Bloomberg — A Fator Administração de Recursos zerou as posições que ganhavam com a queda dos juros futuros após o megarrali com a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A gestora avalia que uma nova rodada de alívio dependerá dos nomes da equipe e plano econômico em um eventual governo do senador.
“Zeramos as posições na segunda-feira, já que está no preço uma vitória do Flávio Bolsonaro no segundo turno. Caso ele vença, eu não acho que teremos um novo alívio enquanto não tivermos uma novidade interna do fiscal e do plano de governo”, diz Ricardo Farias, gestor de renda fixa e multimercado da Fator, em entrevista à Bloomberg News.
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A gestora, que detém mais de R$ 6 bilhões em ativos sob gestão, carregava uma posição aplicada no mercado de juros desde o final de agosto, com a visão de que o Banco Central iria continuar reduzindo a Selic diante de uma economia mais fraca à frente.
A casa também zerou a posição vendida em inflação implícita - embutida nos preços dos títulos de renda fixa - com os ganhos da posição.
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Agora, a Fator está com caixa e monitorando a possibilidade de montar posições de segurança, seja compra de dólar - via opções ou direcional - ou até mesmo uma aposta na inclinação da curva de juros, posição que se beneficia com a alta das taxas longas, segundo Farias. “Aqui não tem tanto espaço para continuar o rali, desde que venha propostas e planos que sejam exequíveis.”
Os ativos locais registraram na segunda-feira (5) um dos melhores desempenhos dos últimos anos, com a liderança surpreendentemente do Flávio Bolsonaro contra Lula no primeiro turno das eleições.
Os juros futuros cederam mais de 100 pontos-base, o dólar caiu mais de 4% e o Ibovespa fechou em alta de quase 8% e teve o melhor dia desde 2020, com a expectativa de que uma eventual vitória do senador signifique política fiscal mais austera e consequente redução da Selic.
Flávio ainda não forneceu ao mercado e seus eleitores muitos detalhes sobre o seu plano de governo. Na avaliação de Farias, “o benefício da dúvida do mercado para o Flávio foi dado, agora é justamente entender se vai acontecer ou não”.
Renda variável
Na estratégia de ações, a gestora acredita que o Ibovespa tende a continuar se valorizando diante da perspectiva de queda da Selic.
“Acabando as eleições com o cenário atual, eu acho que ainda continua com um viés positivo pelos termos fiscais e principalmente por questão de juros”, disse Isabel Lemos, gestora de renda variável da Fator, na mesma entrevista.
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A gestora já estava com posições em ações mais ligadas a juros antes do megarrali dos ativos na segunda-feira, diante de uma análise de que o Banco Central iria seguir com cortes. “Não estávamos esperando que acontecesse o que aconteceu, era um posicionamento por viés de juros”, disse ela. A casa tem exposição a setores como utilites, imobiliário e Localiza e Movida.
As empresas mais sensíveis aos juros, como Vamos e Magazine Luiza, figuram entre as maiores altas na semana do Ibovespa. A bolsa teve entrada estrangeira recorde de R$ 10 bilhões em 5 de outubro, o maior volume diário da série histórica registrada pela Bloomberg desde 2008.
“A aposta do estrangeiro é porque o Brasil serve como uma diversificação para a carteira. O Brasil ainda tem atratividade para esse tipo de investidor”, afirma Lemos.
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