ONU vê restrição desproporcional da Meta à campanha de Lula antes das eleições

Especialistas das Nações Unidas afirmaram que decisões invisíveis de moderação e inteligência artificial podem afetar a capacidade de candidatos alcançarem eleitores, após a campanha de Lula denunciar restrições sistemáticas às suas publicações

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Bloomberg — Especialistas das Nações Unidas disseram que a Meta aparentemente restringiu de forma “desproporcional” contas ligadas a um dos lados da disputa presidencial, em uma aparente referência à campanha do presidente Lula.

O comunicado não cita Lula nem Flávio Bolsonaro, mas os episódios mencionados — entre eles restrições a publicações de uma das campanhas no Instagram, diferenças no alcance de audiência e na geração de imagens por inteligência artificial, além de conteúdo político que poderia beneficiar o candidato adversário — são muito semelhantes às reclamações feitas pela campanha de Lula.

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A manifestação ocorre depois que, na semana passada, um juiz da Justiça Eleitoral brasileira determinou que a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político ou relacionado às eleições. A campanha de Lula apresentou uma reclamação à Justiça na qual afirma que a Meta “tem falhado, de forma reiterada e sistemática, na entrega” das publicações do presidente aos usuários.

Lula e Flávio Bolsonaro permanecem em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto a quatro dias do segundo turno. Os dois candidatos apresentam promessas bilionárias para atrair eleitores indecisos, mas dão poucos detalhes sobre como pretendem financiá-las.

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Na segunda-feira, apoiadores de Lula protestaram contra as supostas interferências eleitorais em frente à sede da Meta, em São Paulo. Além do Facebook e do Instagram, a empresa também é dona do WhatsApp, aplicativo usado por mais de 90% dos brasileiros.

A Meta rejeitou a alegação de que suas plataformas favoreçam qualquer corrente política e afirmou que os usuários têm liberdade para se expressar nos aplicativos.

“Incidentes técnicos podem ocorrer em uma plataforma da nossa escala, mas não representam direcionamento político”, disse a empresa em comunicado, adicionando que cumpre a legislação local.

Em comunicado enviado à Justiça Eleitoral, a Meta afirmou que “as pessoas podem se expressar livremente em nossos aplicativos, sem tratamento preferencial a qualquer posicionamento político”. Na noite de terça, o tribunal realizou uma reunião com a empresa e as duas campanhas.

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A campanha de Lula também acusou separadamente a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial generativa da empresa, de recusar pedidos para criar imagens relacionadas a Lula, ao mesmo tempo em que gerava material de campanha favorável a Flávio.

“Perder alcance pode significar perder voz no debate público e a capacidade de mobilizar comunidades”, afirmaram os especialistas da ONU em um comunicado à imprensa. “Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política”.

Lula e aliados têm travado sucessivos embates com empresas globais de tecnologia e defendido uma regulamentação mais rígida das plataformas on-line, além de medidas mais fortes para conter discurso de ódio e hostilidade no ambiente digital.

Durante a eleição presidencial de 2022, autoridades determinaram que o Twitter, hoje X, e outras redes sociais removessem publicações e conteúdos que supostamente disseminavam desinformação eleitoral.

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