Jobim, da Legacy, diz que juro é grande aposta e vê Selic a 8,5% em 2024

Expectativa de uma Selic menor é também um grande fator por trás da aposta da gestora na bolsa, com preferência por nomes como Banco do Brasil

Gestora deixou a posição em Petrobras, por avaliar que os múltiplos deixaram de valer a pena
Por Rachel Gamarski e Felipe Saturnino e Barbara Nascimento
13 de Dezembro, 2023 | 08:12 AM

Bloomberg — A Legacy Capital, uma das principais gestoras independentes do país, vê a queda dos juros futuros no Brasil como a principal aposta para 2024 e está disposta a aumentar suas posições.

Com a composição benigna da inflação e o ambiente externo mais ameno, a Selic deve cair até ou abaixo de 8,5% no ano que vem, diz o sócio e economista-chefe da gestora Pedro Jobim.

Para Jobim, inclusive, o Copom deve deixar de usar na reunião desta quarta-feira (13) a indicação para as “próximas reuniões” no plural, no trecho do comunicado que tem sinalizado a manutenção do ritmo de cortes de juros em 0,50 ponto percentual.

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A mudança abriria espaço para uma discussão sobre a aceleração do ritmo de cortes a partir do próximo ano.

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“A inflação está um pouco acima da meta, mas se comportando super bem, e com uma postura de bancos centrais lá fora que é completamente diferente de um mês atrás”, disse Jobim, em entrevista à Bloomberg News no escritório da Legacy, em São Paulo. “O BC ganharia muito em graus de liberdade.”

A visão de Jobim para Selic é mais otimista do que a precificação do mercado. A Selic extraída da curva de juros futuros hoje mostra um juro básico entre 9,50% e 9,75% para o fim do ano que vem. Já o relatório Focus indica taxa final de 9,25%.

Para Jobim, que trabalhou no Santander (SANB11), como o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o Copom não precisará explicitamente fazer menção à aceleração do ritmo, apenas retirar o plural do guidance.

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O cenário base da Legacy vê uma desaceleração na atividade do Brasil e pouso suave da economia dos Estados Unidos. “Caso tenhamos uma recessão, no Brasil ou no exterior, a Selic pode ficar abaixo de 8,5%”, disse Jobim.

Bolsa

A expectativa de uma Selic menor é também um grande fator por trás da aposta da Legacy no mercado acionário.

Juros no atual patamar, de 12,25%, fazem com que o índice dependa largamente do humor e noticiário externos, diz Patrick Pereira, gestor de ações, em uma entrevista separada. Com a queda dos juros, o investidor doméstico deve voltar a se interessar pela bolsa, diz ele.

A assimetria entre os preços e a atual taxa de juros reais criou múltiplos interessantes no mercado de ações, tais como Banco do Brasil (BBAS3), Localiza (RENT3), Soma (SOMA3), Arezzo (ARZZ3) e Equatorial Energia (EQTL3), segundo o gestor. “O mercado é lento, mas nos próximos 6 a 12 meses deve corrigir essas assimetrias.”

Pereira acredita que 2025 será um ano muito similar a 2019 para a bolsa, quando o Ibovespa (IBOV) saltou mais de 30%, durante o ciclo de flexibilização monetária que levou a Selic para o nível de 4,5%.

A Legacy também optou por deixar, há cerca de dois meses, a posição de dois anos em Petrobras (PETR4), por avaliar que os múltiplos deixaram de valer a pena.

As ações preferenciais da estatal subiram cerca de 40% este ano, à medida que os investidores veem uma boa governança e menos interferência governamental do que o esperado.

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A principal aposta do fundo segue sendo em Brasil, onde mantém 80% do risco alocado, disse Jobim.

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A recente mudança de cenário nos Estados Unidos levou a Legacy a apostar em juros menores na maior economia do mundo. O fundo também detém posição que se beneficia da queda das taxas no México e na Europa.

Fundos reabertos

Com oportunidade na posição em queda dos juros globais no centro do cenário e na esteira da decisão do governo de taxar os fundos exclusivos, a Legacy decidiu reabrir seus fundos para captação.

Jobim não revelou uma meta de captação. Ele avalia que o cenário para multimercados deve melhorar em 2024 diante da queda dos juros.

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O principal fundo da Legacy teve um retorno de 5,7% no acumulado do ano até novembro, contra um ganho de 12% da taxa referencial do CDI.

-- Com a colaboração de Giovanna Serafim.

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