Mercados

Balanços, emissão de dívida na China e Powell: os eventos que movem os mercados

Os operadores repercutem os resultados de gigantes da tecnologia e o aumento do orçamento chinês via emissão de bônus; hoje tem discurso do presidente do Fed e balanço da Meta

Estes são os eventos que orientam os investidores e movem os mercados hoje
Por Bianca Ribeiro e Michelly Teixeira
25 de Outubro, 2023 | 06:50 AM

Barcelona, Espanha — O foco dos investidores se dirige aos balanços, com a Meta (META) divulgando suas cifras, enquanto o noticiário geopolítico no Oriente Médio está mais pausado. Os mercados também observam a decisão da China de ampliar extraordinariamente seu orçamento com um plano bilionário de emissão de dívida para garantir o crescimento do país. Um discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, será acompanhado de perto pelos investidores, atentos a qualquer pista sobre o rumo dos juros nos EUA.

🏦 Lucros bancários. As maiores taxas de juros na Europa e no México garantiram ao Santander (SAN) um lucro líquido de €2,9 bilhões (US$3,1 bilhões) no terceiro trimestre, acima da média prevista pelo mercado (€2,79 bilhões). O Lloyds (LYG) também superou as previsões, com lucro líquido de 1,86 bilhão de libras (US$ 2,3 bilhões) no período, após provisões menores para empréstimos problemáticos. No Deutsche Bank (DB), a alta de +7% no lucro trimestral, de €1,72 bilhão, e de +3% na receita, para €7,13 bilhões, deve colocar o banco alemão no caminho para atingir o teto da meta para o faturamento, de €29 bilhões, e garantir mais proventos aos acionistas.

🇨🇳 Apoio gigante. Em um raro ajuste orçamentário fora de época, a China aprovou um plano para elevar a dívida fiscal neste ano de 3% para 3,8%, com emissão adicional de dívida soberana de US$137 bilhões no quarto trimestre. O objetivo é apoiar a meta de crescimento econômico de +5% neste ano. Os mercados locais reagiram positivamente, apesar de concretizado o esperado calote da incorporadora chinesa Country Garden.

🌬️ Resultados com nuvem. O aumento de +13% da receita da Microsoft (MSFT) no último trimestre, para US$56,5 bilhões, foi o maior já registrado em seis trimestres, com ganhos associados à melhora da divisão de computação em nuvem gerada pela demanda de produtos ligados à inteligência artificial. O lucro líquido foi de US$2,99 por ação no período, e as ações subiam ao redor de 3% antes da abertura dos negócios em Nova York. Por outro lado, as ações da Alphabet (GOOGL)recuavam ao redor de 7% após a controladora do Google informar que a receita de sua unidade de computação em nuvem caiu para US$266 milhões no terceiro trimestre, bem inferior à média estimada (US$434 milhões). O lucro líquido foi de US$1,55 por ação, ante previsão de US$1,45 por ação.

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🏯 Subsídio a semicondutores. O Japão pretende garantir um subsídio adicional de 1,49 trilhão de ienes (US$10 bilhões) para dois projetos associados a semicondutores: uma segunda fábrica da Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSM), que consumirá 900 bilhões de ienes, e o empreendimento japonês de chips Rapidus, que receberá o restante. Hoje, as ações da empresa japonesa de equipamentos de chips Kokusai Electric saltaram 28% em Tóquio após a maior oferta pública inicial no país desde 2018.

🤼‍♀️ Parceiro na China. A Decathlon procura um parceiro estratégico e negocia a venda de uma participação minoritária no seu negócio na China, segundo a Bloomberg, o que poderia dar à unidade uma avaliação de pelo menos US$1 bilhão.

📈 O vaivém dos ativos. Os contratos futuros de índices dos EUA operavam com sinais mistos, assim como as bolsas europeias. Na Ásia, o fechamento foi majoritariamente positivo. Em outros mercados, o prêmio de risco do título de 10 anos dos EUA, em alta, era de 4,87%. No mercado cambial, o euro e a libra esterlina se depreciavam frente ao dólar, enquanto o iene se valorizava pouco. O ouro recuava e os contratos de petróleo bruto WTI subiam ligeiramente, cotados ao redor de US$83 por barril.

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(Com informações de Bloomberg News)

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🟢 As bolsas ontem (24/10): Dow Jones Industrials (+0,62%), S&P 500 (+0,73%), Nasdaq Composite (+0,93%), Stoxx 600 (+0,44%), Ibovespa (+0,87%)

Após uma longa série de perdas, os investidores voltaram às compras no mercado acionário, apostando no impulso dos resultados das big techs. Após o fechamento, a Microsoft apresentou receita acima das previsões, embora o desempenho da Alphabet (Google) tenha ficado aquém das estimativas.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Vendas de Casas Novas/Set, Licenças de Construção, Índice de Compras-MBA, Juros de Hipotecas de 30 anos-MBA, Estoques de Petróleo em Cushing

Europa: Zona do Euro (Massa Monetária /Set, Empréstimos a Empresas não Financeiras/Set, Empréstimos ao Setor Privado); Alemanha (Expectativas de Negócios/Out, Avaliação da Situação Atual/Out, Índice Ifo de Clima de Negócios/Out); Espanha (IPP)

Ásia: Japão (Índice de Indicadores Antecedentes, Investimentos Estrangeiros em Ações Japonesas, Compra de Títulos Estrangeiros)

América Latina: Brasil (Confiança do Consumidor-FGV/Out, Receita Tributária Federal, Fluxo Cambial Estrangeiro); Argentina (Vendas no Varejo/Ago)

Bancos centrais: Discurso de Jerome Powell (Fed)

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Balanços: Meta, T-Mobile, IBM, Boeing, Porsche, Heineken

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Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

Jornalista especializada em economia e finanças, com passagem por redações e veículos focados em economia, como Valor Econômico, Agência Estado e Folha de S.Paulo.

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.