Índice Big Mac mostra real subvalorizado e preço no Uruguai como mais alto da região

Criado pela revista The Economist em 1986, índice utiliza o preço do hambúrguer do McDonald’s como referência e aponta preço no Brasil 6% abaixo do valor de referência, enquanto peso uruguaio aparece 77,4% acima

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Bloomberg Línea — O Índice Big Mac, criado pela revista The Economist em 1986, utiliza o preço do hambúrguer do McDonald’s como referência para avaliar se as diferentes moedas internacionais estão em seu “nível justo” em relação ao dólar americano, com base na teoria da paridade do poder de compra (PPC).

De acordo com a teoria da paridade do poder de compra, entende-se que “no longo prazo, as taxas de câmbio deveriam se ajustar à taxa que igualaria os preços de uma cesta idêntica de bens e serviços (neste caso, um hambúrguer)” em quaisquer dois países.

“A medição sem ajuste por renda apresenta uma comparação direta de preços em dólares. Sob essa perspectiva, o Uruguai, a Colômbia e a Costa Rica parecem relativamente caros, o México se aproxima do equilíbrio, enquanto o Chile, o Peru, o Brasil e a Argentina parecem baratos”, disse à Bloomberg Línea Emanoelle Santos, analista de mercados do aplicativo de investimentos XTB.

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No entanto, ele afirma que esse resultado ainda “não permite concluir que suas moedas estejam subvalorizadas, pois parte da diferença se deve ao fato de que salários, aluguéis e serviços costumam custar menos em economias com renda mais baixa”.

É assim que o dado mais relevante surge quando se inclui o PIB per capita.

A Colômbia e o México apresentam uma supervalorização significativa, o que indica que seus preços são elevados, mesmo em comparação com o que seria de se esperar para seu nível de desenvolvimento.

A Argentina também passa de uma ligeira subvalorização para uma sobrevalorização, refletindo o forte aumento dos preços internos.

No Chile e no Peru, grande parte do aparente desconto desaparece com o ajuste, de modo que suas moedas parecem estar mais próximas do equilíbrio.

O Brasil continua apresentando uma subvalorização moderada, um sinal um pouco mais consistente de que seus preços internos permanecem baixos em relação ao dólar.

“De modo geral, esse ajuste permite distinguir entre uma moeda realmente barata e um país onde os preços são mais baixos principalmente porque seu nível de renda também é mais baixo”, observou Santos.

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As moedas da América Latina

A última atualização do Índice Big Mac, com dados de julho, mostra quais são as moedas mais sobrevalorizadas e subvalorizadas da América Latina.

De acordo com o Índice, um Big Mac custa 43,7% a mais no Uruguai (US$ 8,94) do que nos Estados Unidos (US$ 6,22), com base na taxa de câmbio de mercado.

Esse nível é quase comparável ao do franco suíço (45,4%).

Mas, considerando as diferenças no PIB per capita, um Big Mac no Uruguai deveria custar 19% a menos.

Assim, a versão ajustada ao PIB mostra que o peso uruguaio está supervalorizado em 77,4% em relação ao dólar.

Peso uruguayo

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Outra das moedas latino-americanas mais supervalorizadas é o peso colombiano.

Na Colômbia, um Big Mac custa 28,7% a mais (US$ 8) do que nos Estados Unidos, ao câmbio de mercado.

De acordo com as diferenças no PIB per capita, um Big Mac deveria custar 21,4% a menos na Colômbia, segundo a revista The Economist.

Isso sugere que o peso colombiano está supervalorizado em 63,6% na versão ajustada ao PIB.

Peso colombiano

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No caso da Costa Rica, um Big Mac custa 12,5% a mais (US$ 7) do que nos Estados Unidos, ao câmbio de mercado.

De acordo com as diferenças no PIB per capita, um Big Mac deveria custar 18,6% a menos.

De acordo com a revista The Economist, isso sugere que o colón da Costa Rica está supervalorizado em 38,1%, quando ajustado ao PIB.

Outra das moedas mais supervalorizadas em relação ao dólar é o peso mexicano, já que um Big Mac custa 0,8% a mais no México (US$ 6,27) do que nos Estados Unidos, ao câmbio de mercado.

