Mercados

Mercados operam voláteis e condicionam negócios ao Fed, Treasuries e à macroeconomia

Os investidores colocam na balança o tom ainda duro do Fed quanto ao controle inflacionário, os juros projetados por títulos soberanos e indicadores que podem dar pistas sobre a política monetária

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
03 de Outubro, 2023 | 06:38 AM

Barcelona, Espanha — Os mercados abriram de menos a mais, embora o clima ainda seja de prudência. Enquanto o Federal Reserve (Fed) sobe o tom nos discursos contra a inflação, dados como a pesquisa JOLTS de ofertas de emprego e desligamento de funcionários, que sai hoje, podem dar pistas sobre os próximos passos na política monetária.

Os futuros de índices nos Estados Unidos, que inicialmente operavam em baixa, subiam com discrição instantes atrás. Na Europa, a maioria das bolsas migrava para o campo positivo. A varejista britânica de fast-fashion Boohoo Group amargava uma das maiores perdas no mercado europeu, baixa de até 11%, após cortar suas previsões de lucro, já que baixou seus preços para atrair compradores. Trata-se da maior queda das ações da companhia em oito anos.

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As ações de Hong Kong lideraram as quedas na Ásia, com o Índice Hang Seng cedendo 2,69%, retomando a negociações após um longo fim de semana. A China permanece em feriado. No Japão, o Nikkei perdeu 1,64%.

O prêmio do título norte-americano para 10 anos oscilava entre o positivo e o negativo nesta manhã. Às 6h19 de Brasília, estava no zero a zero, pagando 4,686% de rendimento.

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A reticência nos mercados de títulos sucede uma queda nos Treasuries na segunda-feira, quando as mensagens “hawkish” do Fed ofuscaram o alívio com o acordo para evitar a paralisação do governo dos EUA. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de cinco a 30 anos saltaram anteriormente cerca de 10 pontos-base, enquanto os da nota de 10 anos atingiram o maior valor desde 2007.

Entre as divisas, o euro ganhava valor frente ao dólar. A moeda norte-americana atingiu a maior alta no acumulado do ano em relação ao iene, depois que o Banco do Japão (BoJ) disse na segunda-feira que realizaria uma operação de compra adicional. Os rendimentos dos títulos de 10 anos do Japão caíram dois pontos-base.

Em outros mercados, depois da forte alta de ontem os investidores do bitcoin embolsavam ganhos, com a criptomoeda recuando hoje.

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O ouro continuava em baixa, atingindo o menor nível desde março. Já os contratos de petróleo WTI, depois de registrarem queda, voltavam a subir ligeiramente, mas ainda cotados abaixo de US$ 90 por barril. A demanda decrescente da China está pronta para limitar os ganhos dos cortes de oferta da OPEP+, disse o analista do Citigroup, Ed Morse.

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→ O que move os mercados hoje

👁️‍🗨️ De olho nos bônus. O mercado financeiro estará muito condicionado ao desenrolar das negociações com títulos soberanos. A venda massiva de títulos nas últimas sessões ganhou impulso com o alívio da paralisação dos Estados Unidos, levando os investidores a subirem as apostas de aumento dos juros em novembro pelo Fed para uma chance de aproximadamente uma em três, frente a uma probabilidade de 25% cotada na sexta-feira, segundo pesquisa da Bloomberg.

🏳️ Fim da disputa. A AstraZeneca pagou US$ 425 milhões para resolver processos judiciais nos EUA referentes aos medicamentos para acidez e refluxo Nexium e Prilosec, os quais teriam danificado os rins de alguns pacientes. A fabricante insiste que as reivindicações não têm mérito, mas diz que preferiu pôr fim aos dispendiosos procedimentos legais. As ações da AstraZeneca subiam 1% antes da abertura das bolsas, já que alguns investidores temiam que o acerto pudesse custar mais à empresa.

🆙 Salto incerto. As ações da incorporadora China Evergrande dispararam 42% com a retomada de suas negociações. As ações da empresa e de sua unidade de serviços imobiliários foram suspensas na quinta-feira, um dia depois de fontes afirmarem que seu bilionário fundador havia sido levado pela polícia.

🇯🇵 Forte aposta nos chips. Para impulsionar suas ambições em termos de chips, o Japão concedeu US$ 1,3 bilhão em subsídios para a fábrica da Micron Technology em Hiroshima. O apoio cobre quase 40% dos planos de investimento da Micron no Japão, que busca consolidar a produção doméstica de processadores de última geração.

Os mercados esta manhã tabela de cotaçõesdfd

🟢 As bolsas ontem (02/10): Dow Jones Industrials (-0,22%), S&P 500 (+0,01%), Nasdaq Composite (+0,67%), Stoxx 600 (-1,03%), Ibovespa (-1,29%)

As expectativas voltaram a se ancorar nos discursos de dirigentes do Fed. Ontem, ecoaram as mensagens de que os juros devem se manter altos para conter a inflação. Para o vice-presidente de supervisão do Fed, Michael Barr, a principal questão enfrentada pelos bancos centrais é por quanto tempo manter as taxas elevadas. Já a governadora Michelle Bowman reiterou seu apelo por vários aumentos.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

Feriado: China

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EUA: Índice Redbook, Ofertas de Emprego-JOLTS/Ago, Índice de Otimismo Econômico-IBD/TIPP, Estoques de Petróleo Bruto Semanal-API)

Europa: França (Balanço Orçamentário/Ago)

Ásia: Japão: PMI do Setor de Serviços/Set Brasil (Produção Industrial/Ago)

América Latina: Brasil (Produção Industrial/Ago); México (Investimento Fixo Bruto/Jul); Argentina (Receita Tributária)

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Bancos centrais: Philip Lane, François Villeroy, Gediminas Simkus (BCE); Raphael Bostic (Fed)

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.