Bloomberg Línea — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,77% dos votos no segundo turno nas eleições deste domingo, 25, e segue para o seu quarto mandato na liderança do País. Flávio Bolsonaro, o adversário na disputa, alcançou 48,23% dos votos válidos com 99,90% das urnas apuradas.
A votação do segundo turno terminou com uma diferença de pouco mais de 4,2 milhões dos votos válidos. A disputa começou com o candidato petista liderando, ultrapassado pelo primogênito de Jair Bolsonaro passando à frente com 13,98% das urnas apuradas.
A retomada do primeiro lugar por Lula veio com 48,42% das seções apuradas. O candidato petista não largou a liderança e confirmou o quatro mandato presidencial, consolidando a posição de ser o mais longevo mandatário da história brasileiro em períodos democráticos.
Em uma eleição conturbada, com pouco espaço para propostas e marcada pelos impactos da crise no Banco Master entre os políticos e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente de 80 anos convenceu o eleitorado a lhe conferir mais um mandato.
Ao longo da campanha, Lula saiu de uma vantagem confortável no início da corrida eleitoral para um quadro mais apertado na reta final do primeiro turno, quando terminou em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
Nas semanas que antecederam o segundo turno, a campanha do candidato petista foi marcada por um elevado nível de engajamento nas ruas e nas redes sociais. Jovens deputados eleitos entraram para a campanha estimulando a presença do presidente nas redes.
O deputado eleito André Janones também criou o “exército do Lula”, um canal no WhatsApp onde distribuía missões e estratégias de engajamento e que chegou a 10 milhões de “soldados”.
A mudança na estratégia da campanha foi acompanhada pela intensificação de anúncios de medidas com apelo social. Os pagamentos do Bolsa Família de outubro foram antecipados para todos os beneficiários, já com o reajuste de 15,04%, que elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O calendário foi ajustado para que todas as transferências do mês fossem concluídas até quarta-feira, 21, quatro dias antes da votação.
No dia 9, o Planalto ampliou por 30 dias os subsídios a gasolina, etanol e diesel, o que zerou a cobrança federal (PIS/Cofins e Cide) sobre a gasolina. Também lançou o Prospera MEI, pacote que prevê o perdão de R$ 12,6 bilhões em débitos de microempreendedores inscritos na dívida ativa da União.
No período, o governo ainda anunciou a ampliação do Pé-de-Meia para universitários e comemorou o fim da escala 6×1 no Senado Federal, considerada uma vitória para a liderança esquerdista.
Segundo cálculo da Instituição Fiscal Independente (IFI), os benefícios anunciados ou ampliados pelo governo em 2026 somam impacto fiscal de R$ 298,4 bilhões, e o Novo levou ao TSE um pedido de cassação da chapa de Lula. O governo nega desrespeitar as normas eleitorais e fiscais. Em sabatina no SBT, na segunda-feira, 19, Lula rebateu as críticas e disse que não deixaria de conceder benefícios por causa da eleição.
Reeleito, Lula assumirá o quarto mandato em um cenário bem mais restritivo do que o das urnas de 2022. No campo fiscal, a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto. A proposta de Orçamento de 2027 prevê uma meta de superávit primário de 0,5% do PIB, mas permite excluir até R$ 65,7 bilhões em despesas do cálculo.
Nesse contexto, o custo do pacote de benefícios lançado em 2026 tende a aumentar a pressão por ajuste.
No Congresso, a articulação será ainda mais difícil. O PL elegeu 121 deputados, 24 a mais do que em 2022, e 19 senadores, o que o torna a maior bancada nas duas Casas a partir de 1º de fevereiro de 2027. Somados PL, Novo e Republicanos, o campo da direita chega a 172 deputados e 36 senadores.
Ao mesmo tempo, a Câmara terá representantes de 20 partidos e nenhuma força política poderá controlar sozinha o Congresso, o que dá peso decisivo ao bloco de centro e centro-direita. Assim, Lula precisará negociar votação a votação para aprovar as propostas do governo, diante de um adversário que sai da disputa com a maior bancada do Legislativo.