Mercados

Da força do emprego à política monetária: os eventos que movem os mercados hoje

Hoje tem ‘payroll’, a referência mais esperada na semana e que pode jogar luz sobre a necessidade de o Fed subir novamente os juros. No front corporativo, a Exxon negocia uma compra de US$60 bilhões, que poderia ser a maior do ano

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
06 de Outubro, 2023 | 06:48 AM

Barcelona, Espanha — “Bad news, good news”. Por mais distópico que pareça, este é o bordão de hoje no mercado financeiro. Será divulgada a referência mais importante da semana, a evolução da folha de pagamento nos Estados Unidos, e sinais de força do mercado de trabalho podem afetar negativamente os ativos, pois implicariam a continuidade da política monetária agressiva do Federal Reserve (Fed). Trocando em miúdos, mais empregos do que o previsto podem desencadear outra onda de compra de dólares e venda de títulos, acreditam analistas.

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🧐 O que virá? A expectativa para o informe de empregos não-agrícolas é de contratações de 170.000 trabalhadores em setembro, abaixo dos 187.000 em agosto, conforme pesquisa da Bloomberg, o que aliviaria a pressão sobre o Fed. Os indicadores de emprego no início desta semana deram uma narrativa contraditória: a abertura de postos de trabalho superou as estimativas, enquanto o indicador de emprego privado da ADP foi mais fraco do que o previsto. Dados de ontem sobre o seguro-desemprego apontaram um ligeiro aumento dos pedidos na semana, embora continuem em mínimos históricos, uma mostra da resiliência do mercado norte-americano.

🏦 Tom agressivo. O banco central da Índia elevou o tom de seu discurso. Manteve em 6,5% sua taxa de juros, mas afirmou que a inflação continua “desconfortavelmente alta” e que, para remediá-la, poderá tomar medidas para enxugar o excesso de dinheiro no mercado. A surpresa veio com o anúncio de que a autoridade monetária considera vender títulos para absorver esse dinheiro extra.

💰 Um negócio de US$ 60 bilhões. A Exxon Mobil negocia a compra da Pioneer Natural Resources, informou o Wall Street Journal. Se concluído, o negócio representará sua maior aquisição em mais de duas décadas e a mais cara do mundo em 2023: US$60 bilhões. A gigante da energia busca se tornar a maior produtora de petróleo de xisto dos EUA. O acordo poderia ser fechado nos próximos dias. Esta manhã, antes da abertura das bolsas, às 7h09 de Brasília, as ações da Pioneer disparavam +11,30%, enquanto as da Exxon caíam -1,61% em Nova York.

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Alívio para os importadores. Semanas após impor uma proibição que abalou os mercados globais, a Rússia voltou a permitir o retorno das exportações marítimas de diesel. As remessas podem ser retomadas desde que o combustível seja entregue aos portos do país por meio de um oleoduto, de acordo com uma declaração do governo. Esses fluxos para os portos ocidentais da Rússia representam a maior parte dos volumes exportados. As restrições elevaram os preços europeus em um mercado com margens já apertadas. As refinarias de todo o mundo estão lutando para produzir o suficiente depois que a Rússia e a Arábia Saudita cortaram o fornecimento de petróleo bruto rico em diesel, afetando os estoques.

📈 Volta aos trilhos. A Shell disse que seus ganhos com a comercialização de gás no terceiro trimestre se recuperaram da queda no período anterior. Depois de lucros extraordinários em 2022, resultantes da grande volatilidade do mercado de energia pela invasão da Rússia à Ucrânia, o desempenho das divisões comerciais das grandes companhias de petróleo voltou a se aproximar dos patamares históricos este ano. Mesmo assim, o apetite da Europa por gás natural liquefeito continua alto, dando a empresas como a Shell a oportunidade de aumentar as margens desviando cargas de outras regiões.

📈 O vaivém dos ativos. Os primeiros negócios indicavam alta discreta entre os contratos futuros de índices dos EUA. Na Europa, as bolsas também subiam. Na Ásia, onde o mercado chinês continua fechado pelo feriado prolongado, a maior parte das bolsas avançou, menos o japonês Nikkei. Em outros mercados, o prêmio de risco do título de 10 anos dos EUA subia para 4,73% às 6h39 de Brasília. O ouro avançava e os contratos de petróleo bruto WTI operavam perto da estabilidade. No mercado cambial, o euro, o iene e a libra esterlina se apreciavam frente ao dólar.

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(Com informações de Bloomberg News)

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🟢 As bolsas ontem (05/10): Dow Jones Industrials (-0,03%), S&P 500 (-0,13%), Nasdaq Composite (-0,12%), Stoxx 600 (+0,28%), Ibovespa (-0,28%)

A queda no mercado acionário dos EUA refletiu o relatório semanal de pedidos de auxílio-desemprego, que subiram ligeiramente, embora permaneçam fortes, em mínimos históricos. O ânimo dos investidores também ficou baixo e expectante em relação aos dados sobre a folha de pagamento não agrícola desta sexta-feira, que podem dar mais clareza sobre a força do mercado de trabalho.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

Feriado: China

EUA: Relatório de Emprego-Payroll/Set, Ganho Médio por Hora Trabalhada/Set, Taxa de Desemprego/Set, Total de Vendas de Veículos, Crédito ao Consumidor/Ago)

Europa: Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis-Halifax/Set, Produtividade de Mão de Obra); Alemanha (Encomendas à Indústria/Ago); França (Transações Correntes/Ago); Itália (Vendas no Varejo/Ago)

Ásia: China (Reservas Cambiais/Set); Japão (Índice de Indicadores Antecedentes e Conincidentes/Ago, Reservas Internacionais); Hong Kong (Reservas Internacionais/Set)

América Latina: Brasil (IGP-DI/Set)

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Bancos centrais: Pronunciamento de Christopher Waller (Fed)

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Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.