Bloomberg — O Banco Central deve usar a ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira (3), para ajudar a corrigir a visão do mercado de que a probabilidade maior é de corte de juros de 0,50 ponto percentual de corte na próxima reunião de política monetária, segundo Daniel Lavarda, chefe de pesquisa macroeconômica do HSBC Brasil.
“Imagino que o Copom verá uma necessidade de resgatar o argumento da ‘serenidade’, que parece que foi ignorado solenemente pelo mercado”, disse Lavarda, em entrevista.
“No meu entendimento, a ata deve ajudar a corrigir isso, tentando trazer as reuniões de março e abril mais para os 0,25pp”, afirmou ele.
Segundo ele, o mercado fez uma leitura de que o comunicado do Copom foi dovish, ou seja, mais brando, razão pela qual a probabilidade de corte de 0,50pp em março aumentou.
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O economista projeta redução da Selic 0,25pp na próxima reunião e afirma que faz sentido um primeiro movimento mais gradual, uma vez que esse gradualismo “é o que eles tem feito como estratégia já há algum tempo”.
A precificação da curva de juros aponta 42 pontos de corte da taxa básica em março, o que indica chance maior de redução de 0,50pp da Selic, de 15% para 14,50%.
A curva também projeta taxa de 12% no final do ciclo de alívio monetário, em 2027, segundo dados compilados pela Bloomberg — o que sugere uma redução total de 3 pontos percentuais.
O economista do HSBC disse que ficará atento se o BC fornecerá na ata mais detalhes de como está o mercado de trabalho e sobre como a autoridade monetária está avaliando os balanços de riscos.
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Lavarda acredita que o fim dos mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes, desde o final de 2025, obscurece a ideia de como é a função de reação do Banco Central e como a autoridade está criando o consenso agora. “Nós temos uma certa incerteza em relação a isso”, disse Lavarda.
Na sexta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nomeação de Guilherme Mello, um aliado seu no ministério, para uma das diretorias vagas no Banco Central, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto. Haddad não comentou. Mello e o gabinete de Lula não responderam a pedidos de comentários.
O economista acredita que há espaço para um nome de terceira via nas eleições presidenciais e que Flávio Bolsonaro deve seguir com sua candidatura. “Me surpreendeu como ele se consolidou como uma segunda força nas intenções de votos”, afirmou Lavarda.
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