Nem SP nem Buenos Aires: esta será a cidade latina com maior alta do consumo até 2030

Os maiores mercados de consumo da América Latina apresentarão um crescimento abaixo da média regional , enquanto as cidades menores terão um desempenho melhor, segundo relatório da Oxford Economics

Georgetown, Guyana
26 de Março, 2026 | 07:44 PM

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Bloomberg Línea — Georgetown, na Guiana, será a cidade de maior crescimento relativo no gasto dos consumidores da América Latina até 2030, impulsionada pelo aumento da produção de petróleo.

A capital guianense deve registrar uma alta no gasto real de 7,9% ao ano até 2030, segundo relatório da Oxford Economics.

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Graças à “vertiginosa expansão” da produção de petróleo derivada de descobertas recentes, Georgetown será a única cidade latino-americana no ranking das 100 cidades do mundo com maior crescimento no gasto de consumo, ocupando o oitavo lugar.

O gasto dos consumidores de Georgetown alcançaria US$ 1,5 bilhão, de acordo com a projeção da consultoria britânica.


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Em contraste, Porto Príncipe (Haiti) ficará muito abaixo da média regional, situando-se entre as cidades de crescimento mais lento do mundo.

Apesar de ter o maior crescimento regional, o mercado total de Georgetown continuará sendo pequeno em comparação com outras grandes cidades da América Latina.

Depois dela, a segunda cidade na região com maior perspectiva de expansão do gasto dos consumidores é Santo Domingo (4,7%), na República Dominicana, chegando a US$ 37 bilhões.

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O crescimento também será significativo em Lima (2,8%), até US$ 83 bilhões, e Santiago do Chile (2,6%), até US$ 89 bilhões.

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Em seguida aparecem metrópoles das maiores economias da região, como Cidade do México, com crescimento estimado de 1,7% e gasto dos consumidores de US$ 250 bilhões.

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Mais abaixo, com crescimento de 1,5%, estão Buenos Aires (US$ 170 bilhões) e São Paulo (US$ 200 bilhões).

Segundo a Oxford, os maiores mercados de consumo da América Latina crescerão abaixo da média regional em gasto, enquanto as cidades menores terão desempenho melhor.

“Projetamos que o crescimento do gasto dos consumidores nas cidades latino-americanas ficará abaixo do de seus pares globais — em particular na Ásia — até 2030”, disseram os analistas. “No entanto, o desempenho variará de forma marcante entre as cidades.”

De qualquer forma, a Oxford espera que as cidades latino-americanas contribuirão de maneira significativa para o crescimento global do gasto.

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Entre as 1.000 cidades cobertas por seu serviço global, as 113 cidades latino-americanas incluídas na análise contribuirão com cerca de 7% do crescimento nominal do gasto dos consumidores até 2030.

Nos próximos cinco anos, o gasto nominal dos consumidores na região se aproximará de US$ 7,3 trilhões, um aumento de aproximadamente US$ 1,7 trilhão em relação a 2025, superando o total combinado dos países do Oriente Médio e da África.

Ascensão da classe média urbana e mudanças demográficas

A Oxford projeta que o aumento da renda das famílias, aliado a uma melhora gradual na distribuição de renda, será um dos principais motores do crescimento do gasto na região.

Com vista a 2030, prevê que as cidades latino-americanas concentrarão a maior proporção mundial de domicílios de renda média (aqueles que ganham entre US$ 20 mil e US$ 70 mil em termos nominais), consolidando uma classe consumidora sólida que dinamizará especialmente o gasto discricionário.

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Nesse contexto, categorias como restaurantes e lazer devem registrar os maiores crescimentos reais.

Ao mesmo tempo, as tendências demográficas também estão redefinindo os padrões de consumo na região.

“É provável que os altos índices de urbanização e as modestas taxas de natalidade limitem o crescimento impulsionado pela população, embora se preveja que algumas cidades — como Lima e Bogotá — fujam dessa tendência”, segundo o relatório.

Os analistas dizem que, embora a região continue envelhecendo, sua estrutura etária se mantém relativamente equilibrada.

Assim, os consumidores mais velhos, que dispõem de mais tempo livre e de um maior patrimônio acumulado, impulsionarão o gasto em algumas categorias.

E “uma proporção relativamente maior de menores de 14 anos contribuirá para manter a oferta de mão de obra à medida que aumente a taxa de dependência dos idosos”, explica a Oxford.

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