Venezuela de Maduro recebe nafta de Eni e Repsol para aliviar falta de combustível

Carregamento das duas grandes petrolíferas da Europa é misturada com gasolina menos refinada para abastecimento de postos do país, segundo fontes disseram à Bloomberg News

Motoristas de carros e motos formam filas para abastecer em posto da PDVSA em Maracay, na Venezuela (Foto: Gaby Oraa/Bloomberg)
Por Fabiola Zerpa
30 de Agosto, 2023 | 07:38 PM

Bloomberg — O presidente Nicolás Maduro recebeu pela primeira vez um impulso das grandes petrolíferas europeias Eni e Repsol com um carregamento de nafta para ajudar a aplacar a escassez de combustível que manteve os venezuelanos em filas durante dias em postos e estações.

A petrolífera estatal do país, a PDVSA (Petroleos de Venezuela SA), descarrega um carregamento de 260 mil barris de nafta enviado pela italiana Eni e pela espanhola Repsol, segundo três pessoas familiarizadas com a situação que falaram à Bloomberg News.

A nafta será misturada com gasolina menos refinada produzida no centro de refino de Paraguana para ajudar a aliviar a escassez de combustível que afeta motoristas venezuelanos, disse uma das pessoas.

Não estão claros os termos da troca, mas as empresas europeias e a PDVSA estão em negociações para um cronograma de fornecimento de combustível, disse uma das pessoas.

PUBLICIDADE

A Eni recusou-se a comentar os detalhes da transação “uma vez que são sensíveis do ponto de vista comercial” e disse que todas as suas atividades na Venezuela estão em conformidade com as disposições de sanções. A Repsol e a PDVSA não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Esta é a primeira vez que as grandes empresas europeias enviam nafta para a Venezuela desde que os EUA impuseram sanções à PDVSA em 2019. Antes disso, a Venezuela fornecia regularmente petróleo bruto em troca de gasolina, diesel e diluente, de empresas como Repsol, Reliance e uma subsidiária da russa Rosneft.

A Eni e a Repsol exportam petróleo da Venezuela desde o ano passado, depois de um acordo em uma carta do Departamento do Tesouro dos EUA.

O navio Minerva Xanthe chegou em 29 de agosto egresso do porto de Milazzo, da Eni, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A atual produção de combustível da Venezuela é de cerca de 95.000 barris por dia, o que não é suficiente para satisfazer a demanda.

A maior parte do abastecimento do seu sistema de refino é direcionada para a capital Caracas para evitar interrupções. Outras cidades do país sofrem há muito tempo com racionamento, com muitos postos de combustível fechados ou operando apenas algumas horas por dia.

- Com a colaboração de Lúcia Kassai.

PUBLICIDADE

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Maduro visita Lula em plano de reconstrução de relações na América do Sul