Bloomberg — O Copom deve manter nesta a quarta-feira (28) a taxa Selic em 15% ao ano e promover alterações no comunicado da decisão para abrir a porta a um possível início do ciclo de corte de juros em março, embora sem uma sinalização explícita para a decisão seguinte, segundo a maioria dos economistas do mercado.
Entre 29 economistas pesquisados pela Bloomberg, 27 esperam que o Banco Central mantenha a Selic inalterada.
O banco BTG Pactual está entre os dois que esperam corte nesta semana, enquanto o Itaú alterou sua projeção de redução de janeiro para março.
Os operadores de juros futuros projetam apenas 5 pontos de corte nesta semana. Para março, a curva de juros precifica integralmente uma diminuição de 0,25 ponto percentual, com possibilidade de aceleração do ritmo de redução para 0,50pp nas reuniões posteriores.
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Entre os fatores que aproximam o início do corte de juros está o alívio do câmbio, que ajuda a melhorar as expectativas de inflação. O dólar chegou a cair a R$ 5,26 nesta semana, menor nível intradiário desde junho e muito abaixo do valor de R$ 5,47 vigente no dia do Copom de 10 de dezembro.
O real se fortalece com a tendência global de dólar fraco e com investidores estrangeiros atraídos pelos juros domésticos muito mais altos do que os externos.
Ainda que o BC confirme a Selic inalterada agora, alguns economistas acreditam que o Copom fará alterações no comunicado que abrirão a porta a uma redução em março, mesmo que sem se comprometer com o movimento.
Uma opção para o BC seria retirar ou flexibilizar a expressão de que “não hesitará” em retomar a alta de juros, se necessário.
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Outra possibilidade, segundo a XP, seria o comunicado reforçar a necessidade de manutenção de uma política monetária contracionista, mas não “significativamente contracionista”.
Mesmo abrindo a porta a um corte, a expectativa é de que o Banco Central ainda manterá um tom de cautela, dado que os indicadores de atividade e emprego mostram uma economia resiliente. Além disso, os preços de serviços seguem pressionados.
Outro fator por trás da visão restritiva sobre os juros é o próprio discurso conservador do Banco Central, de que continua dependente de dados.
O Copom se reúne com comitê reduzido depois do fim dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Gomes. Suas diretorias estão sendo acumuladas interinamente por outros integrantes e os novos diretores ainda deverão ser indicados e avaliados pelo Congresso. As “vacâncias” também podem contribuir para um comitê mais cauteloso, segundo o Itaú.
Veja comentários dos analistas:
Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú
- Adiamento da nossa projeção de um primeiro corte de 0,25pp de janeiro para março decorre de o comitê querer ganhar mais confiança no processo de desinflação, em um ambiente de mercado de trabalho ainda resiliente, e do início de ciclo com precificação de mercado inconsistente com corte
- Copom buscou se posicionar de forma mais cautelosa em um ambiente de expectativas de inflação desancoradas, colhendo, com isso, um ganho importante de credibilidade
- Vacâncias no comitê também podem contribuir para um Copom mais cauteloso
Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs
- “Forward guidance” deve ser modificado, embora sem um sinal dovish claro/forte
- Copom pode retirar a referência de que “não hesitará”, como de costume, em retomar o ciclo de aumento de juros, se apropriado, e adicionar uma linguagem para indicar que a postura da política monetária já tem sido restritiva por um período razoavelmente longo e está operando conforme o esperado
Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco
- Na ausência de um forward guidance mais explícito, nossa interpretação da comunicação do BC ao longo do período entre reuniões é de que a autoridade monetária parece revelar certa preferência por um início mais cauteloso, apenas em março
Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual
- “Apesar da reprecificação recente do mercado”, BTG Pactual entende que janeiro permanece adequado para o início dos cortes de juro, dado o caráter prospectivo da política monetária e a ausência de pressões adicionais relevantes de demanda
- Ccorte de 0,25pp manteria condições monetárias ainda bastante restritivas
Benjamin Souza, estrategista para América Latina da BlackRock
- BC deve destacar o progresso da inflação, com o IPCA agora dentro da meta, e deve suavizar o tom e deixar a porta aberta para possíveis cortes, mas de forma cautelosa
- Mudanças na comunicação devem ser sutis
Marco Antonio Caruso e Ana Julia Costa, economistas do Santander
- BC deve manter taxa, com comunicado largamente inalterado, o que pode ser lido como hawkish pelo mercado
- Projeção de inflação do 3º trimestre de 2027 deve ficar em 3,2%
Caio Megale e economistas da XP
- Comunicação deve deixar mais clara a possibilidade de BC iniciar cortes de juros em março, uma vez que as perspectivas de inflação melhoraram desde a elevação da Selic para 15,00%
- Uma forma de fazê-lo seria reforçar a necessidade de manutenção de uma política monetária contracionista, mas não “significativamente contracionista”, como o Copom vem afirmando em comunicações recentes
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter
- Copom deve deixar em aberto os próximos passos, incluindo a possibilidade de início da flexibilização em março
- Com o câmbio mais baixo e a Selic mais alta por mais tempo, as projeções do BC já devem indicar a inflação no centro da meta no horizonte relevante da política monetária
Flavio Serrano, economista-chefe do Banco BMG
- BC poderia tirar o “não hesitará”, mudando um pouco a comunicação do período bastante prolongado para suficientemente prolongado
Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital
- BC não vai deixar expressa a queda nos juros na reunião subsequente, embora a probabilidade disso ocorrer seja relativamente elevada
Olga Yangol, chefe de pesquisa econômica e estratégia para mercados emergentes do Crédit Agricole
- Foco será no comunicado e se o Copom vai sinalizar um início iminente do ciclo de corte
- Vê 50% de chance de o BC sinalizar início do ciclo em março
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