São Pedro Capital mira R$ 1 bi em ativos com foco no setor de tecnologia global

Gestora fundada pelo ex-CEO do Google no Brasil Alex Dias combina fundo de ações globais de tecnologia, investimentos em empresas fechadas e participações em listadas; casa também se associou à UNLK para crescer em growth capital

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Bloomberg Línea — A São Pedro Capital, gestora fundada pelo ex-CEO do Google no Brasil Alex Dias, projeta chegar a R$ 1 bilhão em ativos sob gestão até o fim do ano, em uma estratégia que combina investimentos líquidos e ilíquidos no setor de tecnologia.

Fundada em 2020 em São Paulo, a casa cresceu inicialmente fazendo investimentos PIPE (Private Investments in Public Equity) em empresas no Brasil como Eletromídia e ClearSale, mas hoje se posiciona como uma gestora especializada em conectar investidores brasileiros com as oportunidades em segmentos de ponta, como inteligência artificial (IA), fora do Brasil.

Seu fundo Global Technology, focado em ações de tecnologia do exterior, completou o primeiro ano em maio com um retorno em dólares de 26,8%, e tem meta de atingir R$ 500 milhões sob gestão até o fim do ano, segundo Dias.

Ao todo, o fundo conta com 70 investidores – cerca de 70% dos recursos são de single family offices e o restante, de capital próprio.

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A visão é que boa parte dos investidores no Brasil ficou de fora da grande onda de geração de riqueza dos últimos anos impulsionada pelo avanço do setor de tecnologia, especialmente ligado à IA.

O racional da gestora é usar sua expertise para ajudar os investidores a aproveitar o movimento, ao mesmo tempo em que oferece uma diversificação em ativos fora do Brasil e precificados em dólar.

“A tecnologia é o centro da discussão sobre a evolução de modelos de negócio, e o investidor brasileiro ficou apático a esse processo”, disse Dias em entrevista à Bloomberg Línea na sede da empresa.

“O investidor lê as notícias do mercado todo dia e só se fala em Nvidia, Alphabet, SpaceX. Ele olha o portfólio dele e o que tem lá? CRI, CRA, LCI. Chega uma hora que ele pensa: preciso entender o que está acontecendo.”

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O fundo segue uma estratégia temática, acompanhando cerca de 25 temas que vão de infraestrutura de IA, nuvem, cibersegurança, e-commerce até computação quântica. Ao todo, hoje são 15 ativos em carteira, com foco em long only.

Para fazer a gestão do portfólio, a São Pedro trouxe nos últimos anos Thiago Kapulskis, ex-analista do setor de tecnologia do Itaú BBA, e José Medeiros, que fica baseado nos Estados Unidos e teve passagens por McKinsey, Robertson Stephens, Blum Capital e Stonerise Capital. Ambos também são sócios da gestora.

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Na visão de Dias, os ciclos tecnológicos estão ficando cada vez mais curtos e se sobrepondo. Se antes as ondas provocadas pelo surgimento do PC, da internet, dos smartphones aconteciam a cada oito ou dez anos, agora novos movimentos surgem a cada dois ou três anos.

“Há uma potencialização de todas as tecnologias existentes, dado o poder computacional do hardware que acompanha a inteligência artificial”, disse Dias.

Parte disso é impulsionada pelos investimentos volumosos de empresas como Amazon, Alphabet, Microsoft, Meta e Oracle, que chegam a US$ 80 bilhões em alguns casos, para expandir a infraestrutura voltada a sistemas de inteligência artificial.

“Isso é uma grande indicação da velocidade da implantação de uma nova arquitetura tecnológica. E a gente como gestor, como firma de investimento, vê isso como uma grande oportunidade, porque vai ter um processo de entendimento dessa classe de ativo”, disse. “Chamo propositadamente tecnologia como uma classe de ativo, porque ela é tão grande que por si só é uma classe de ativo.”

Dias vê a necessidade cada vez maior de gestores especializados em acompanhar esses movimentos no setor de tecnologia, movimento que também tem forçado outras casas e bancos a se adaptarem. “Vários portfolio managers vão começar a se aprofundar tanto em tecnologia que vão criar expertise porque o Brasil tem muitos talentos”, afirmou.

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Ainda que os IPOs da SpaceX, da Anthropic e da OpenAI tenham chamado a atenção, Dias avalia que há muita oportunidade de ganhos em empresas já listadas que também acompanham o movimento e que oferecem liquidez imediata ao investidor.

Ele cita como exemplo a Alphabet, holding dona do Google, cujas ações chegaram a acumular ganhos de 170% em 12 meses recentemente. “Você poderia ter ganho no Google nos últimos 12 meses quase três vezes o seu dinheiro”, disse.

Dias diz que não planeja entrar no IPO da SpaceX neste momento, mas vem monitorando a operação e prefere esperar um pouco.

Sociedade com a UNLK

Em outro campo, a São Pedro Capital também busca investir em empresas de capital fechado. A gestora se associou com a UNLK (pronuncia-se “unlock”), de Eduardo Alvarenga (ex-CEO da Eletromidia) e Felipe Oliva (da Squid), comprando um terço do capital.

Com foco em negócios de mídia e tecnologia, a gestora opera um fundo de growth capital que conta hoje com R$ 150 milhões em capital investido. Segundo Dias, a estratégia é assumir o controle das empresas do portfólio, dar apoio a sua gestão e ganhar com uma potencial valorização no futuro.

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O portfólio atual conta com duas empresas, Media Hero e Squid. A expectativa, segundo Dias, é chegar ao fim do ano com um total de R$ 300 milhões em capital levantado.

“A lógica é investir em controle e tocar companhias nesses setores tech enabled. Mídia e tecnologia são setores que estão convergindo muito e são bastante profundos no Brasil”, afirmou.

Ao mesmo tempo, a São Pedro mantém investimentos PIPE, com uma participação relevante na Enjoei (ENJU3) e na LWSA (LWSA3) - antiga Locaweb. Nos últimos anos, a gestora também chegou a ter posições na Positivo Tecnologia (POSI3), na Eletromídia (vendida ao Grupo Globo) e na ClearSale (vendida à Serasa).

A lógica consiste em tomar participações minoritárias – entre 5% e 10% – em companhias já listadas na B3 com componente relevante de tecnologia ou transformação digital em seu modelo de negócio. A gestora se posiciona como acionista ativo, ocupando assento no conselho e em comitês, sem buscar o controle.

Dias diz que avalia fazer mais um investimento em 2026, com alocação estimada de R$ 100–150 milhões, e que tem três empresas em seu pipeline, de um total de oito que são monitoradas proativamente. Ele reconhece, no entanto, que as opções no mercado brasileiro são limitadas e que o número de empresas listadas no Brasil com um componente de tecnologia está diminuindo.

“Se você me der hoje R$ 1 bilhão, eu não tenho como alocar em PIPEs de qualidade. Eu diria que a capacidade de alocação nessa classe de ativo está na ordem de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões, não muito mais do que isso”, diz.

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