De acordo com as diferenças no PIB per capita, um Big Mac deveria custar 19,6% a menos. Isso sugere que o peso mexicano está supervalorizado em 25,4%, quando ajustado ao PIB.

Peso mexicano

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Pela taxa de câmbio de mercado, um Big Mac custa US$ 5,91 na Argentina, 5% a menos do que nos Estados Unidos.

No entanto, ao ajustar a comparação levando em conta as diferenças de renda entre os dois países, o índice estima que o hambúrguer deveria custar 20,2% a menos.

Com base nesse cálculo, conclui-se que o peso argentino está supervalorizado em 19%.

Peso argentino

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Seguindo a mesma fórmula, o Índice Big Mac 2026 mostra que outras moedas, como o lempira hondurenho (7,7% ajustado ao PIB), o peso chileno (6,1%), o córdoba nicaraguense (5,9%) e o sol peruano (0,5%) também estão supervalorizadas.

Em menor proporção, um grupo de países apresenta moedas subvalorizadas em relação ao dólar.

Por exemplo, o real brasileiro está subvalorizado em 6% e o quetzal guatemalteco em 9%, de acordo com a atualização do Índice Big Mac 2026.

Um caso excepcional é o da Venezuela, onde um Big Mac custa 27,5% menos (US$ 4,51) do que nos Estados Unidos, ao câmbio de mercado.

“De acordo com as diferenças no PIB per capita, um Big Mac deveria custar 100% menos. Isso sugere que o bolívar venezuelano não está supervalorizado”, segundo o Índice.

Por trás do resultado

As diferenças entre os países podem refletir trajetórias distintas de inflação, taxas de juros, disciplina fiscal, preços das matérias-primas, entradas de capital e confiança na política econômica.

Renato Campos, CEO da empresa financeira Greyhound Trading, explica que uma moeda subvalorizada torna aquele país mais barato para o turista estrangeiro e mais competitivo para as exportações.

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No entanto, esse benefício tem um custo, pois encarece os combustíveis, as máquinas, a tecnologia e os bens importados, reduzindo o poder de compra das famílias e gerando pressão inflacionária.

Uma moeda supervalorizada, como o peso uruguaio ou o colombiano, encarece o turismo receptivo e as exportações, embora isso geralmente venha acompanhado de maior estabilidade cambial ou da entrada de dólares por meio de remessas, investimento estrangeiro direto ou exportação de hidrocarbonetos.

Na opinião dele, as diferenças entre as moedas se devem a fundamentos muito distintos.

Na Colômbia, por exemplo, “o peso vem se valorizando há meses devido aos fluxos de capital e às altas taxas de juros”, enquanto no México a moeda se mantém mais graças ao nearshoring e às remessas.

O Brasil mantém um indicativo de maior competitividade cambial, enquanto a Argentina apresenta um quadro menos confiável devido à alta inflação e às distorções que podem afastar os preços internos da taxa de câmbio observada.

No caso do Peru, ele comentou que o sol se mantém estável graças à sua âncora fiscal.

De qualquer forma, os analistas apontam que o Índice do Big Mac deve ser considerado apenas como uma referência aproximada, pois o hambúrguer incorpora muitos custos que não estão diretamente relacionados ao comércio internacional.

A competitividade efetiva também depende da produtividade, da infraestrutura, dos custos logísticos e da capacidade empresarial, enquanto o efeito de uma desvalorização sobre a inflação será menor em países com bancos centrais confiáveis e expectativas bem ancoradas.

No entanto, “o Índice é um termômetro da PPA de longo prazo, não um indicador de curto prazo; ele indica se uma moeda está ‘cara’ ou ‘barata’ em relação aos seus fundamentos, mas não quando nem em que medida ela sofrerá uma correção”, observou Renato Campos. “Para isso, é preciso prestar atenção às taxas de juros, aos fluxos de capital e à balança comercial, e não apenas ao preço do hambúrguer por si só”.

O índice pode indicar uma tendência de longo prazo para a valorização ou desvalorização, mas não permite prever o momento em que essa variação ocorrerá, observa Emanoelle Santos.

Durante períodos prolongados, as moedas podem se afastar da paridade do poder de compra devido às taxas de juros, ao risco político, aos fluxos financeiros e aos choques externos. Portanto, “essas avaliações funcionam como uma referência estrutural e não como uma previsão imediata do dólar”, observou a analista.