‘Don’t fight the flow’: CEO da Alpha Key vê desafio de valuation com rali na bolsa

Christian Keleti diz que entrada de capital estrangeiro é tão massiva que começa a distorcer valuations na bolsa brasileira, que não conta com ativos suficientes para investir, em análise na Latin America Investment Conference, do UBS BB

Bolsa brasileira recebeu um fluxo de capital estrangeiro acima de R$ 12 bilhões no mês de janeiro – quase metade do total aportado em todo o ano passado
28 de Janeiro, 2026 | 06:58 PM

Bloomberg Línea — A bolsa brasileira recebeu um fluxo de capital estrangeiro acima de R$ 12 bilhões no mês de janeiro – quase metade do total aportado em todo o ano passado.

Os investimentos beneficiaram principalmente as maiores e mais líquidas ações da bolsa – blue chips como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e os papéis de grandes bancos.

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O movimento faz parte de uma diversificação global para bolsas emergentes, que não “olha” as empresas no detalhe e aposta em posições táticas, muitas vezes via índices como o EWZ, que representa a bolsa brasileira em dólar.

Para Christian Keleti, CEO da Alpha Key, trata-se de um cenário desafiador de alocação em que os valuations das empresas podem ficar distorcidos – ou serem reposicionados para outro patamar diante do apetite voraz do investidor estrangeiro.

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“Como o ‘gringo’ está entrando forte, nós vamos perder referência de valuation”, afirmou o gestor no segundo dia da Latin America Investment Conference (LAIC), realizada pelo UBS BB nesta quarta-feira (28), em São Paulo.

Keleti citou como exemplo a Vale, que é historicamente negociada a um múltiplo de enterprise value sobre Ebitda (EV/Ebitda) de 4,5 vezes, e já está no patamar de 5 vezes depois dos ganhos recentes – o papel saltou 20% em preço apenas neste início de ano.

Nesse caso, haveria um potencial de reposicionar o valuation da empresa, dada especialmente a expansão no negócio de cobre para os próximos cinco anos. A gigante peruana do cobre Southern Copper Corp é negociada a múltiplos de 15 vezes, como efeito de comparação.

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“Por que a Vale não poderia negociar a um múltiplo de 6 vezes ou 7 vezes? É a frase de americano: ‘Don’t fight the flow’”, afirmou.

Existem, no entanto, casos que o gestor apontou como distorção, como seria o caso da Ambev (ABEV3). “É um negócio que está decrescendo, em que é difícil repassar preço e volume, mas que está em uma alta histórica de valuation. Mesmo sem crescer há dez anos.”

A explicação por trás da entrada massiva de capital estrangeiro em emergentes é a tendência de diversificação global diante da retomada da postura agressiva do presidente americano Donald Trump diante de aliados históricos como Europa e Canadá.

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É algo que tem, inclusive, enfraquecido o dólar globalmente diante da reavaliação da estratégia de sobrealocação de ativos denominados na moeda americana.

A tendência pode ganhar força caso o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) adote uma postura mais dovish – favorável a juros mais baixos –, com a saída do presidente do Fed, Jerome Powell, em maio deste ano.

Keleti citou ainda um terceiro vetor que pode impulsionar a bolsa brasileira: a queda na taxa básica de juros.

Nesta quarta-feira no fim da tarde, horas depois das declarações, o Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano, como esperado, e sinalizou que o início do ciclo de relaxamento monetário deve começar em março se o cenário vigente se mantiver até lá.

“Meu medo nesse cenário é que podemos estar apenas no início do fluxo [de capital estrangeiro para a B3] e não temos papel para investir. Temos atualmente apenas 200 ações ‘investíveis’ na bolsa”, completou Keleti.

O gestor disse que esse é um cenário “mais assustador” que a projeção de dólar a R$ 4,40 levantada ontem, durante o mesmo evento, por Luis Stulhberger, da Verde Asset. “Vamos chegar aqui e a bolsa vai estar a 300.000 pontos.”

No limite, essa entrada de capital geraria ainda uma situação incomum no mercado: a necessidade dos gestores buscarem proteção. Ao comprar parte de um índice, por exemplo, eles seriam capazes de “surfar” os ganhos das blue chips – ainda que elas não sejam suas maiores posições.

“Precisamos tomar cuidado com esse cenário. O que é possível fazer – e é incrível dizer isso – é um hedge [contra a alta da bolsa]”.

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