Argentina acerta recompra de US$ 3 bi com bancos para ajudar a pagar dívida

O financiamento garantido ocorre enquanto o governo do presidente Javier Milei busca angariar dólares suficientes para honrar o pagamento, mas opta por não retornar aos mercados internacionais de títulos de dívida

Valor vai ajudar a cobrir um pagamento de dívida soberana de US$ 4,3 bilhões com vencimento em 9 de janeiro
Por Ignacio Olivera Doll - David Feliba
07 de Janeiro, 2026 | 01:06 PM

Bloomberg — A Argentina firmou um acordo de recompra, conhecido como repo, com um grupo de bancos no valor total de US$ 3 bilhões para ajudar a cobrir um pagamento de dívida soberana de US$ 4,3 bilhões com vencimento em 9 de janeiro, de acordo com um comunicado do banco central do país.

O banco central chegou a um acordo de um ano com os credores, cujos nomes não foram divulgados, a uma taxa de 7,4%, informou a instituição na manhã desta quarta-feira.

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O financiamento garantido ocorre enquanto o governo do presidente Javier Milei busca angariar dólares suficientes para honrar o pagamento, mas opta por não retornar imediatamente aos mercados internacionais de títulos de dívida.

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Na segunda-feira, o Tesouro da Argentina comprou mais da metade dos recursos obtidos na privatização de usinas hidrelétricas no valor de US$ 700 milhões, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

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O banco central, por sua vez, fez a primeira compra de dólares em nove meses, com a aquisição de US$ 21 milhões no mercado cambial, de acordo com um comunicado oficial. A autoridade monetária comprou outros US$ 83 milhões na terça-feira.

Semanas atrás, o ministro da Economia, Luis Caputo, disse que os bancos haviam oferecido até US$ 7 bilhões em financiamento via repos, entre outras opções em análise.

Como parte dos preparativos, na semana passada, o Ministério da Economia realizou uma troca de dívida com o banco central. A transação ajuda a reunir garantias em títulos soberanos denominados em dólares que podem ser dadas em uma estrutura de recompra, em linha com operações anteriores envolvendo o banco central.

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Em breve, as atenções se voltarão para o potencial retorno da Argentina aos mercados internacionais. Autoridades haviam sinalizado que a resolução dos vencimentos de janeiro era um passo fundamental para comprimir ainda mais o risco-país, que já está em mínima de vários anos, e abrir caminho para captações mais baratas no futuro.

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