Bloomberg — Cresce o número de instituições que passaram a reduzir suas projeções para a flexibilização monetária sinalizada pelo Banco Central.
Bancos que previam um corte de 0,50 ponto percentual da Selic na quarta-feira passaram a prever juro estável, em 15%, ou uma redução mais modesta, de 0,25pp, diante de um cenário de maior risco externo pela escalada dos preços internacionais do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio.
A maior mudança veio da XP, que passou a prever a manutenção da taxa básica, com expectativa de uma “abordagem mais cautelosa” pelo comitê. “O fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom piorou o cenário para a inflação”, afirma a XP em nota assinada pelo economista-chefe Caio Megale.
Na avaliação do BNP Paribas, o Copom poderia “até mesmo adiar o início do ciclo de afrouxamento para a reunião de abril, quando as autoridades presumivelmente teriam mais clareza tanto sobre a atividade doméstica quanto sobre a geopolítica”, segundo relatório assinado por Fernanda Guardado, chefe de economia para América Latina, e Mario Castro Martinez, estrategista-sênior de câmbio e renda fixa.
Bancos como Itaú, Goldman Sachs, BNP Paribas, Bank of America, Santander e BTG Pactual agora projetam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Banco Central.
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Para o BTG, em relatório assinado por Tiago Berriel, Iana Ferrão, Ederson Schumanski e Mateus Della, “o tamanho do choque recente no petróleo e a elevada incerteza sobre sua persistência justificariam, em nossa avaliação, um início de ciclo mais conservador, com corte de 0,25pp, acompanhado de sinalização de que o ciclo deve continuar na próxima reunião, com ritmo dependente da evolução do cenário”.
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou o preço do petróleo Brent em cerca de 40% desde o começo do conflito, em 28 de fevereiro, superando US$ 100 o barril. O índice de inflação IPCA acima do esperado e atividade ainda aquecida, além das expectativas inflacionárias desancoradas contribuem para o quadro de maior cautela.
A guerra fez com que os juros futuros reduzisse as apostas de corte da Selic de 48,3 pontos-base, antes da guerra, para 21 pontos nesta segunda-feira, segundo dados compilados pela Bloomberg — o que indica precificação de um alívio monetário de 0,25pp pelo mercado financeiro.
No Copom de janeiro, o Banco Central indicou que cortaria a Selic em março em se confirmando o cenário esperado. O BC afirmou, porém, que manteria a “restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta, e falou em “serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo” de flexibilização monetária. “A estratégia envolve calibração do nível de juros”, disse o BC na época.
No início do mês, no dia 5, quando a guerra já estava em andamento, o diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, disse que a calibragem dos juros para a próxima reunião “segue válida”, acrescentando que os próximos passos serão “cuidadosamente analisados”. David pontuou que a política monetária deve ser conduzida com serenidade, o que “não significa inação”, mas sim, “deixar a emoção de fora dos dados”.
O guidance colocado em janeiro pelo BC, assim como os discursos recentes dos diretores fazem a inação ter um custo de credibilidade, segundo relatório assinado pelo economista do Santander, Marco Caruso. No entanto, o choque vindo do petróleo combinado com o natural conservadorismo de início de ciclo fazem um corte de 0,50pp “igualmente sem apelo”.
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