilização gradual da política monetária, apesar dos sinais de desaceleração da inflação.

“Em carry trade, estamos olhando para países onde a política monetária é apertada e os bancos centrais são considerados críveis”, disse James Lord, chefe de estratégia para mercados emergentes do Morgan Stanley.

O real brasileiro, a lira turca e a coroa tcheca são suas apostas preferidas para este ano.

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Operações focadas em moedas da América Latina estão entre as que apresentam melhor desempenho. O real, por exemplo, já subiu 4,5% em 2026, após avançar 23,5% no ano passado. A taxa de juros do Brasil está em 15% ao ano, embora a inflação tenha desacelerado em direção à meta do banco central.

O carry trade com o peso mexicano registra retorno de 4,3% neste ano, e o Deutsche Bank mantém uma visão otimista para a moeda.

Estrategistas do Citi também estão entre os que recomendam comprar real contra o dólar, embora igualmente favoreçam a lira turca.

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A rúpia indiana, a pior performance do ano passado, aprofunda as perdas em 2026 e recua cerca de 2% em termos de carry. A rupia indonésia também deixou investidores no prejuízo.

O ano recorde para estratégias de carry foi 2003, com retorno de 25%, segundo o índice da Bloomberg.

Para repetir um desempenho dessa magnitude, porém, será necessário que o dólar continue se enfraquecendo e que a volatilidade das moedas emergentes permaneça contida.

Por isso, investidores tendem a acompanhar de perto o indicador de volatilidade do JPMorgan Chase, que atingiu o nível mais alto em três semanas após um longo período de calmaria.

O estrategista do BofA Alex Cohen espera que as carry trades sigam superando outras estratégias, mas apenas se a volatilidade continuar baixa.

“Esse é um grande ‘se’, olhando para o cenário atual”, disse Cohen, ao mencionar a possibilidade de novas tensões geopolíticas.

-- Com colaboração de Srinivasan Sivabalan.

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