Bloomberg — Uma corretora de jatos particulares americana que se propôs a revolucionar as viagens de luxo enfrenta processos judiciais movidos por clientes que afirmam que o dinheiro que adiantaram está retido na empresa, cujas operações foram suspensas.
Desde que a ONEflight International interrompeu suas operações no mês passado, a empresa sediada no Colorado e seu CEO, Ferren Rajput, foram alvo de pelo menos quatro ações judiciais.
As ações alegam que os clientes foram incentivados a adiantar pagamentos, mesmo enquanto a corretora enfrentava dificuldades para cumprir voos que já haviam sido pagos.
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Fundada em 2010, a empresa tornou-se este ano a parceira oficial de aviação privada da equipe da McLaren, na Fórmula 1, e também deu seu nome ao Myrtle Beach Classic, do PGA Tour.
Kevin O’Leary e Robert Herjavec, personalidades do programa “Shark Tank”, apareceram em campanhas promocionais da empresa.
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As ligações para as linhas telefônicas principal e secundária da ONEflight não foram atendidas esta semana. Rajput não respondeu a uma mensagem de voz da Bloomberg News solicitando comentários. A empresa não se pronunciou sobre as alegações da ação judicial no tribunal.
Herjavec disse à Bloomberg News na quarta-feira que não é mais embaixador da marca ONEflight e afirmou ter enviado uma carta exigindo que a empresa pare de usar seu nome e imagem.
“Estou muito chateado com o que aconteceu aos muitos clientes e funcionários que confiaram e acreditaram em Ferren e na empresa”, afirmou ele por e-mail.
Representantes da McLaren e do PGA Tour se recusaram a comentar.
O’Leary nunca investiu na ONEflight, mas sofreu prejuízo financeiro porque pagou antecipadamente por créditos de voo que não poderá recuperar, afirmou Nancy Cheung, diretora-gerente da O’Leary Ventures.
Sua equipe tomou conhecimento das dificuldades da empresa ao mesmo tempo que o público, disse Cheung.
As quatro ações judiciais alegam um padrão semelhante: clientes que já haviam investido centenas de milhares de dólares na ONEflight afirmam que a empresa ofereceu incentivos cada vez mais generosos para que depositassem mais dinheiro nos meses que antecederam a interrupção dos voos.
Os programas normalmente exigem que os clientes paguem antecipadamente pelas viagens em jato particular, e os fundos ou créditos de voo são utilizados à medida que as viagens são reservadas.
Em uma das ações, Davin Pokoik afirmou ter pago à ONEflight US$ 465.000, além de US$ 200.000 adicionais em julho, após a empresa ter prometido um valor equivalente em créditos de voo como bônus caso ele depositasse o dinheiro em até dois dias.
Ainda cerca de uma semana antes de interromper suas operações, a ONEflight ofereceu à Five-Star Audiovisua, cliente de longa data, US$ 250.000 em créditos de voo equivalentes caso a empresa depositasse outros US$ 250.000, de acordo com a ação judicial.
“Nossa oferta do Dia do Trabalho foi a promoção mais atraente que já disponibilizamos”, escreveu um vendedor, de acordo com a ação judicial. A Five-Star afirmou que não aceitou a oferta.
Em uma publicação sem data em seu site, a ONEflight informou que suspendeu os voos por 30 dias “ou até novo aviso”, enquanto avalia suas operações e situação.
O setor de fretamento de jatos particulares enfrentou dificuldades há alguns anos, à medida que a demanda impulsionada pela pandemia diminuía e os altos custos persistiam, mas vem se recuperando desde então.
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