Itaú eleva projeção para o dólar em 2026 e vê apenas mais um corte da Selic neste ano

Em revisão de cenário, economistas do banco veem um ambiente externo mais adverso para o real, o que favorece a valorização do dólar; projeção para a Selic sobe para 14%, mas há risco de que nem o corte na próxima reunião do Copom pode se concretizar

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Bloomberg Línea — O Itaú Unibanco avalia que o ambiente externo mais adverso deve pesar sobre o real até o fim do ano, diante de uma série de fatores que favorece a valorização do dólar.

Entre eles estão a expectativa de juros elevados nos Estados Unidos, uma deterioração dos termos de troca com um preço do petróleo menor, e os riscos associados ao período eleitoral no Brasil.

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Com isso, a equipe de pesquisa econômica do banco elevou de R$ 5,15 para R$ 5,30 a sua projeção para a taxa de câmbio ao fim de 2026 e vê a moeda americana se valorizando a R$ 5,50 em 2027 (ante R$ 5,35 na projeção anterior), de acordo com relatório de revisão de cenário publicado nesta sexta-feira (26).

O banco reconhece que o diferencial de juros do Brasil em relação aos Estados Unidos ainda oferece algum suporte para a moeda brasileira, mas “o conjunto desses fatores aponta para uma trajetória de depreciação à frente”, escrevem os economista do Itaú no relatório.

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Sobre a política monetária, a equipe do Itaú avalia que o ciclo de cortes de juros já está quase no fim diante da maior pressão inflacionária e da aceleração da atividade econômica, impulsionada por medidas fiscais e parafiscais.

A expectativa agora é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve fazer mais uma redução de 0,25 ponto da Selic em agosto, para 14%.

Anteriormente, o banco via a possibilidade de mais um corte, levando a Selic a 13,75% ao ano. Agora, os economistas reconhecem o risco de que até mesmo o último corte em agosto não se concretize, diante do cenário de expectativas de inflação desancoradas e crescimento mais forte da economia.

O Itaú avalia que a descrição do cenário pelo Banco Central ficou mais dura na decisão mais recente do Copom neste mês, com uma leitura “menos benigna” das projeções para a inflação.

Para os economistas, isso indica uma postura mais cautelosa do Banco Central, mas “sem fechar totalmente a porta para novos cortes”.

“O comitê seguiu ressaltando que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada a depender da evolução dos dados. Mas, ao caracterizar o balanço de riscos como tendo assimetria altista, sinaliza que qualquer espaço que ainda exista para a flexibilização está se esgotando rapidamente”, escrevem os economistas do Itaú.

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Sobre a inflação, o Itaú manteve a projeção de 5,6% para o IPCA no fim de 2026, deixando de incorporar aumentos adicionais de gasolina ao longo do ano, uma vez que o recuo do petróleo reduz a pressão por novos reajustes.

O banco, no entanto, elevou a projeção para a inflação de alimentos, diante da possível pressão dos efeitos do El Niño sobre os preços de grãos.

No campo fiscal, o Itaú avalia que o Brasil continua a ter um desafio estrutural elevado diante de despesas substanciais fora da regra fiscal, com repercussões para a política monetária.

O banco projeta um déficit fiscal primário de 0,5% do PIB em 2026 e de 0,6% do PIB no ano que vem.

A estimativa é que o impulso fiscal neste ano fique próximo de 1% do PIB, decorrente de aumentos de gastos com transferências de renda e de medidas como a mudança do Imposto de Renda e programas como Gás do Povo, Luz para Todos, entre outros.

O Itaú avalia que, com as regras atuais, o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida pública é em torno de 4 pontos percentuais do PIB e continuará subindo.

“Nesse contexto, o desenho das regras vigentes tem permitido uma expansão de despesas primárias incompatível com a trajetória requerida, com aumento das exceções às regras e dos estímulos ao crédito direcionado via despesas financeiras, de tal modo que a credibilidade da âncora fiscal vem sendo prejudicada, com repercussões sobre a plena transmissão da política monetária.”

Projeções do Itaú para a economia brasileira:

Dólar (fim de período)

  • 2026: R$ 5,30 — revisado para cima (de R$ 5,15)
  • 2027: R$ 5,50 — revisado para cima (de R$ 5,35)

Selic (fim de ano)

  • 2026: 14,00% — revisado para cima (de 13,75%); último corte em agosto
  • 2027: 12,50% — mantido

PIB (crescimento real)

  • 2026: 2,1% — mantido
  • 2027: 1,7% — mantido

IPCA

  • 2026: 5,4% — mantido
  • 2027: 4,5% — mantido

Resultado primário (% do PIB)

  • 2026: −0,5% — mantido
  • 2027: −0,6% — mantido

Dívida bruta (% do PIB)

  • 2026: 82,8% — revisado para cima (de 82,6%)
  • 2027: 86,5% — revisado para cima (de 86,0%)

Taxa de desemprego (fim de ano)

  • 2026: 5,7% — mantido
  • 2027: 6,0% — mantido

Conta corrente (% do PIB)

  • 2026: −2,7% — revisado (de −2,6%)
  • 2027: −2,7% — revisado (de −2,6%)

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