Bloomberg Línea — O tungstênio (wolfrâmio) se consolida em 2026 como um dos ativos mais estratégicos entre os minerais críticos.
“O mercado está passando por um verdadeiro superciclo, com preços que chegaram a subir mais de 500%, impulsionados por um desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda”, disse Paula Chaves, analista de mercados da GH Trading, à Bloomberg Línea.
O preço do metal atingiu US$ 2.250 por tonelada, com base principalmente em dados do mercado físico — já que não há um mercado financeiro padronizado que sirva de referência direta, como ocorre com outras commodities.
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Diferentemente de ativos como ouro e prata, o tungstênio não possui um mercado acessível para compra direta por investidores.
A China responde por cerca de 80% da produção global e tem restringido exportações por meio de cotas mais rigorosas, o que provocou escassez, redução de estoques e pressão altista nos preços. Ao mesmo tempo, a demanda cresce em setores-chave como defesa, veículos elétricos, semicondutores e aeroespacial.
Embora tenha ganhado visibilidade por seu uso militar, entre 50% e 60% da demanda está concentrada no uso industrial.
Trata-se de um insumo essencial para manufatura avançada, ferramentas de corte e aplicações de alta resistência, o que sustenta uma base estrutural de consumo além do fator geopolítico.
Analistas projetam que o déficit estrutural deve persistir ao longo de 2026, em um ambiente de preços elevados e volatilidade.
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“Por ser um metal estratégico, a demanda continua crescendo para abastecer a indústria de chips, armamento e energias renováveis”, disse Jeisson Andrés Balaguera, CEO da Values AAA.
Exposição ao tungstênio

Segundo Chaves, a forma mais eficiente de exposição ao metal é por meio de ações de mineradoras especializadas.
A ausência de mercado futuro nos Estados Unidos, devido à oferta limitada e à concentração da produção, reduz a liquidez e a padronização do ativo.
Entre as alternativas, a analista cita a Almonty Industries (ALM), considerada a principal produtora ocidental fora de zonas de conflito.
A mina de Sangdong, na Coreia do Sul, deve entrar em operação em 2026, com potencial para responder por cerca de 40% do fornecimento global fora da China.
A empresa também possui contratos ligados ao setor de defesa dos Estados Unidos, em um cenário de possível restrição ao tungstênio chinês a partir de 2027.
Nos últimos cinco dias, as ações da companhia caíram 16,02%, movimento atribuído à realização de lucros após forte valorização anterior.
Ainda assim, o ativo mantém relativa solidez frente a outras commodities, segundo Chaves, que vê o recuo como um ajuste técnico dentro de uma tendência sustentada por fundamentos de longo prazo.
Atualmente, os papéis são negociados em torno de US$ 16,36, em um ambiente de alta volatilidade, mas com suporte estrutural.
Outra alternativa apontada pela Values AAA é o ETF Rare Earth and Strategic Metals, da VanEck (REMX), que reúne empresas com ao menos 50% da receita ligada a terras raras e metais estratégicos.
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Ainda assim, o investimento no setor não está isento de riscos. Trata-se de um mercado volátil, sujeito a correções após movimentos abruptos.
Há também riscos operacionais, como atrasos em projetos de mineração, possíveis diluições de capital e fatores geopolíticos — especialmente se a China flexibilizar suas restrições.
Pontos de atenção
O mercado segue altamente dependente da China, cuja dominância na oferta torna qualquer mudança relevante para os preços. Além disso, trata-se de um segmento pequeno e volátil, com oscilações rápidas.
Por fim, a demanda está atrelada a setores industriais como defesa, manufatura e semicondutores — uma desaceleração nessas áreas tende a pressionar as cotações.







