Bloomberg — O Banco Central do Brasil disse que determinará o tamanho e a duração de seu próximo ciclo de flexibilização monetária ao longo do tempo, enquanto os membros da diretoria analisam os dados econômicos que ainda mostram sinais mistos.
No cenário atual, “sinais mistos em relação ao ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre os níveis de preços continuam a impedir a identificação de tendências claras”, escreveram os dirigentes, liderados por Gabriel Galípolo, na ata de sua decisão de 28 de janeiro, quando mantiveram a Selic inalterada em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas.
“O Comitê avalia que a condução cautelosa da política monetária contribuiu para ganhos desinflacionários”, disseram os formuladores de políticas no documento publicado na terça-feira.
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“Ao mesmo tempo, o Comitê reafirma unanimemente a necessidade de manter as taxas de juros em níveis restritivos até que não apenas o processo de desinflação seja consolidado, mas também as expectativas estejam ancoradas na meta, dada a resiliência dos fatores que pressionam os preços atuais e esperados, particularmente o dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”, escreveram.

Os banqueiros centrais do Brasil estão se movendo em direção a um ciclo de flexibilização, à medida que a atividade econômica esfria gradualmente e a moeda se valoriza.
Os dirigentes de políticas ainda têm motivos para serem cautelosos, já que as previsões de inflação permanecem acima da meta de 3% até 2029 e os investidores estão preocupados com os gastos públicos antes da eleição presidencial deste ano.
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Até o momento, os analistas não têm certeza se o conselho reduzirá as taxas em um quarto de ponto ou meio ponto na próxima decisão em março.
O que diz a Bloomberg Economics
“O Banco Central do Brasil se absteve de sinalizar o ritmo ou a extensão de seu próximo ciclo de taxas na ata da reunião da semana passada. Isso dá flexibilidade aos formuladores de políticas diante de sinais mistos sobre a atividade e os preços dos serviços. No entanto, a falta de uma orientação mais clara também traz riscos à volatilidade do mercado e à dispersão das apostas sobre os próximos cortes.”
- Adriana Dupita, economista do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu um aumento de 6,8% no salário mínimo - o que, por sua vez, leva a maiores gastos públicos com pensões e programas sociais - bem como uma reforma que amplia o número de trabalhadores isentos do imposto de renda.
“As incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre o poder da política monetária e, consequentemente, sobre o custo da desinflação em termos de atividade”, escreveram os membros do conselho na ata.
O real brasileiro ganhou cerca de 4,6% em relação ao dólar este ano, o maior ganho entre as moedas de mercados emergentes, atrás apenas do peso chileno.
Uma taxa de câmbio mais forte ajuda a controlar a inflação, mantendo os custos de importação sob controle.
Os dirigentes escreveram que a combinação de uma taxa de câmbio mais apreciada e um comportamento mais benigno dos preços das commodities ajudou a conter a inflação dos produtos industriais e dos alimentos.
A inflação de serviços também apresentou uma certa flexibilização, embora um mercado de trabalho forte tenha levado à resistência dos custos.
A inflação anual no Brasil ficou em 4,5% na primeira quinzena de janeiro, de acordo com a agência nacional de estatísticas.
Os banqueiros centrais disseram na semana passada que veem essa taxa desacelerando para 3,2% no terceiro trimestre de 2027, que é o horizonte relevante para a política monetária.
--Com a ajuda de Robert Jameson.
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