Como passageiros da FlyDubai evitaram um acidente após piloto esfaquear colega em voo

Aeronave com 170 passageiros voava de Dubai para Tel-Aviv quando um dos pilotos atacou colega; ‘eles impediram um enorme desastre’, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu

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Bloomberg — O piloto de um avião que transportava mais de 170 passageiros com destino a Tel Aviv esfaqueou seu colega e tentou causar a queda da aeronave, em um incidente que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou como grave problema de segurança.

A catástrofe foi evitada por um triz depois que um passageiro e membros da tripulação invadiram a cabine do avião da FlyDubai, que havia decolado de Dubai, e conseguiram estabilizar a aeronave, depois que ele desceu mais de 14.000 pés (4.300 metros) em menos de 30 segundos, quase à velocidade do som.

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“Eles impediram um enorme desastre”, afirmou Netanyahu em uma entrevista coletiva na quarta-feira (30). O avião realizou posteriormente um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita, onde o agressor, cuja identidade não foi revelada, foi interrogado pelas autoridades locais.

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O pouso dramático, a centenas de milhas de seu destino previsto, ocorreu após uma descida angustiante cerca de duas horas após o início da viagem. O Boeing 737 despencou antes de recuperar altitude e transmitiu um sinal de socorro de emergência geral, seguido por uma chamada de “interferência ilegal” sugerindo um possível sequestro, de acordo com dados do Flightradar24.

Após entrar brevemente no espaço aéreo jordaniano, o voo fez uma manobra de retorno de 180 graus antes de seguir para sudoeste em direção a Tabuk, informou o site.

Fotos não verificadas da aeronave após o pouso na Arábia Saudita mostraram que o leme do estabilizador vertical estava faltando — dano que pode ocorrer quando as superfícies de voo são movimentadas de forma muito agressiva em altas velocidades.

O incidente ocorreu no momento em que Netanyahu concorre à reeleição, daqui a algumas semanas, com a promessa de segurança mais rigorosa para seus 10 milhões de cidadãos.

A tentativa de sequestro poderia ajudar a inclinar os eleitores indecisos a seu favor — embora seus principais concorrentes também estejam prometendo a segurança como sua principal prioridade, continuando a combater o Irã e suas milícias aliadas.

Netanyahu afirmou que quase todos os passageiros do voo eram israelenses e que aqueles que intervieram “demonstraram desenvoltura e coragem excepcionais”.

“Eles salvaram muitas vidas”, disse ele.

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A companhia aérea afirmou em comunicado que “as razões e os motivos subjacentes a este evento são desconhecidos e permanecem sujeitos a uma investigação formal”. Um voo de repatriação enviado para resgatar os passageiros já pousou em Tel Aviv com os passageiros a bordo.

As aeronaves 737 MAX 8 da Flydubai geralmente têm capacidade para cerca de 174 pessoas. A intervenção dos passageiros e da tripulação provavelmente conseguiu evitar um acidente que teria sido considerado o pior desastre aéreo em mais de um ano.

Suicídios de pilotos são raros, mas já ocorreram ocasionalmente no passado. Em 2015, um Airbus A320 operado pela Germanwings caiu nos Alpes franceses depois que um dos pilotos se trancou na cabine e dirigiu a aeronave contra uma montanha, matando todas as 150 pessoas a bordo.

O voo 370 da Malaysian Airlines, que desapareceu em 2014, também é amplamente considerado uma missão suicida do piloto, embora a causa definitiva ainda não tenha sido determinada, uma vez que a aeronave nunca foi encontrada.

O voo da Air India que se acidentou no ano passado durante o trajeto de Ahmedabad para Londres-Heathrow, matando 241 pessoas a bordo e 19 em terra, também pode ter sido causado por interferência do piloto, embora um relatório final sobre o que ocorreu na cabine ainda esteja pendente.

Tabuk está localizada no noroeste da Arábia Saudita, próxima à fronteira entre a Jordânia e a Arábia Saudita. A Flydubai informou que suas equipes trabalham em estreita colaboração com as autoridades competentes para definir os próximos passos.

Um porta-voz do Ministério dos Transportes de Israel afirmou que as autoridades dos Emirados Árabes Unidos estão trabalhando para repatriar os israelenses retidos na Arábia Saudita.

O gabinete do primeiro-ministro israelense também declarou que “todas as medidas estão sendo tomadas no momento para que os passageiros israelenses retornem em segurança a Israel”.

Os sequestros de aviões têm se tornado cada vez mais raros nas últimas décadas, à medida que os governos desenvolveram protocolos e regulamentações internacionais para aumentar a segurança aérea.

Israel possui algumas das medidas de segurança mais rigorosas para voos, em consequência de uma série de tentativas e casos concretos de sequestro ocorridos na década de 1970.

A Flydubai, companhia aérea irmã da Emirates, iniciou voos diários entre Tel Aviv e Dubai no final de 2020 e, desde então, ampliou suas operações para 70 voos semanais, de acordo com o site da companhia aérea. Os Emirados Árabes Unidos tornaram-se um destino de férias popular entre os turistas israelenses.

-- Com a colaboração de Ethan Bronner, Dan Williams, Leen Al-Rashdan, Gerry Doyle, Vivien Ngo e Alisa Odenheimer.

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