Bloomberg Línea — Em um dia de agenda esvaziada no ambiente doméstico, os investidores monitoram novas falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em busca de pistas sobre a política monetária.
Por aqui, o destaque é a aprovação da reforma tributária no Senado, que agora volta para a Câmara dos Deputados.
As atenções também recaem sobre a safra de balanços corporativos, com a divulgação dos resultados trimestrais de empresas como Petrobras (PETR3; PETR4) e Bradesco (BBDC4).
Confira a seguir cinco destaques desta quinta-feira (9):
1. Reforma tributária
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45 da reforma tributária foi aprovada na quarta-feira (8) no Senado. O Plenário aprovou a proposta em dois turnos, com 53 votos favoráveis e 24 contrários e nenhuma abstenção. Eram necessários 49 votos favoráveis.
A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados, de onde veio, dado que foi modificada no Senado. O objetivo da proposta é simplificar tributos.
O texto prevê a substituição de cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por três: Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto Seletivo (IS). A proposta também prevê isenção de produtos da cesta básica e uma série de outras medidas.
O relator, Eduardo Braga (MDB-AM), destacou que a proposta não vai representar aumento de carga tributária. O texto prevê uma “trava” para a cobrança dos impostos sobre o consumo, ou seja, um limite que não poderá ser ultrapassado.
2. Powell
O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou ontem (8) que o banco central americano deve estar disposto a ir além das simulações matemáticas complexas que tradicionalmente utiliza para prever a economia.
“O rigor intelectual deve ser combinado com flexibilidade e agilidade”, disse em seu discurso de abertura em uma conferência em comemoração ao 100º aniversário da Divisão de Pesquisa e Estatísticas do Fed.
Powell, contudo, não fez comentários sobre a perspectiva da política monetária ou da economia em seu discurso. Com isso, as novas falas do presidente da autoridade monetária ganham mais relevância nesta quinta às 16h (horário de Brasília).
Os mercados futuros precificam quase nenhuma chance de aumento na taxa de juros e preveem que o nível atual da taxa de referência do Fed – 5,25% a 5,5% – marcará o pico do ciclo de aperto.
3. Mercados
Os futuros de ações dos Estados Unidos sobem nesta manhã depois que o S&P 500 registrou uma sequência de oito dias consecutivos de ganhos. O rendimento dos títulos do Tesouro americano recuava antes de mais discursos de autoridades do banco central.
Embora o ímpeto tenha diminuído, o S&P 500 subiu levemente nesta semana e, se o índice fechar em alta por mais um dia, seria a mais longa sequência de ganhos desde 2004.
Antes da abertura dos mercados em Nova York, a Walt Disney avançava 4% depois que o lucro superou as estimativas. A Arm Holdings, por outro lado, caía 6% após seu primeiro balanço desde o IPO apresentar uma previsão de vendas decepcionante.
Na Europa, os mercados tinham ganhos, com o índice Stoxx 600 subindo 0,6% por volta das 8h25 (horário de Brasília).
Já entre as commodities, o petróleo era negociado perto de uma mínima de três meses após cair quase 7% nas duas últimas sessões.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Qual será o impacto da reforma tributária para o Brasil? Veja o que dizem empresários e executivos
Folha de S. Paulo: Governo Lula vê desgaste com Juscelino, mas busca evitar atrito com União Brasil
O Globo: Tríplice fronteira e relação com traficantes: entenda os interesses do Hezbollah no Brasil
Valor Econômico: Reforma tributária: feito histórico, mas ainda é cedo para comemorar
5. Agenda
Zona do Euro:
- 14h30: discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE
Estados Unidos:
- 10h30: Pedidos de auxílio-desemprego
- 11h30: falas de Thomas Barkin e Raphael Bostic, do Fed
- 14h: falas de Kathleen Paese, do Fed
- 16h: Powell participa de conferência
-- Com informações da Bloomberg News
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