JPMorgan reduz aposta em emergentes com ataque ao Irã, mas vê América Latina resiliente

Estrategistas do banco de Wall St. diminuíram a intensidade das suas recomendações overweight para moedas e títulos emergentes, mas veem a América Latina com menor exposição aos preços do petróleo e maior proteção via diferencial de juros

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Bloomberg — O JPMorgan Chase reduziu a intensidade de suas recomendações overweight (exposição acima do índice de referência) para moedas e títulos locais de mercados emergentes diante dos riscos gerados pelo ataque dos Estados Unidos ao Irã.

Estrategistas liderados por Jonny Goulden, Anezka Christovova e Arindam Sandilya afirmaram, em relatório, que a reação inicial dos mercados emergentes na segunda-feira (2) foi negativa, mas limitada — criando espaço para diminuir parte da exposição em meio ao aumento das incertezas provocado pelo conflito.

“Os fundamentos estruturais positivos para a renda fixa de mercados emergentes permanecem”, escreveram. “Mas os mercados não estão bem preparados para essa incerteza de curto prazo, com moedas emergentes bastante posicionadas, juros precificando cortes e crédito emergente em níveis elevados.”

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Segundo o banco, o peso das posições recomendadas em moedas e títulos de emergentes foi reduzido aproximadamente pela metade, com a possibilidade de novos ajustes em um intervalo mais curto que o habitual, dada a elevada imprevisibilidade de conflitos armados.

O índice de moedas de países em desenvolvimento da MSCI caiu 0,9% na manhã de segunda-feira, a maior queda intradiária em quatro meses. O forint húngaro e o zloty polonês lideraram as perdas.

O JPMorgan também reduziu pela metade suas recomendações otimistas para o forint da Hungria e a lira turca, além de cortar posições overweight em juros locais da África do Sul e da Romênia.

As recomendações neutras para crédito soberano e corporativo foram mantidas, enquanto o banco segue underweight (exposição abaixo do índice de referência) para ativos do Oriente Médio.

Visão positiva para a América Latina

Ao mesmo tempo, os estrategistas mantêm visão positiva para moedas e juros da América Latina, avaliando que a região apresenta menor exposição aos preços do petróleo e maior proteção via diferencial de juros.

“A duração do conflito e seus desdobramentos posteriores são as principais variáveis, cercadas por elevada incerteza”, escreveram.

“Com um conjunto mais amplo de alvos iranianos sendo atingidos, aumentam os riscos de contágio para a economia global por meio do petróleo e da atividade empresarial regional.”

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